Fragmento mostra a Talude se distanciando do shoegaze e post-rock que a caracterizava

por em terça-feira, 25 abril 2017 em

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Depois de Sorry The Trouble a Talude está de volta com Fragmento. EP que traz novidades sonoras como sax, didgeridoo, samples e sintetizadores. As letras também ganharam mais clareza e estão em português, tratando sobre questionamentos do dia a dia.

Batemos um papo com Vik (vocal, guitarra e sintetizador) sobre o novo trabalho.

Li que o som está mais sujo, mas não achei isso. Sujo pra mim é outra coisa. Eu achei cheio de elementos, o que torna um pouco rebuscado, digamos assim, em relação ao trabalho anterior. O que levou a isso?

Acho que isso vem mais do nosso amadurecimento, da gente ter conseguido se “descobrir” no nosso som. Nesse EP o “input criativo” foi feito por nós quatro em conjunto, ao contrário dos outros lançamentos em que as músicas já surgiam “prontas” e a gente só fazia mudar uma coisa ou outra e por causa disso nós acabamos colocando muito mais elementos na nossa sonoridade, expandindo e tornando ele mais abrangente de certa forma.

O Sorry The Trouble tinha uma linha mais definida. Esse parece atirar para vários lugares. Você acha que foi pelo mesmo motivo do amadurecimento?

De certa forma sim, pelo fato de não querermos nos prender tanto a uma linha ou a um gênero musical específico, mas apesar disso tem várias coisas comuns às músicas do Fragmento. Trouxemos vocais (que agora são em português) mais para a frente do som, apostamos em riffs mais diretos e até mesmo “pesados” de certa forma e também usamos mais elementos eletrônicos.

Verdade. Tudo isso chamou atenção. Falando em letras, elas vão para o lado de relacionamentos, não necessariamente amorosos, abordando até conflito. Elas vieram antes ou depois das músicas?

Geralmente começamos instrumental e fazemos as letras depois que a música já tá mais encaminhada, então elas vem depois mesmo. E elas abordam mais essa coisa da tensão, dos conflitos que a gente vive. “Avenida” por exemplo fala da sensação de se passar o dia inteiro no corre, sob pressão, e o único momento de alívio é quando chega a noite; “Ruptura” é um desabafo e também um questionamento ao discurso de que a gente tá “perdendo tempo” se envolvendo na música, coisas que quase todos ouvimos de certa maneira.

E até onde esse envolvimento traz satisfação e traz decepção aqui em Natal?

Ele traz satisfação quando a gente vê que tem um público que realmente preza pelo rolé e que tá lá pela música, quando a gente tem chance de conhecer e fazer amizades com pessoas incríveis, tanto dentro como de fora da cidade. Ficamos feliz também quando vemos várias bandas próximas daqui crescendo cada vez mais, conquistando palcos e festivais mundo afora, isso faz com que esse tipo de coisa não pareça tão distante pra gente, sabe? Mas tem algumas coisas que desanimam a gente um pouco também. Apesar de Natal ter uma cena incrível, ainda rolam alguns problemas, se tratando de público ou até de falta de estrutura mesmo, mas aí vamos aprendendo a lidar com as coisas e até agora tá rolando muito.

Talude