MADA 2018: Talma & Gadelha

por em domingo, 7 outubro 2018 em

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O MADA acontece nos dias 12 e 13 de Outubro. Continuando a série de pequenas entrevistas com algumas bandas que não são headliners, mas tem reconhecimento pelos trabalhos lançados e que fizeram elas chegarem ao festival, batemos um papo com a Talma & Gadelha.

Vocês já tem um público formado e o novo disco foi bem recebido. O que esperar do show no MADA?

Luiz Gadelha: O show é o nosso novo CD Marfim na íntegra. E ele tá muito recente. Apresentamos duas vezes em São Paulo e foram noites incríveis, o público estava atento a cada canção, cada mensagem, cada acorde. No Mada temos o conforto de tocar em casa pra um público que conhece a nossa história, sempre fomos super bem recebidos por um público caloroso em outras edições que tocamos. Por outro lado, pela primeira vez não estamos falando de amor romântico do início ao fim. É um momento importante pra gente e um desafio. É um trabalho que foge aos conforto dos temas dos outros trabalhos, mas que foi inevitável fazê-lo levando em conta o que estamos vivendo no Brasil e no mundo, com tantos assuntos importantes tendo que ser discutidos e colocados à prova. A gente tá feliz de ter superado o primeiro desafio que foi compor, produzir e gravar um álbum tão delicado em assuntos sensíveis e queremos convidar à todos a refletir junto com a gente, ao vivo, no palco do Mada.

Levando em consideração as temáticas da banda, estão preparando algo em tom político para o evento?

O disco inteiro, assim como o show, é um convite para algumas reflexões. Temas que consideramos importantes e achamos inevitáveis não cantar como a homofobia que mata todos os dias gays no Brasil por puro ódio e o assassinato de mulheres por simplesmente lutarem por igualdade de gênero. Se antes abríamos nossos corações pra falar de nossas dores de amor, agora estamos abrindo os mesmos corações pra falar de dores tão profundas quanto, mas que não havíamos dado vazão a elas antes e isso também faz parte desse desafio em assumirmos uma postura política e nos colocar diante de todos essas questões delicadas. Na nossa percepção, do início ao fim do show, entramos num estado de imersão nesse universo que criamos com as canções de Marfim e mostrando nossa cara, nossa voz, dizemos o que sentimos sem rodeios e fazemos uma reflexão juntos: como estamos contribuindo para um mundo melhor?

Foto: Mylena Sousa