20 anos de Sonic Mambo ou naquele tempo ainda podíamos andar a pé a noite

por em sábado, 27 janeiro 2018 em

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Em 1997 no Bar do Buraco, na Vila de Ponta Negra, vi a banda Eddie pela primeira vez. Acompanhando estavam a Jam 97 (creio que a primeira banda de Foca) e a General Junkie (hoje um ex-jogador em atividade). Comigo estava Renato, desbravador de shows naquele tempo. De lá pra cá a banda vem se reinventando e o Original Olinda Style já ganhou várias formas.

2018 marca os vinte anos de Sonic Mambo, primeiro disco da Eddie, e remete àquele tempo em que andávamos por Natal a pé de madrugada sem medo algum. Creio que isso era a realidade de quase todas as cidades. Hoje até dentro de casa o medo impera. De lá para cá foram inúmeros shows em locais tão distintos como a boate Pepper’s Hall ou o anfiteatro da UFRN.

Sonic Mambo ainda é meu disco favorito e isso porque une rock com percussão, levando a uma pegada dançante e ao mesmo tempo pesada. Pode ser saudosismo também. Karina Buhr que hoje é um dos grandes nomes de Pernambuco na cena musical fazia percussão e voz. Provavelmente quem conheceu a banda já depois do Metropolitano não saiba e também não tenha visto e ouvido Erasto Vasconcelos também na percussão. Além de Karina naquele tempo a banda era formada por Fábio Trummer (guitarra, vocal), Roger Man (baixo, vocal), El Mano (teclado, vocal), Bernardo (bateria) e Fred (percussão e voz). Bons tempos. Fábio Trummer não concorda muito com esse “rótulo” de banda dançante. “Não acho o Eddie uma banda dançante, não no sentido clássico, mas a escolha por não seguir tão roqueiro foi em parte natural, tocávamos mais rock por nossa limitação técnica da época, por uma energia adolescente típica da idade que tínhamos e por ainda estarmos desenvolvendo nossa música. Ainda tínhamos como referência as bandas ou artistas que gostávamos e não nossa própria música. As composições eram mais quadradas, as letras menos elaboradas, era nossa primeira escola ditando as regras”, respondeu Fábio por email.

O disco tem 13 músicas que passeiam por vários temas, desde a violência urbana (Buraco de Bala) até temática sexual (Olhando os Dentes) e odes a curtição como “Festejem” e “Ontem eu Sambei”. As preferidas seguem sendo “Videogamesongs” e a praieira “Coqueiros” que leva à praia e uma gela. Entre as guitarras rock e a percussão, já era visível as mudanças que iriam ocorrer a frente e levar ao som que pode ser ouvido já no segundo disco Original Olinda Style. Indagado como ele via hoje o Sonic Mambo, Fábio contextualizou o disco à época que foi gravado: “É um disco que remete a época que foi gravado, tínhamos 20 e poucos anos e uma energia musical própria dessa idade, além do contexto histórico dos anos 90. Engraçado, pois na época da gravação já remetia a uma fase que tinha ficado para trás da banda. Em 97 já tínhamos uma relação maior com a música brasileira, tínhamos dois percussionistas na banda, Karina Buhr era uma delas, e era um caminho que queríamos seguir, uma música mais autoral e menos genérica, mas trabalhamos com um produtor que não tinha conhecimento de música brasileira e se perdeu muito das nossas “inovações particulares” praticadas pela banda naquele período”.

Paralelo a Eddie os músicos mantém outros trabalhos como Trummer Super Sub América e Academia da Berlinda, Malícia Champion que mantém a pegada rock com ritmos pernambucanos, brasileiros e mundiais. A juventude que conhece a “nova” Eddie vale a pena buscar o Sonic Mambo e o Original Olinda Style para ver as mudanças que a banda passou e apreciar esses discos que já tem a idade de muita gente que curte a banda.