Samsara Blues Experiment em busca de novos mantras

por em segunda-feira, 12 junho 2017 em

samsara
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Após um hiato de quatro anos, saída de um dos integrantes e turnê pela primeira vez na América do Sul, o agora power-trio alemão Samsara Blues Experiment lançou um novo álbum chamado One with the universe. Ele foi lançado em maio através da gravadora Electric Magic Records que fica em Berlim e a arte da capa é do Michel Bassot. Garantindo notoriedade principalmente aqui no Brasil com o crescimento da cena de stoner e rock psicodélico.

O álbum soa como fruto de jams, horas de improviso, viagens cósmicas e espirituais. Mesmo mantendo uma linearidade e um conceito da arte da capa e letras, destaca-se pelo fluxo criativo que passa pelas melodias e elementos sonoros. O álbum possui um ar vintage, tanto na bateria quanto no sintetizador e teclado utilizados. Levando o ouvinte a uma viagem meio que da psicodelia floydiana e riffs do Black Sabbath com uma mescla de stoner clássico como Kyuss.

A primeira faixa do álbum, “Vipassana”, que na Índia significa um tipo de meditação que nos permite o autoconhecimento e transformação através da observação de nossos corpos e mentes, possui a melodia intercalada por solos de cítara, sintetizadores e progressões. Parecendo o que eu chamaria de “stoner-mantra”. Já “Sad Guru Returns”, segunda música do álbum, é um instrumental que contém menos elementos indianos, com frequente presença do teclado e sintetizador, mantendo uma pegada mais stoner onde a guitarra harmoniza como uma cítara no fundo. “Glorious Daze” já indica que estamos chegando na primeira metade do álbum. Tem aquele solo de teclado clássico do rock setentista e um baixo bem distorcido marcando o começo. A letra nos lembra uma canção de amor. A música tema do álbum, “One With the Universe”, é completamente visceral, fazendo-nos pensar sobre qual nosso lugar no mundo. Tem uma longa introdução instrumental composta com mais ênfase nos solos viajados e na presença do synth. É repleta de progressões onde aquele groove do wah-wah dá seu destaque. A última faixa, “Eastern Sun & Werstern Moon” possui um ar místico notado na sua introdução, com o synth e guitarra intercalando de maneira arrastada junto com a bateria. É uma clássica melodia do heavy-psicodélico, com direito a rifão de guitarra e teclado. A letra é como um canto de culto para os astros.

O álbum já é um clássico do SBE mesmo após o período sem produzir material de estúdio. A banda conseguiu reunir todas suas inspirações ao longo destes quatro anos e sem perder a sua fórmula/característica principal: a medida dos ragas indianos com o rock psicodélico. Destaca-se este ano lançando um trabalho repleto de originalidade e progressão espiritual.

Foto: Edko Fuzz