O disco das horas de contemplação ao amor

por em terça-feira, 31 julho 2018 em

romulo
LinkedIn

O grupo que forma o Passo Torto, formado por Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Marcelo Cabral, tem características bem distintas e em sua união traz as diferenças para criar algo novo. No que se refere o individual cada um segue sua linha. A de Romulo Fróes é a do Samba. Não um samba animado, pra dançar, mas um samba triste. Isso marcou Romulo.

O Disco das Horas, seu mais recente lançamento, segue a linha do Samba triste com letras sinuosas tanto quanto as composições. Inúmeros instrumentos criam uma camada musical densa, dando mais peso ao que se canta. Ao longo das treze músicas há sensualidade, sexualidade, cheiros e gostos. A curiosidade fica por conta dos títulos das músicas. A primeira se chama “Primeira Hora” e a última “Décima-Terceira Hora”.

Nuno Ramos é o responsável pelas letras. Isso mesmo: todas as letras. Doze foram escritas numa conexão na aérea na Itália e depois Nuno mandou a décima terceira. Nuno e Romulo são parceiros faz tempo. Se entendem. Assim como Thiago França que assina os metais. As doze músicas mandadas foram musicadas por Romulo, a última por Clima.

O disco deve ser apreciado sem pressa, tal qual as 13 horas que compõem o disco. Os detalhes são muitos e a colcha musical letra/música monta cenários românticos diversos que levam a um mesmo lugar: o amor levado a sério com todos os prós e contras existentes. Sem medo.

Um trecho de “Décima-Primeira Hora” dá bem o clima do disco: “Querem ouvir nosso hino, não temos hino. Querem saber nosso nome, não temos nome, não temos corpo, nem fome”. A música segue com uma demonstração de viés político que parece mostrar que nos resta o amor. Às vezes nem isso nesses tempos de ódio.

Como artista que atua em várias frentes da música, seja escrevendo, dirigindo ou compondo, a ideia de fazer o disco também como uma obra de arte foi posta em prática na forma de CD e Vinil. Nos tempos de hoje – onde ouvir música se tornou algo descartável e comprar discos obsoleto por parte dos consumidores – é um risco e um prato cheio para quem gosta de ter o material físico. A promessa é de satisfação com os trabalhos em CD e vinil prateados lançados pela ybmusic. Mas o disco também está disponível nas plataformas digitais.

Foto: Luan Cardoso