Repuxo mostra o Walverdes em relacionamento sério com o dub e reggae

por em quinta-feira, 18 agosto 2016 em

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Alguns dias atrás, o Walverdes deu sinal de vida após longo período e lançou o EP Repuxo, trabalho que estava prometido desde o começo do ano pela banda e que sucede Breakdance, de 2010. Nós da redação gostamos tanto desses caras que acompanhamos o ritmo deles e somente agora vamos falar sobre o lançamento.

O trabalho lançado pela Loop Discos foi produzido pelo guitarrista Júlio Porto e traz o Walverdes experimentando novos efeitos sobre as suas faixas, ganhando uma nova roupagem bem interessante, porém, sem perder a sua essência com a costumeira sonoridade bastante crua. Nos levando a pancadas garageiras e punks diretas acompanhadas de letras simples que parecem ser repetidas de outras músicas deles. Um padrão de produção que funciona bem para a proposta dos gaúchos.

Os novos efeitos citados antes são o dub e reggae contrastando com o garage e punk característicos da banda. Os desavisados podem estranhar a mistura, mas quem acompanha a carreira deles sabe que eles gostam dos estilos e no longínquo passado de 2004 soltaram o EP Demasiada Sequela que explorava esse outro lado e que cai mais uma vez muito bem para quebrar o ritmo e balançar em uma velocidade bem menor. A banda também faz versões dub para alguns clássicos do rock em shows. Essa “mudança” se deu principalmente pela adição a banda de Julio Porto, amigo de longa data, em uma das guitarras. Julio é músico de dub e reggae.

Das sete músicas de Repuxo os destaques ficam com as faixas “Desconstrução”, que mostra uma versão em cada estilo e que não dá para escolher qual ficou mais bacana, e “Água” que com pouco mais de um minuto serve tanto pra bater cabeça como pra dançar com o tecladinho maroto. “Cálculos & Negociações” e “É Muita Gente” – já com clipe – são a velha pegada garageira. E por fim ainda temos 30 segundos de “Jazz com Bacon”, para aumentar a sensação de querer mais. E vai ter mais.

O título do disco, Repuxo, é referência ao mar do Sul que suga o desavisado que entra no mar. Em recente entrevista, Gustavo Mini disse que quando veio ao Nordeste a primeira vez adorou o mar daqui pela tranquilidade. Não se engane Gustavo, aqui também tem repuxo. Não o ano todo, mas sim em épocas específicas e com a maré cheia. O famoso buraco na beira e a correnteza fazem estragos, que o diga Marcelo Costa do Scream & Yell que provou disso em Ponta Negra dois anos atrás.