Rabanadas para o lanche da tarde

por em domingo, 7 janeiro 2018 em

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Rabandas é uma dupla que faz rock gastronômico, punk intuitivo, música terapêutica surrealista…? Pode ser tudo ou nada disso. Na real, é mais fácil dizer que é uma viagem criativa de Stvz e Clara do Prado, nascida da mais sincera vontade de criar música para exercitar a imaginação e fugir das armadilhas dos boletos e expedientes que se acumulam nas costas feito as sanguessugas naquela cena de Conta Comigo.

O primeiro EP da dupla, com seis faixas, saiu no finzinho do ano passado via Chupa Manga Recs e já anda em alta rotação na hora do lanche aqui da redação. Para matar um pouco mais a fome, batemos um papo por e-mail com a dupla, que conta sobre a origem do projeto, declara amor a Iggy Pop e comenta os dois clipes de fã feito para as canções do disco.

Ouça e baixe o EP da Rabanadas pelo Bandcamp da Chupa Manga Recs:

O Inimigo: Como nasceu a Rabanadas?  Vocês estavam com fome quando inventaram a banda?

stvz: A primeira vez em que tocamos juntos foi ainda no RJ, no fim de 2014, num estado um tanto alterado, mas só de brincadeira. Depois disso, nos mudamos pra Porto Alegre, e um tempo depois a Clara pilhou e foi fazer aula de bateria (com a Biba, do DeFalla!), aí resolvemos montar a banda, algo que fosse divertido de tocar, despretensioso. O nome foi ideia dela, hehe, e calhou porque o plano era lançar perto do natal.

clara: Na véspera do natal de 2014 eu virei a louca da rabanada, testei várias receitas, tinha rabanada todo dia lá em casa. Num desses dias nosso amigo Biu, sócio proprietário da Lombra Records, foi lá em casa com um presentinho lisérgico, ficamos horas comendo rabanadas e ouvindo discos. Nessa mesma noite o Stvz tinha ensaio do Chapa Mamba e eu fui junto. Como a banda demorou pra chegar resolvi sentar na bateria, foi a primeira vez que tive contato com o instrumento, brincamos bastante tentando fazer uma música meio The Felines, e batizamos de Rabanadas. Corta pro ano passado quando resolvi realizar o sonho adolescente de fazer aula de bateria e ter uma banda. Tiramos as Rabanadas da gaveta e começamos a ensaiar direto, com o objetivo de ter algo pronto antes do natal. Engraçado é que só voltei a fazer rabanadas em casa pra fotografar a capa do disco, fechando um ciclo.

Além de comida, outro tema recorrente do EP são as dores e os deveres da rotina e da vida adulta, em “Expediente” e “Escravos do horário”. Fazer música é a melhor rota de fuga pra longe dos boletos?

clara: Comecei a aprender bateria logo depois de largar um emprego mega abusivo, dai a música simbolizou essa fuga pra mim. “Expediente”, fizemos na praia, num feriado desses, no meio de uma época super estressante. Acho que botar as mazelas cotidianas pra fora musicalmente faz bem pra saúde e conserva os dentes, pagar os boletos em dia também.

stvz: Já que não paga, pelo menos ajuda a esquecer!

A versão dos Stooges já é sucesso, pelo menos aqui em casa. Por que decidiram gravar ela?

stvz: Acho que provavelmente estávamos na cozinha, ouvindo um som ou falando sobre, e Clara cantou de brincadeira o “Chatão, meu bem, chatão”. Aí pegou, só faltava terminar a versão. Tentamos deixar com uma cara meio Little Quail / Jovem Guarda, bonitinha, mas no final ainda rola uma encarnação de Arnaldo, acho que funcionou.
clara: Curtimos muito versões, tanto as da jovem guarda, quanto os Mutantes fazendo cover em inglês deles mesmos. Aliás, acho versões mais maneiras que covers, sabe?! Coloca uma alminha cafona na música, faz dela uma pouco mais sua. Sempre amei “No fun”, me lembro de um show em que o Iggy colocava as pessoa pra cima do palco nessa música enquanto dava bronca no segurança gritando “no fun!”, uma música onde pode tudo (pode até estragar fazendo uma versão). Além disso (e principalmente por isso), Stooges seria o tipo de batida que eu, como aprendiz, conseguiria levar. Dai veio a tradução literal que virou “Chatão, meu bem, chatão” e só foi!

Falando em Stooges, viram o doc do Jim Jarmusch sobre a banda?

clara: Ahhh, ainda não! Precisamos muito. We <3 Iggy!

stvz: Ainda não, mas tô doido pra ver.

Me contem mais sobre os vídeos de “Sem diversão” e  “Eu não preciso de vocês”. Foram feitos por uma amiga e fã de vocês, foi isso?

stvz: Sim, uma amiga nossa de Brasília, que mora em Berlin, pirou no disco e mandou os dois na sequência! Achamos demais.

clara: A Woortmann é nossa amiga e contemporânea de UnB. Ela sempre foi ligada a música, fazia umas festinhas maneiras, uns flyers e projeções. Se mudou pra Berlin há um tempo e acho que tem esses saudosismo da terrinha (que a gente também compartilha, morando longe), tá sempre super entusiasmada com as produções candangas. Daí ela ouviu o disco, pirou nas músicas e fez dois clipes pra gente (“Eu não preciso de vocês”, aliás, super segue a lógica da “versão literal” com imagens ilustrativas, que comentei ali em cima).