Freddy Frenzzy se divide entre o Post-Sleaze e o Forró

por em terça-feira, 29 janeiro 2013 em

botapressao
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Pegue um quinteto roqueiro, tire suas indumentárias, a maquiagem, as influências, três integrantes. O que sobra? Uma dupla de forrozeiros. A notícia de que essa metamorfose toda tinha acontecido com o HOTTNYTE  pegou muita gente de surpresa, inclusive nós. Que a princípio achamos até ser uma tiração de onda. Mas depois do papo com o vocalista Fred Frenzzy, a impressão ficou de seriedade, assim como ele sempre tratou a sua banda principal.

Mas o que levaria o pessoal do HOTTNYTE  que após lançar o álbum Seven Sins, gravar dois clipes e ter uma boa repercussão no meio a embarcar na onda do Forró? Susto passado, percebeu-se que: 1) o HOTTNYTTE não acabou; e 2) apenas dois integrantes entraram no bailado rala coxa do forró BOTA PRESSÃO: Diego Guery (antes Gary Olliver) e Fred Bragança (antes Freddy Frenzzy). Para esclarecer e entender as mudanças, fomos conversar com Fred.

O Inimigo – Como surgiu a ideia da banda de forró?

Fred Bragança – Morando aqui, sempre estive em contato com o estilo. Querendo ou não, gostando ou não, concorda? Cresci aqui. Mesmo não sendo minha onda, à princípio, o forró estava presente na minha vida. Um belo dia, ao ensaiar com o HOTTNYTE no Studio R, tive o prazer de conversar com o cantor Bell Oliver (Ex-Calcinha Preta e Cavaleiros do Forró, atualmente no Forró dos Balas). Eu não sabia quem ele era e muito menos ele quem eu era. Começamos a conversar sobre o mercado do forró, do rock… E ele foi me abrindo os olhos, dando toques, conselhos. Comecei a ter a ideia de fazer. Mas ele me alertou: “Freddy, mas é aquela coisa… Música você tem que ter dentro de você. Não vai conseguir fazer bem se não for algo que você carregue no seu coração e goste genuinamente”. A partir desse dia, comecei a escutar forró com a mente aberta. Passei meses ouvindo até me acostumar, gostar e me sentir totalmente instigado à montar a minha banda! Aí surgiu o BOTA PRESSÃO.

E o HOTTNYTE, vai ficar em paralelo?

Vai. A princípio, pensei que não daria. Mas o HOTTNYTE está num momento muito forte, e numa fase mais tranquila em matéria de agenda. Estamos colhendo os frutos que plantamos com muita luta ao longo de 3 anos. Estamos aí vendendo os CDs avulsos pra compradores no exterior, temos 2 clipes pra promover o álbum e estamos negociando o licenciamento dele em outros países. A banda está tão estabelecida que em breve lançaremos nosso terceiro clipe. Não estamos tocando aqui porque passou a não ser tão compensador, já somos conhecidos aqui, não há porque banalizar e vender barato o show. Felizmente podemos selecionar os eventos em que vamos tocar e no momento só pensamos em tocar fora.

Pela foto de divulgação vi você e Gary, os outros caras foram contatados sobre a possibilidade? Não toparam? Qual a formação dessa banda?

Banda de forró é diferente. Quando fala em formação, fala dos cantores. Somos eu, Diego Guery (Gary Olliver), Lenne Santos (Ex-Forró da Pegação, Pegada Forrozeira, Forró do Bom, etc) e estamos vendo com a Cris Silva (Ex-Panka de Bakana, Dandões do Forró e Marginais do Forró). Temos cerca de 10 músicos de palco que acompanham a gente, mas volta e meia mudam algumas peças sem alterar a cara da banda. Felizmente estamos com um time muito competente! Os outros integrantes do HOTTNYTE entendem e aceitam o projeto. Gary Olliver foi o único que demonstrou real interesse em participar e aí estamos juntos. O baterista Holddy Trista até toparia a onda, é um cara sem preconceitos e que gosta de ir além, mas ele não se preparou para se inserir num estilo diferente, não vem tocando esse tipo de coisa, teria que fazer laboratório durante um tempo.

E o público do HOTTNYTE? Alguém se manifestou contra?

Felizmente o público feminino do HOTTNYTE sempre foi muito compreensivo comigo. As meninas têm reagido muito bem. Mas falando do público do HOTTNYTE como um todo… Tem muita gente ainda sem entender nada, achando que é piada ou até alguma estratégia de marketing do HOTTNYTE. Alguns mais dramáticos ficam até meio “órfãos”, achando que a banda vai acabar… É aquela coisa… Quando os pais se separam, os filhos não entendem, não aceitam, só querem ver o pais juntos, não importa o que for. É mais ou menos a mesma coisa. Gostaria de aproveitar e agradecer a todos os amigos de verdade que temos no rock, que, independentemente da decisão que tomamos, vêm demonstrando sinais de apoio e compreensão. Acho que as manifestações mais afobadas vêm dos fãs reprimidos… Aqueles “anti-HOTTNYTE” que sempre dizem nos odiar, mas que acabam fazendo mais propaganda do que os fãs, entende? Fico feliz que eles estejam fazendo propaganda gratuita pro BOTA PRESSÃO também. Eles nunca faltam aos shows da HOTTNYTE! Acho que 70% do público nos shows da HOTT são de “haters” que ficam lá criticando o show, zoando, mas que ficam lá do início até o fim e ainda saem falando na net depois! A dedicação deles é maior que a dos fãs! Impressionante! (Risos).

O novo público é diferente, claro. Escutam forró, sertanejo, pagode, swingueira. E alguns raros, ouvem rock. O melhor deles é que eles compõem um público que gasta em seu entretenimento, ao contrário do público roqueiro, que se amarra pra dar R$ 5,00 num show de bandas locais, embora que às vezes vendam a mãe pra ir chupar rola de banda gringa (risos histéricos). O público do Forró gasta. Seja um show do Aviões do Forró ou de uma banda local, eles não se importam de dar R$ 20,00 ou mais pra entrar. E curtem ao máximo sem ficar detonando ninguém. Isso que faz haver mercado. Tudo gira em torno do público.

Como estão as músicas? Já tem quantas? Pretendem fazer versão de algum clássico do rock?

Estamos compondo músicas que vão do forró vanerão (esse mais moderno, misturado e escrachado) até o romântico. Inevitável sofrer influências também do sertanejo, do arrocha, pisadinha, tecnobrega, etc. Além das autorais, nosso repertório têm, é claro, ínúmeras versões pra grandes sucessos da atualidade e do passado, seja do forró ou desses estilos que citei. E sim, há uma versão que estamos fazendo em cima de “I Live My Life For You” do Firehouse. Deve se chamar “Vivo Minha Vida Por Você” (tradução literal), deve ter arranjos de arrocha romântico e vai ser cantada pelo Diego Guery.

Quando será a estreia da banda?

Rodrigo Véras é quem cuidará da nossa agenda e ele já está fechando nosso show de estreia para o fim de fevereiro ou início de março. Não tenho mais detalhes.

Tu acha que o forró e o rock, o hard rock em especial, guardam semelhanças?

Demais! A filosofia é a mesma! Tanto o repertório do forró quanto o do Hard Rock são compostos de dezenas de músicas que falam de farra, bebida, mulher, ostentação de riqueza… e algumas outras românticas. É muito semelhante. Negar isso é pura hipocrisia.

Vocês estão preparados para as críticas? Porque tem muita gente achando que vocês estão malucos e até coisa pior.

Não temos medo das críticas, até porque o BOTA PRESSÃO não tem intenção NENHUMA de agradar público roqueiro, eles não pagam nossas contas. Quanto ao público forrozeiro, temos certeza de que vamos causar muito barulho, pois ofereceremos arranjos diferentes, criados por ótimos músicos que têm na linha de frente a talentosíssima Lenne Santos, uma das maiores artistas com quem já trabalhei. Olha, se fosse vocês ficaria de olho no BOTA PRESSÃO. Porque se mesmo no rock, contra tudo e todos conquistamos tanta coisa… CD vendido no exterior, 2 clipes, participações em programas de TV e Rádio, shows em festivais importantes (inclusive em São Paulo), reconhecimento internacional em sites por todo o mundo… O QUE NÃO PODEMOS CONQUISTAR AGORA COM O MERCADO A NOSSO FAVOR? Continuem falando. Caso um dia eu compre uma Land Rover farei questão de parar pra ouvir. Torçam pra que não.