Pôr-do-Som, o retorno: quase fui enganado

por em quarta-feira, 16 janeiro 2019 em

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Antes de chegar ao Terreno Pirangi para o segundo domingo do Festival Pôr-do-Som, eu achava que o lineup não era tão convidativo para o grande público como os outros dois fins de semana aparentavam. Mui ledo engano: a ampla adesão do público fez desse dia mais povoado, creio, que o domingo anterior. Muita gente chegando cedo para ver Seu Pereira & Coletivo 401 (PB), Luísa e os Alquimistas (RN) e a atração principal, Chico César (PB).

A ordem das apresentações, inclusive, foi exatamente essa – os paraibanos do Seu Pereira & Coletivo 401 fizeram um show redondo, com sua banda composta por feras da música paraibana, com membros de Burro Morto, Chico Correa & Electronic Band e Berra Boi, outros projetos interessantes vindos de João Pessoa. Vizinhos que são, Seu Pereira entrou com jogo ganho, gente cantando junto e platéia vidrada com seu som regionalista e grooveado. O show findou com o sol ainda se pondo, ainda nos estertores da luz do dia. E se a banda paraibana parecia jogar em casa, a local Luisa e os Alquimistas tocava para arena lotada e efusiva. Com formação reforçada pela presença do acordeonista Pedro Regada, importado da versão paulista dos Alquimistas, Luisa Nascim e seu conjunto apresentaram um set de respeito, com direito a música nova, covers (de “Take My Breath Away”, do Berlin, “Jogo do Amor”, de MC Bruninho e “Man Down”, de Rihanna), e presença já tradicional de Raphael Dumaresq subindo no palco pra dançar junto. Luisa e os Alquimistas estão com disco engatilhado pra 2019 e já tem seu público mais que cativo, já hipnotizado pela malemolência desse som.

A atração principal, o paraibano Chico César, parece ter levado mais de uma geração até Pirangi. Ouvi relatos de amigos que ouviam com seus pais os discos de Chico, e sei de gente que é fã desde a mais tenra infância/juventude. E para os saudosistas, Chico César subiu ao palco sozinho, com um espelho em mãos em que refletia as luzes que se voltavam até ele, e entoou uma de suas músicas mais antigas, que abre o seu disco Aos vivos (1995); com Beradero, o paraibano calou a plateia em Pirangi, que correspondia em coro suas interações. Mesclando o repertório de Estado de Poesia (2015) e sucessos antigos, que ia até Mama África, cantada com participação do vocalista do Seu Pereira, Chico César contou histórias, conversou com a platéia, cantou música de Accioly Neto. No mais, um show divertido, pra dançar junto, pra ouvir parado na noite de Pirangi.

Dessa vez o Terreno Pirangi já era mais familiar, como mesmo uma parte da casa já, o que mostra a adesão maciça ao Festival.

Foto: Luana Tayze