Pôr-do-Som agitado em Pirangi

por em segunda-feira, 7 janeiro 2019 em

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O cenário pretendido era esse: sol, mar, calor, roupas sumárias, o RUBOR DOS TRÓPICOS, clima de paquera & curtição. Pode-se dizer que do calor pra cá tudo foi mantido na praia de Pirangi para o primeiro dia do Pôr-do-Som, sidefestival do Festival Dosol. O clima nublado, que ainda fez cair uma chuvinha na praia do litoral sul, deu uma assustada na platéia e na organização; todavia, não passou de ameaça dos céus contra a folia dos veranistas alternas, que lotaram o Terreno Pirangi.

Pontualmente as 17h a pernambucana Jéssica Caitano, que fez sucesso no último Festival Dosol, em Novembro, já estava nos palcos acompanhada do seu DJ Chico Correa, mandando suas rimas em cima de beats que somam sonoridades regionais, com muito coco e repente e essas coisas todas que cirandeiros e antropólogos amam, aos kicks pesados de rap dando a marcação. Jéssica tem versatilidade e dinâmica que a diferenciam da cena atual de rap, calcada no trap e nos flows ligeiros. O flow de Jéssica têm o sotaque carregado do alto sertão, a dicção nordestina prevalece e se afirma também nas letras regionalistas. Anderson Foca e Gabriel Souto fizeram ainda uma participação, um acompanhando nos backing vocals e o outro mandando um cavaquinho em “Faz a Linha“, single lançado pelo Dosol.

Logo na sequência da apresentação de Jéssica, que foi um pouco prejudicada pelo horário, já que o público ainda chegava aos poucos no Terreno Pirangi, o Dusouto subiu ao palco com seu tradicional setlist que costurou músicas que iam de seu disco de estreia, de 2006, até Conecta, último lançamento do trio. A essas horas o público que provavelmente estava ali para ver mais uma vez Academia da Berlinda já estava guardando seus lugares. Os pernambucanos subiram ao palco em torno das 21h, executando a faixa do seu disco homônimo Nada sem ela (2017). Sem Urêia, vocalista e percussionista que também toca na banda Eddie, a banda fez o mesmo show que vem fazendo faz uns 2 anos em Natal tradicionalmente. Começa 2019 e a Academia da Berlinda já está em nosso encalço mandando suas cumbias, como se fosse um repeat executado à risca ao vivo. Embora o repórter aqui não seja lá fã do grupo recifense, cabe o destaque do público, que visivelmente ama muito este show e não abusa mesmo.

O primeiro dia do Pôr-do-Som é também um marco de um rolé que deve virar tradição no verão alterna potiguar, uma bem vinda novidade em nossas praias e veraneios. Que siga bem nos próximos fins de semana.

Fotos: Luana Tayze