Pôr-do-Som, a Missão: #forabolsonaro

por em segunda-feira, 4 fevereiro 2019 em

LinkedIn

Último dia do Pôr-do-som de 2019. Mas 2020 já está garantido, assim falou Ana Morena antes do show de Letrux diante de um calor digno de se hidratar bastante e ter raiva com a fila do banheiro. O colorido pré-carnavalesco foi a indumentária que marcou mais um dia de festival e que já aqueceu pro banho de glitter dos dias que virão. Vão devagar, por favor.

Quem abriu os trabalhos, com um sol pra cada vítima, foi Potyguara Bardo. Mas dentro já tinha muita gente curtindo o show que rolou em cima do seu disco Simulacre. Dançaram e viram a participação de Luisa Nascim e sua voz característica já identificada na fila do lado de fora.

Letrux também aproveitou o sol e o calor que ele proporcionava. Entrou no palco vestindo uma roupa que lembrava, segunda ela, Nazaré Tedesco. A medida que o show seguia ela foi se despindo das peças ficando apenas com o maiô que tinha uma foto dela da capa de seu disco Letrux em Noite de Climão. No começo em “Vai Render” um problema técnico no teclado fez com que ela conversasse com a platéia para segurar a expectativa que já era grande por parte do público. Quando o problema foi resolvido ela seguiu controlando a plateia facilmente, fosse com as músicas ou fazendo observações como de um casal que passou uma música inteira se beijando. Ela atentou para o detalhe de não ser adolescentes, com o público adorando tudo. Se emocionou durante “Amoruim” e emocionou a todos ao fim em levantar uma placa com a Rua Marielle Franco. Atitude que se mostrou um símbolo de luta e resistência país e mundo afora. Mandou uma versão de “Human Nature” de Madonna que, segundo ela, fazia o calor subir quando foi lançada. “Que Estrago” foi o ponto alto sendo cantada a plenos pulmões. Ver uma banda em total comunhão entre si e com o público só ajuda, e foi assim o show inteiro. Até com o sol se pondo e ela dizendo que no Rio de Janeiro “as pessoas fazem uma coisa meio idiota que é aplaudir o pôr-do-sol”. Em vários momentos ela demonstrou a insatisfação com a atual conjuntura política brasileira. Não só com um sonoro #forabolsonaro como exaltando a figura de Lula com o #lulalivre. Se despediu deixando no ar um dos melhores shows nacionais do momento e a expectativa pelo segundo disco.

Após o show de Letrux, calorento e acalorado, a Orquestra Greiosa subiu ao palco. Dividindo opiniões bem extremas entre público e crítica, a Greiosa faz seu show em clima de carnaval, mandando até cover de Duda Beat na voz de Simona Talma, com suas versões baianescas de músicas de outras bandas potiguares. Não vamos dizer que a plateia como um todo virou a cara para a banda, mas foi o momento ideal pra beber aquela cerveja, puxar aquela conversa que ta pendente desde o domingo passado, enfrentar a fila puxadíssima do banheiro pra poder dar tempo de guardar lugar pro show do ÀTTØØXXÁ.

Quando o bonde baiano subiu ao palco, a plateia já formava mini-rodas, como uma boiada se preparando pra hora do estouro. Sem a presença de um dos vocalistas, Raoni Knalha, o coletivo foi suprimido e veio em forma de trio, com o DJ Rafa Dias e o vocalista/baterista Oz se revezando pra puxar o pagodão. É difícil um show do ÀTTØØXXÁ ser ruim ou passar despercebido, mas talvez a ausência de Raoni, o balançar da estrada, a carga puxada da semana, deram uma esfriada na porrada sonora que é um show dessa crew. Embora estejam lá momentos estrondosos de balanço made in Bahia, o show do grupo foi algo burocrático. Talvez o conceito de apresentar ritmos baianos pra uma plateia nova seja um pouco enfadonho, embora interessante. A dado momento houve uma pequena seção estilo quizz em que Oz e Rafa faziam coreografias e a plateia devia cantar junto assinalando a música correspondente à coreô. Um amigo comentou que só faltou rolar uma versão de “AXÊGO”, sátira baiana que o grupo Hermes e Renato fazia no meio dos anos 2000. Todavia, o show teve momentos bonitos, como uma roda formada só por minas, e os drops de dubstep acachapantes.

Já o Skarimbó subiu ao palco com orquestra completa. Fizeram um show pra nenhum tilelê botar defeito, com ciranda, maracatu, coco e cumbia, com muita latinidade e clima de veraneio. Fecharam com simpatia esse Festival Pôr-do-Som.

Mais que pertinente, o lineup do Pôr-do-Som, com merecida data confirmada em 2020, está carimbado como novo rolé importante no calendário potiguar. A expectativa é que a estrutura melhore ainda mais e que tenhamos mais nomes importantes & imponentes em 2020.

Abaixo o show completo gravado pelo Paulo Santiago.

Foto: Dosol