Perturbator aposta em ruptura com New Model

por em quarta-feira, 6 setembro 2017 em

perturbator
LinkedIn

Antes de tudo, para falar de Perturbator e de synthwave, precisamos de uma explicação muito rápida do que é esse som: video games e filmes dos anos 80, gated reverb e sintetizadores analógicos. Mais explicado que isso, só escutando ele próprio e bandas como Power Glove, Dynatron, Carpenter Brut e Kavinsky. Seguimos com o texto.

James Kent, mais conhecido como o dj Perturbator, é hoje um dos grandes nomes do que pode ser o grande som (hype) da moda pós rave. Com uma bagagem pessoal em bandas de metal, black metal, djent e hardcore, James decidiu abandonar todo isso e produzir o seu próprio som sob a influência de tudo que já havia experienciado antes. Um som retrofuturista, puramente cyberpunk com um tom medonho e obscuro iria surgir e se aprimorar até chegar no lançamento mais recente do dj. O EP New Model chegou se colocando muito bem.

Em comparação com o seu predecessor, o The Uncanny Valley de 2016, o som veio mais imersivo e menos furioso. Os vocais e o tom de house nas músicas não sumiram, é possível escutar “Vantablack” e entender que a cantoria te leva para um outro lugar, mas nada comparado aos caminhos dos bonitos vocais de Greta Link no disco The Uncanny Valley. “Tainted Black” brinca com o ritmo e balança a música entre o agressivo e o melódico, que é uma marca registrada de faixas mais dançantes (mas nem por isso menos densas). “Corrupted by Design” e “God Complex” são várias cerejas em cima desse bolo maravilhoso. São quase 35 minutos de mais um trabalho excelente do Perturbator.

O New Model soa um tanto triste, é possível sentir na atmosfera do EP. Se sentir jogado no meio disso é fácil quando o novo lançamento é a coisa mais diferente que o Perturbator chegou a fazer. Uma ruptura bem sucedida e uma entrada em algo que não precisa ser sempre conceitual e abordando distopias e assuntos tão atuais. A música simplesmente aconteceu e adicionou bastante ao legado do dj.