Pennywise faz show memorável em tour dos 30 anos no Ponto.CE

por em quinta-feira, 6 dezembro 2018 em

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Ainda por volta de setembro, foi anunciado que a banda americana Pennywise, um dos ícones do punk rock mundial, passaria por Fortaleza em sua turnê pela América Latina. Como já recaí no erro de perder um show da Bad Religion alguns anos atrás, e eles nunca mais voltaram, comprei o ingresso sem pestanejar ou ao menos perceber que o show seria numa quinta-feira. Pois bem, dia 29 de novembro saímos em uma van, somente seis pessoas já contando com o motorista, para ver este show que fez parte da turnê comemorativa dos 30 anos da banda, afinal, dia de semana é complicado, ainda mais contando que entre ida e volta, mais o tempo dos shows, tudo deu 24h de rolé.

Durante a viagem, um tanto longa, algumas cervejas e uma trilha sonora que transitou pelo punk rock, hardcore melódico e guitar 90 para já chegar no clima. Conseguimos vencer a distância chegando ainda uma hora antes do show, o que deu tempo hábil para comprar os quilos de alimento que havíamos esquecido, não sem antes dar uma volta pelo centro da cidade, não voluntária, já que não conhecíamos bem Fortaleza.

O show ocorreu no Complexo Armazém, espaço de tamanho mediano, desses que dá para ver o artista de perto mesmo que você esteja mais atrás no público. Mesmo sendo um nome importante do punk mundial, acredito que por ser num meio de semana, a produção deva ter esperado um público menor, o que inviabiliza um espaço maior. As primeiras bandas do dia, a Dead Nomads, da Paraíba, e a R.S.U, do Piauí, tocaram ainda para públicos muito reduzidos, a banda paraibana, inclusive, não consegui assistir na saga do quilo de alimento.

Sobre o show da R.S.U., não conhecia a banda, mas gostei muito do som um hardcore punk com influências de crossover. Fizeram uma apresentação com músicas do seu primeiro EP, Peccatum Mortiferum. Seria um show que em um horário com melhor público, com certeza geraria várias rodas.

Em seguida quem subiu ao palco foi a alagoana Mutação, banda que entre idas de vindas está aí na área desde 1999. Após o último hiato, a banda voltou à ativa com a gravação do DVD Odisseia, em Janeiro de 2017, que foi lançado justamente nos shows dessa turnê. A apresentação contou com músicas antigas, do disco Por que? (2004), como “Auto Destruição” e “Otimismo Aparente”, mas também algumas novas do disco Mundo & Mundo, que deverá ser lançado nos próximos meses, sempre na pegada rápida e trabalhada do hardcore melódico e com o vocalista Allan Huston, mostrando que ainda segura legal os vocais melódicos.

A prata da casa e banda do organizador do evento Maurílio Fernandes, Switch Stance, fez seu show de reencontro após alguns anos de hiato. A esta altura, já passava das 21h, e o público já se encontrava em bom número. Como banda local e com boa repercussão enquanto ativa, o grupo conseguiu levantar o público esquentando bem para o show da banda americana. Foi uma apresentação cheia de energia e com algumas músicas sendo cantadas pelo público presente, que demonstrou lembrar bem das letras.

Eis que subiu ao palco a Pennywise. Com um show comemorativo a banda desempenhou todos os seus maiores sucessos, com ênfase nos álbuns About Time e Full Circle. Músicas como “Society”, “Fuck Autority”, “Homesick” e “Fight Till You Die” estivaram presentes, juntamente com as rodas de pogo e moshs que não pararam. A presença de palco dos músicos também continua impecável. Vale ressaltar que para chegar ao palco existia um pequeno fosso com água até os tornozelos e teve quem, acidentalmente, deu um mergulho na água verde… Para encerrar o show, o hino “Bro hymn” foi cantado com umas 30 pessoas em cima do palco junto com a banda em uma grande comunhão punk e que somado ao sonoro “ele não”, foram pontos altos da apresentação. Este foi um show para ficar na memória de quem foi e sabendo como é difícil uma outra vinda ao Nnordeste ainda mais. Porém, esperamos que grandes shows como este continuem acontecendo.

Fotos: Felipe Alecrim