8 de Março: Elas indicam 8 discos comandados por mulheres

por em quinta-feira, 8 março 2018 em

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Em 2016 selecionamos 24 discos pilotados por mulheres no Dia Internacional da Mulher. Hoje resolvemos pedir a mulheres daqui de Natal que nos indicassem discos que fizeram e fazem suas cabeças. As indicações apontam vários caminhos assim como as escolhidas. Dois dias após uma aluna ter sido expulsa com sua filha de uma sala de aula da UFRN, por causa da criança, fica claro que a luta contra o machismo não está nem perto de ser vencida. E ela tem que ser diária.

A foto de Rita Lee não é a toa. Ela sempre esteve a frente do seu tempo e sempre se mostrou dona de si, fazendo o que quis sem se importar com a opinião alheia.

Khrystal (Cantora e compositora) – Elis Regina, Trem Azul (1982)

Um disco que marcou minha vida, é o “Trem Azul” de Elis Regina, saiu depois que ela se foi ( 1982 ) e foi meu primeiro contato com Elis. Um disco todo ao vivo, com direção musical de Natan Marques que só virou disco graças ao irmão de Elis ( Rogério ) que era técnico de som e gravou uma fitinha que depois de muito tratamento no estúdio, virou essa beleza de registro. Repertório impecável, pressão da banda e toda a majestade dela, cantando absurdamente. O texto que ela diz no início é emocionante. Desse disco em diante, nunca mais me separei de Elis.

Clara Pinheiro (cantora, Clara & A Noite) – Marisa Monte, MM (1988)

Gravado em 1988 no teatro Villa-Lobos e lançado no ano seguinte originalmente em VHS o disco/Show MM de Marisa Monte me despertou para muitas coisas. As brincadeiras com a voz e a performance da cantora me fez entender de fato o que seria uma interprete. O repertorio passei por “clássicos” da musica nacional e me leva pra uma atmosfera de meia luz e esfumaçada. Destaque pra “Negro Gato” com a participação Paulo Moura.

Simona Talma (cantora, vocalista da Talma & Gadelha) – Alice, Alice Caymmi (2018)

O disco tem produção de Barbara Ohana é a primeira produção dela. Alice apostou totalmente na capacidade e afinidade entre elas e se entregou muito ao processo. Alice é uma cantora excepcional, a escolha dos parceiros e participações, apesar de diversa, caem como uma luva e o arranjos vocais são incríveis. Disco completamente empoderado, da produção aos temas.

Luisa Guedes (cantora, vocalista da Luisa & Os Alquimistas) – Ode to a Carrot, Mc Soom T (2010)

Mc Soom T é uma das grandes referências do dub digital de todos os tempos. O disco “Ode 2 a Carrot” é o meu preferido da cantora | MC, que também foi lançado em vinil, e em 2017 foi remixado (“Ode 2 a Karrot”). Com 15 faixas esfumaçadas, repletas de timbres densos e letras politizadas, esse trabalho tem como tema a relação de Soom T com a Cannabis – sua capa é ilustrada com uma “coelhinha” fumando uma “cenoura” e tomando um enquadro da polícia. Álbum único, com muita personalidade e viciante.

DemoniaEm Noite de Climão, Letrux (2017)

A banda demonia é composta por 5 pessoas que têm referências musicais completamente diferentes. Eu vim do indie, Isa do pop, Quel e Karla do punk, e Nanda do emo. Não é muito fácil a gente entrar em consenso sobre alguma coisa, mas Letrux é uma das únicas artistas que todas curtimos em comum. No Guaiamum as meninas trocaram uma ideia com ela no hotel e nós assistimos o show dela juntas, o que foi uma experiência completamente fora desse mundo. Foi um dos raros momentos em que você assiste alguém ao vivo e percebe que tá vendo uma estrela mesmo. Desde então, tem sido a trilha sonora de todos os rolés da banda.

Alice Carvalho (atriz e escritora) – Maiô, Talma & Gadelha (2015)

Esse disco fez parte da época em que eu conheci a cena cultural da cidade, em 2014 eu tinha 17 anos só. Acho que nesse disco Simona trouxe pras letras uma visceralidade pro rock da banda, uma coisa melancólica linda. Destaque pra faixa “Voltar ao Começo”, era parte da trilha do meu espetáculo, arrepio sempre que ouço.

Tiquinha Rodrigues (Orquestra Sinfônica do RN e Rosa de Pedra) – O Marginal, Cássia Eller (1992)

Um trabalho forte, interpretações mais rocknroll, iradas. Tem composição dela, de Itamar Assumpção. Além de Cássia ter sido uma mulher foda. Esse de Cássia mexe no útero. Cada interpretação dela é um presente, doação, oração, entrega. Mulher de força.

Cinthia Lopes (Jornalista)Babilônia, Rita Lee (1978)

Sempre se ouviu muita música em minha casa, rotina que era potencializada pelas rodas de violões e cadernos de partituras de minhas irmãs mais velhas. Ouvia-se uma mistura de MPB de Chico, Gil, Gal, Alceu, Zé, Rita, e Caetano, muita disco music e rock internacional, como se dizia antigamente. Mas sou da geração que ouviu muita new wave, pós-punk, rock Brasil. Não tenho só um disco mais importante, mas três ou quatro que marcaram a época em que comecei a ouvir música com mais atenção. Nem todos tem a mesma relevância de antes, mas foram importantes para começar a ler sobre música: Babilônia (de Rita Lee) e os primeiros que eu mesma comprei na finada Aki Discos: The Police (Ghost in the Machine), The Wall (Pink Floyd) e Let’s Dance (David Bowie).