Não Vai Dar Ninguém Festival

por em quinta-feira, 13 agosto 2009 em

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Tá chegando a hora dos grandes festivais locais, MADA e DOSOL, soltarem a lista de bandas que trarão o deleite, ou o desgosto, do público. Que indagado sobre quais bandas gostaria de ver, sempre recorre as mesmas coisas, d’O Rappa a Matanza, várias figurinhas repetidas. Prestando um serviço de utilidade pública selecionamos 23 bandas que poderiam pintar na área. Nenhuma delas tocou em Natal, portanto, carne nova na praça. Não bastasse indicar as bandas, utilizamos do nosso senso de humor peculiar para avaliarmos os prós e contras. Sim, eles sempre existem. Senta que lá vem a história.

bnegao e seletores

Quem: B Negão e Os Seletores de Frequência

Por quê? B Negão foi da formação do Planet Hemp. Quando a banda acabou continuou seguindo o mesmo caminho. Se ele está em busca da batida perfeita? Difícil dizer, mas ele não deve se preocupar muito com isso. O intuito é misturar Hip-Hop, Ragga, Dub, Jazz, Samba, Soul, Funk Carioca e Rock transformando tudo numa grande confraternização sem acessórios brilhantes e roupas de grife. Para não deixar ninguém parado, ele conta com a ajuda d’Os Seletores de Frequência. Juntos tocaram em vários lugares do Brasil e Europa. Quase estiveram aqui, quase…

Público: Uma mistura do que há de melhor e pior em cada seguimento. Patricinhas, mauricinhos, rappers, funkeiros e rockers. Um caldeirão em ebulição.

Efeitos colaterais: Ótima oportunidade para quem gosta de aparecer e se esbaldar onde não é sua casa, abusar das correntes douradas, calças largas e gírias de malandro carioca. A mariscada e o caldeirão em ebulição podem explodir. Dessa forma é bom ficar perto da saída de emergência.

cerebro eletronico

Quem: Cérebro Eletrônico

Por quê?: A banda tem os dois pés fincados na Tropicália, sinônimo de experimentação e diversão. Aliado a isso, um som pop e letras teatrais com senso de humor. Performáticas não seria um termo estranho. Os músicos participam de vários projetos paralelos, como é muito comum nos dias de hoje. Uma das bandas irmãs é a Jumbo Elektro.

Público: Moderninhos que acham tudo lindo e que o mundo não tem problemas. Ou pior, que o mundo tem problemas e a solução é ver tudo com senso de humor e positividade. Usam camisetas “inteligentes”, que passam mensagens. As vezes feitas por eles mesmos.  Calças “pata de camelo” coloridas também estão na indumentária moderna.

Efeitos colaterais: A alegria, as roupas descoladas do público, as músicas pops e dançantes podem contagiar todos. Os pessimistas e suicidas em potencial podem achar que o mundo tem jeito. Quando você menos esperar estará dançando e rindo sem saber de quê.

terminal

Quem: Terminal Guadalupe

Por quê? Só em saber que eles tentam misturar Plebe Rude com Ramones, Legião Urbana com Gang of Four, Leoni com Nirvana, Odair José com Led Zepellin, Jimmy Fontana com Muse, dá água na boca. Ohhhhh [erótico]. Não bastasse isso, e o nome não nega, eles se vestem igual a cobradores de ônibus. Com tantos coletivos por aí é capaz deles nem voltarem para Curitiba. No fim, seja nas baladas ou nas músicas mais agitadas com riffs legais, a banda tenta se aproximar do que é pop.

Público: Notícias chegam dando conta que o MADA deve voltar para a Ribeira. O DoSol já ocorre lá. Pertinho da Rua Chile tem a chamada Rodoviária Velha [que foi revitalizada e está supimpa]. Captou? Não? Pela rodoviária passam quase todas as linhas de ônibus em Natal. Como diz o ditado: juntou a fome com a vontade de comer. Todos os motoristas e cobradores estão convocados para curtir o show. Depois levam o público pra casa.

Efeitos colaterais: A mistura sonora acima, mais a bebida, o lanche na barriga e o cheirinho após horas e horas dentro dos veículos coletivos podem provocar náuseas, enjôos e vômitos. Não tem banheiro pra todo mundo. Já viu né?

wado

Quem: Wado

Por quê? Wado é catarinense, mas mora em Maceió. Talvez seja por isso que ele tem tanto apego a sons regionais. Sem deixar de fora umas pitadas de barulhinhos eletrônicos. Pode ser samba, pode ser rock, pode até ser algo parecido com o tal Mangue Beat, sem ser.  A proximidade com a Bahia também deve ser culpada por levadas de samba-reggae e/ou Afoxé. Vendo assim parece uma mistura indigesta, mas as influências são dosadas de forma certa. Apesar da pouca idade, 25 anos, o músico já lançou quatro discos e já tocou na Europa e grandes festivais como o Tim Festival.

Público: Levando-se em consideração o instrumental e as letras, deve chover chinelão de couro, saia longa de algodão cru, cigarrinho de artista e papo-cabeça sobre a superioridade da música do terceiro mundo. Em certo momento tudo vai parecer perdido, tal qual um congresso de ciências sociais, mas um riff de guitarra deve acordar todos do transe.

Efeitos colaterais: Alergia a fumaça? Apego a roupas de grife e uísque caro? Passe longe, o público pode querer dar uma lição em você que é tão ligado a New York. A onda é se ligar no barulho do mar, no sampler do coachado do sapo e do esfregar de pernas dos grilos.

continental combo

Quem: Continental Combo

Por quê? É verdade que a Continental Combo não está muito preocupada com o circuito de festivais e muito menos com discos. Parece que a banda sabe bem onde deve estar: no underground. O quê? Isso ainda existe? É possível, basta ver que o último disco da banda teve tiragem de apenas 500 cópias. Sandro Garcia, o homem de frente da banda, já tocou no Faces e Fases, The Charts e Momento 68. Em comum todas tem o apego pelo que de melhor surgiu na década sixtie. Seja no mod ou na psicodelia. Dizem que Sandro é o último mod brasileiro. mod ou não, bom mesmo são os acordes reverberantes de sua guitarra de 12 cordas.

Público: Remanescentes dos áureos tempos do LSD com penteados “quenga de coco”, calças apertadas, jaquetas e cachecol no pescoço. Tal qual em Londres, ou no festival de inverno de Serra de São Bento.

Efeitos colaterais: Depois de misturar Benflogin com Teacher’s uma viagem lisérgica provocada pelos acordes dissonantes da guitarra de Sandro levará todos a uma nova manhã. Só passagem de ida.

sick sick sinners

Quem: Sick Sick Sinners

Por quê? Topetes,  rabecão, psychobilly. Tem uns punks em Natal que quando não estão no shopping usam uns topetes também e se acham. Mas o Sick Sick Sinners torna isso um estilo de vida. Turnê na Europa, EUA, México. Temas macabros, bebidas, mulheres, diversão. Precisa mais?

Público: Os órfãos de boas bandas punks e até os que gostam de psychobilly e não podem ver uma banda do estilo em Natal. Tatuagens, jaquetas de couro e jeans, calças rasgadas, tachinhas, munhequeiras, piercings. Rodas de pogo do início ao fim.

Efeitos colaterais: Entrar numa roda sem a necessária experiência pode custar caro. Escoriações, nariz sangrando. Se tiver sorte, um braço deslocado ou quebrado. Histórias pro resto da vida. Se der certo até o nariz ficará torto pro resto da vida.

canastra

Quem: Canastra

Por quê? Clima de big band com metais e baixolão. Roupas coloridas e som frenético, um grande baile dançante. Para os que estão tristes pode ser a solução, para os que estão alegres é despirocar de vez e sair correndo nu de felicidade.

Público: Todos os simpatizantes do estilo de ser carioca: praia, cerveja e carnaval. No caso, com guitarra. Bermuda de tactel, camisa florida e chinela havaiana.

Efeitos colaterais: A folga e o sotaque. Não tem quem aguente o chiado “panela de pressão” e o esparro.

the dead rocks

Quem: The Dead Rocks

Por quê? Não é carioca e muito menos vem do litoral, são do interior de São Paulo. Mas é a melhor banda de surf music do Brasil. Shows na Europa e versões instrumentais inusitadas, como a para “As Rosas Não Falam”, de Cartola. Sem falar que os integrantes tem ternos e nomes estilosos: Johnny Crash, Paul Punk, Marky Wildstone.

Público: Os que gostam de rock clássico vão dançar um twist e curtir. Os demais, ficarão sem saber o que fazer, já que não tem banda de surf music em Natal e os surfistas locais escutam reggae, rap e hip hop. Todos olhando abismados os riffs e solos de guitarra e se perguntando: “É instrumental? Que bosta”.

Efeitos colaterais: Para os que estavam dançando o twist e estavam despreparados fisicamente, podem ocorrer dores lombares, mialgia e até torção no tornozelo. Mas a felicidade por ver uma excelente banda poderá servir como analgésico natural. Temporariamente.

siba e fuloresta do samba

Quem: Siba e Fuloresta do Samba

Por quê? O som que sai do Nordeste é um dos mais ricos do Brasil. Isso já bastaria, mas as influências ultrapassam fronteiras e correm o mundo. Se os artistas não são conhecidos aqui, são na Europa. Prova de que não damos o devido valor a nossa cultura. Letras inteligentes, músicas popular dançante, senhores que aprenderam a ser músicos pela tradição familiar. A cultura popular elevada a nível pop.

Público: Poetas malditos, atores, músicos que tocam com lixo reciclado. Estudiosos da cultura popular que não perdem um sarau ou uma feijoada no Beco da Lama. Frequentadores de brechó e degustadores de buchada com cachaça e cigarrinho de artista.

Efeitos colaterais: Comer buchada e dançar ciranda não é uma boa idéia. Ser poeta maldito e não tomar banho também. Leve uma máscara para odores indesejáveis e caia na roda.

Mechanics

Quem: Mechanics

Por quê? Prima punk do MQN, o Mechanics é uma das bandas mais antigas da cena de Goiânia. Como não contam com um vocalista acima do peso, não atingiram a mesma popularidade da “rival” – o que não quer dizer que o barulho seja menor. Já soltaram um álbum, um EP e um 7” em vinil colorido, todos disputados a tapa em sebos e lojas do eixão. Em 2007, lançaram o disco/livro Music for Antropomorphics em parceria com o cartunista Fabio Zimbres, unindo ficção científica bizarra e proto-punk stoogeano. Prateleira obrigatória.

Público: Boa parte da juventude roqueira natalense daria o fundo das calças pernilongo para ir morar em Goiânia, então o burburinho é garantido.

Efeitos colaterais: Uma ressaca braba. Afinal, uma banda que tenha uma música chamada “Formigas Comem Porra” merece mais uma gelada.

Burro Morto

Quem: Burro Morto

Por quê? Bandas instrumentais estão na crista da onda e quanto mais exótico for o som, melhor. Os paraibanos do Burro Morto aproveitam a proximidade da Ponta do Seixas com a África e se esbaldam no afro-beat de Fela Kuti, jazz etíope e o que mais o terceiro mundo tiver a oferecer, em termos musicais e/ou psicotrópicos.

Público: Dê uma olhada nos elementos que tocam na banda. Se você já tiver visto algum deles vendendo coxinha ou disputando uma acirrada partida de peteca nos corredores do Setor de Humanas da universidade federal mais próxima não terá sido mera coincidência.

Efeitos colaterais: Uma larica facilmente resolvida na barraca de acarajé mais próxima ou uma bad trip inesquecível. Depende da procedência.

O Lendário Chucrobillyman

Quem: O Lendário Chucrobillyman

Por quê? Bandas com muitos integrantes e instrumentos exóticos dão trabalho e custam caro. Pois bem, ChucroBillyman e seu blues-punk-caipira de um homem só tem a solução. De instrumento exótico, só mesmo a galinha que cacareja em boa parte das faixas do sensacional The Chicken Album, bolachinha que Chucrobilly soltou ano passado. Acenda um cigarrinho de palha (de milho) e curta o boogie de  “Chicken Flow”, “Coconut Road” e “Estrada da Vida”.

Público: Monobandas não são tão comuns por esses lados, mas deve interessar aos ávidos por novidades. O que em Natal deve corresponder a  umas oito pessoas.

Efeitos colaterais: A sucursal Nordeste do movimento vegan e a Sociedade Protetora dos Animais podem se unir e tentar impedir a galinha de se apresentar. Nada que uma ajudinha para a empada de soja não resolva.

Holger

Quem: Holger

Por quê? É hype, oras. Ok, no Brasil isso não quer dizer muita coisa, mas ainda assim garante um lugar na memória de críticos mal humorados e alcoolizados. Noves fora, o Holger faz música com os pés na parte boa dos anos 90, mas com identidade própria, senso de humor bêbado… e um cavaquinho debaixo do sovaco. Parta a milhão atrás de The Green Valley EP , sem medo de ser feliz. Mas vá logo antes que a moda passe e você fique desatualizado.

Público: Assinantes da newsletter da Trama Virtual, indies descolados que usam óculos escuros no shopping.

Efeito colateral: O maior encontro de franjinhas descolês, all stars detonados e camisetas feitas em casa já registrado desde o último show do Moptop em Natal.

Pata de Elefante

Quem: Pata de Elefante

Por quê? Só pelo fato de ser instrumental e não ter nada de surf music ou pós-rock desconstrutivista já valeria o ingresso. Acrescente doses maciças de hard rock à Cream, Hendrix e Blue Cheer com um tantinho assim de country, soul e psicodelia e você tem uma prova irrefutável de que sim, ainda há vida inteligente pros lados do Sul. E sem o precisar usar terninhos.

Público: Integrantes de outras bandas. Apesar (ou por isso mesmo) do nível ser alto, a Pata acaba caindo na categoria “banda para músico”, seja ele frustrado ou não.

Efeitos colaterais: Um número constrangedoramente alto de air-instrumentos tocados ao mesmo tempo.

Do Amor
Quem: Do Amor

Por quê? Diga outra banda que consiga juntar punk, psicodelia, axé, metal, carimbó, música brega e Pepeu Gomes e dar certo e  nós encerramos o caso. Além do mais, 2/4 da banda fazem parte da banda de apoio de Caetano Veloso nos discos e nas turnês e Zii e Zie e o guitarrista foi músico de apoio do Los Hermanos. Para a gente isso não quer dizer nada, mas num release para a imprensa local ia ficar lindo.

Público: Frequentadores do cineclube local, blogueiros, seguidores de Marcelo Tas no twitter, leitores dos romances de Chico Buarque, frequentadores do chorinho na Ribeira, pretensos curta-metragistas. Ou, simplificando tudo numa categoria só: um porrilhão de estudantes de comunicação social.

Efeitos colaterais: O perigo é esse pessoal levar a sério a letra de balanços supimpas como “Pepeu Baixou em Mim” e “Isso é Carimbó” e partir para um estudo comparado do processo antropofágico da Bahia sob a ótica de Gilberto Freyre, num doc-drama inspirado nos filmes do Almodóvar e nos textos da Piauí. Tenha medo…

Júpiter Maçã

Quem: Júpiter Maçã

Por quê? Mais de dez anos depois do clássico A Sétima Efervescência, Flavio Basso ainda dá o que falar com seus pitís, neuras, figurinos extravagantes e surtos de vergonha alheia. E agora que ele deixou de lado a fase “Apple” e voltou a ser “Maçã” a música ficou boa de novo. É só conferir Uma Tarde na Fruteira, disco mais recente de Júpiter, lançado em 2007 no Brasil e na Europa (não necessariamente nessa ordem).

Público: Provavelmente agradaria mais a velha guarda da rafuagem roqueira do que os caretas que atualmente dominam a Ribeira e arredores. Mas ainda assim, ia juntar gente pra ouvir e cantar “Lugar do Caralho”.

Efeitos colaterais: Existem duas possibilidades num show do Júpiter Maçã: ou o sujeito vai saber administrar os aditivos químicos e fazer um show memorável… Ou não. Vai depender da eficiência da fiscalização da Polícia Federal no dia.

supercordas

Quem: Supercordas

Por quê? Antes de falar o quanto a Supercordas é (e dizemos isso levando em consideração 83% do total da validade da palavra chave a seguir) uma das duas bandas nacionais a terem inventado todo um espaço original e grande o suficiente para criarem dentro dele por um bom tempo sem que ninguém sinta a necessidade de uma guinada a médio prazo – e, mesmo que essa mudança chegue, o que eles criaram já tem seu lugar garantido dentro do espaço que só se reserva para as que serão cantaroladas umas décadas depois –, é preciso que vocês escutem a nova música da banda: ela se chama “Mágica” e tem seis minutos que preenchem o espaço de uma hora sem prejuízos à paciência. O mais, é deles um dos únicos dois discos (Seres Verdes ao Redor) lançados entre os últimos nove especiais do Roberto Carlos que ultrapassam a linha do superlativo.

Público: O show do Supercordas dá pra enganar as bichinhas bem demais que sempre aparecem pra ver o Nando Reis (ele vem esse ano né?). As barbas e cabelos em forma de escultura pós-moderna enganam pelo olho, daí, a música dos rapazes talvez faça com que as bichinhas percam o gosto pelas letras de biscoito da sorte cantadas pelo ghost-writer maior da música tupiniquim.

Efeitos Colaterais: Alguém achar que os caras pegaram o livro “Mil e Uma Receitas de Chá” da mamãe e só tiveram o trabalho de musicar o que tava escrito ali.

cidadao, instigado?

Quem: Cidadão Instigado

Por quê? Porque essa é a outra das duas bandas citadas aí em cima. Ambas já existem a mais de cinco anos, não tem crítico de música sério nesse país que não tenha se comportado como redator da NME depois que as ouviu, e nenhuma delas jamais cruzou as fronteiras desse estado, mesmo uma sendo do Ceará e a outra já tendo tocado em Recife. O Método Tufo de Experiências, segundo disco da banda do Catatau, contem a música “Os urubus só pensam em te comer”, uma das melhores músicas feitas por quem trabalha no ramo. A Cidadão também tem o show mais barulhento, movimentado e de imediata empatia com o público que o lábaro estrelado abriga no momento. É melhor aproveitar antes que David Byrne veja, se assanhe e leve embora.

Público: Quando a banda estiver tocando, os presentes vão parar e reparar em ao menos um dos seguintes itens: a voz de pato Donald no meio de um tratamento fonoaudiólogo do vocalista, o bizarro samba de “O pinto de peitos”, ao brega bonito e sincerão de “Te encontra logo…”, no público que vai estar arrepiando à execução de “Os urubus…”

Efeitos Colaterais: Reconhecimento nacional, enfim, porque só o RN parece ainda ignorar o Cidadão.

catarina dee jah

Quem: Catarina Dee Jah

Por quê? Esse é o tipo de banda que os festivais daqui deviam trazer para chamar público e manter a moral com o bom nível de qualidade. A música da Catarina está espremida entre o brega das programações de teclado (que nós, como bons brasileiros, passamos a vida negando sua insistência) e o indie minimamente tolerável para rodar num winamp descolado. “Sarará” tem aquele pianinho safado que faz a alegria de empregadas e peruas, e uma guitarra de fundo e intervenção eletrônica que agradou até a curadoria do Coquetel Molotov. A Catarina ainda é engraçada de uma maneira não-baiana quando está em cima do palco, e “Sarará” tem até um oportuno rugido de tigre. Ou seja, as chances de ver buracos no espaço da platéia são praticamente nulas, ainda mais com versos imorais como esse: “Olha lá onde eu moro/Tá um frio de lascar/Vem fazer essa pesquisa/Minha ONG vai pagar”. Ela, assim como as duas bandas anteriores, já entra no segundo semestre com músicas novas, o que é bom para o festival, que vai trazer mercadoria fresquinha.

Público: Fãs reprimidos de Calypso, Falcão e Mombojó.

Efeitos Colaterais: Essa repressão se manifestando fisicamente e machucando os passantes.

frank jorge

Quem: Frank Jorge e/ou Sapatos Bicolores

Por quê? Todo ano, todos os festivais de Natal, desde suas priscas eras, sempre trouxeram bandas de rock que fazem um som mais genérico do que Tecnotronic nos anos 80, mas que sempre, SEMPRE, empolgam. Só para exemplificar: Rockassetes, Volver, Feichecleres, Cachorro Grande, Relespública. O Frank Jorge e a Sapatos Bicolores são que nem essas aí, rock genérico que agrada do Red Label ao Ice. Essa também é uma característica comum a essas bandas, cantar as piadinhas que faziam nos bancos da universidade pra pegar mulher, tudo nos rastros da Graforréia. Mas essas duas enganam melhor. E, já que não devem durar nem mais um ano, que nem algumas das previamente citadas, é bom que sejam eles mesmos a preencher a cota de 2009.

Público: No line-up, os horários de apresentações dessas bandas nunca são satisfatórios. Quem assiste, ou é muito fã (umas 10 pessoas para os casos em questão) ou são os donos dos empregos diretos e indiretos gerados pelos festivais.

Efeitos Colaterais: Com alguma sorte, uns cachorros-quentes de graça para os integrantes das bandas.

the black keys

Quem: Black Keys

Por quê? Esse “por que” aí, aplicado a essa banda, soa como a pergunta mais estúpida já feita por esse site. Mas, analisemos os porquês de maneira segmentada. 1) Economia: a banda é composta por duas pessoas, uma na guitarra e outra na bateria; o último e segundo melhor disco deles, Attack & Release, tem uns banjos e flautas transversais, mas vocês, produtores, podem pedir que eles venham só com a formação oficial e toquem, na íntegra, seu melhor disco, Rubber Factory. 2) Nome de peso para o festival: o Black Keys já foi chamado para tocar em quase todos os grandes festivais de verão da Europa e dos Estados Unidos; tem cinco discos que nunca foram resenhados com menos de três estrelas, é conhecida aqui no Brasil (o último vídeo, “Strange Times”, passou um bocado na MTV e o Attack & Release entrou em todas as listas de melhores discos de 2008 aqui no Brasil). 3) O rock feito pela banda é aquele livre de firulas, mas competente o bastante para ser o único do segmento atualmente. Se o maior medo dos produtores de festival é a falta de público ou insensibilidade do mesmo, o Black Keys resolve esse problema, por um precinho camarada. E ainda pode fazer com que as pratas da casa finalmente entrem nas listinhas de “cinco festivais mais importantes do país”.

Público: Meio que todo mundo que tiver pagado o ingresso e ainda esteja no local quando a banda começar. É possível prever caravanas vindas de lugares altos também.

Efeitos Colaterais: Se tudo correr como o previsto, a gente ganhar crédito pela consultoria prestada gratuitamente aqui.

eagles of the death metal

Quem: Eagles of Death Metal

Por quê? É a banda mais divertida do mundo, praticamente isso. O Eagles já veio uma vez ao Brasil pra tocar num clube em que cabia 300 pessoas, no máximo. Certeza que devem cobrar baratinho, mesmo com uma formação de guitarra, baixo, bateria e cowbell executados por quatro pessoas. Já tem três discos nas costas, e em nenhum deles há um momento sequer de desaceleração, tudo muito rápido, mas nem sempre barulhento. Escutem, por favor, “Solid Gold” e vejam que não há mentiras no que é dito aqui. Se é barulho que se espera, procurem por “Chase the Devil”, a mais rápida e excitante das crias da banda. Entre um falseto e outro, a banda destrói uma guitarra, faz piadas e aponta pros desavisados na platéia. Plus: Josh Homme é o baterista do Eagles. Produtores deviam fechar um pacote com o QOTSA e humilhar todos os festivais do sudeste dos últimos e próximos três anos.

Público: Basicamente, todo mundo que vê graça no rock.

Efeitos Colaterais: Se soltar os integrantes do Eagles em Ponta Negra, vão divulgar Natal pra todo mundo que, como eles, gostam de drogas fáceis e sexo promíscuo. Mais voos charters então.