Festival DoSol 2018: Merdada

por em segunda-feira, 19 novembro 2018 em

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Vila Velha encontra Fortaleza. Cerveja, caldo de camarão e barulho. Merdada é a junção do Merda com a Facada. Ambas exploram o barulho em prol do sarcasmo e da ironia que alimentam nosso dia a dia cada vez mais desgraçado. Seguimos batendo papo com bandas que tocam na edição 2018 do Festival DoSol e Dessa vez é com o Merdada e quem nos respondeu foi o Japonês.

Já não bastava o Merda e o Facada. Pra quê o Merdada?

Nada é tão ruim que não possa piorar né… O Merdada surgiu do nada, na verdade, era para ser apenas um show do Merda no Garage Sounds (Fortaleza) com o Dangelo do Facada na bateria. Mas aí Carlos James disse que queria cantar umas músicas, depois o Danyel ficou sabendo e disse que queria tocar também. Acabou virando Merdada. Era para ser só esse show, mas foi tão massa que resolvemos gravar um disco.

Como foi o processo de gravação do disco já que os componentes do projeto moram em cidades diferentes?

Foi um disco feito basicamente pelo Whatsapp. Criamos um grupo e a gente ia mandando as bases, riffs, ideias de letra. Whatsapp pode ser mais que um mero replicador de mentiras.

Em termos de sonoridade, o disco tem músicas mais na pegada do Facada e outras na do Merda… Como foi essa escolha das músicas e sonoridade?

Foi um processo bem natural, nada foi muito pensado para ser do jeito que foi. As músicas foram surgindo, Mozine e eu só pedíamos/implorávamos pros caras não fazerem músicas muito complexas porque a gente é ruim né… e os caras do Facada são foda… tocam pra carajo.

Por sinal, tinha aquela coisa do Merda acabar…

O Merda na verdade acabou, ou está acabado por enquanto. Nosso baterista, o Alex, está morando em Portugal e resolvemos não colocar ninguém no lugar. Até fizemos uma pequena tour esse ano por Portugal com ele, talvez ano que vem voltemos para mais alguns shows. Mas vai ser só isso mesmo.

O disco inteiro gira, como não poderia deixar de ser, em cima de mensagens criticas ao atual momento político e social do país. Tendo em vista tudo o que anda acontecendo como vocês encaram os próximos anos, principalmente no cenário underground/alternativo, que já sofre naturalmente com o preconceito da sociedade e falta de incentivo?

É foda né bicho… Dá medo, uma tristeza, um desânimo de tudo isso que está rolando. Mas é isso, as coisas nunca foram fáceis, o lance é continuar em frente, se juntar aos nossos. Não tem outro caminho, estamos na merda, lançando mais um disco de rock podre e seeeegue o jogo.

Por sinal, uma característica nas letras do Merda são letras críticas com sarcasmo e até humor. Como é esse processo de composição?

As letras do Merda vem sempre do nosso dia a dia, são sempre alguma piada interna que acaba virando música. Somos uns velhos meio bobo mesmo. O que acho legal é que o Facada, apesar de ser mais “sério”, tem muito também de sarcasmo nas letras e isso acabou se somando no Merdada.

Mozine é quase vip no Festival DoSol e sempre se porta com humor no palco. O que podemos esperar da apresentação aqui da banda?

É, sempre tem o stand up do Fábio… isso deve continuar, o palhação não consegue se controlar. O show do DoSol vai ser o primeiro show realmente do Merdada. Já fizemos dois shows em Fortaleza, o primeiro basicamente com músicas do Merda e alguns covers e o segundo tocamos só duas músicas do disco. Então esse vai ser o primeiro show com o set do Merdada, também vai rolar umas músicas do Merda . Estamos bem ansiosos de tocar essas músicas ao vivo.

Pretendem pegar uma praia e botar o bronze em dia?

A gente é tudo praiêro né… todo mundo mora no litoral. Ainda não sei direito o horário que a galera chega, mas se der tempo com certeza vai rolar aquela praiazinha com cerveja.