Listão: melhores discos nacionais de 2017 (até agora)

por em quinta-feira, 8 junho 2017 em

discos
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Meiou o ano e resolvemos adiantar os discos que estão fazendo a cabeça da redação d’O Inimigo (sem unanimidades). Como sempre, facilitamos seu trabalho já deixamos o disco no ponto, é só apertar o play. Ou seja, só lazer.

 

rincon

Rincon SapiênciaGalanga Livre
Rincon Sapiência chegou a seu disco de estreia e é uma pedrada. Narrativa da luta negra do passado aos dias atuais misturada com várias influências. Do rock, de forma discreta, até as sonoridades africanas, jamaicanas e eletrônicas que pesam no disco. Destaque para “Meu Bloco” que alia a pegada do funk e rap com batida da bateria de escola de samba. Ele chamou de afrorap.

selvagi

D. SelvagiEu vi vários eus/ Eu vi vários eus
A estreia do projeto solo de Danilo Sevali (Hierofante Púrpura) não é apenas mais um disco de monobanda. Longe dos clichês, a bolachinha de pouco mais de 20 minutos é uma viagem tortaça e imprevisível pelo universo onírico do músico, de guitarra barítono em punho e bumbo nervoso nos pés.

my magical

My Magical Glowing LensCosmos
Lançado já no fim de maio, o disco de estréia da My Magical Glowing Lens é uma expedição psicodélica a uma sonoridade pop cósmica, entre músicas radiofônicas e delirantes.

do amor

Do AmorFodido Demais
Do primeiro disco, homônimo, para Piracema existe uma grande diferença musical. E ela permanece em Fodido Demais. O disco não tem unidade e nem é unanimidade, mas está tocando e agrada. Existe música pop, rock, balada e até pegada psicodélica. E também há o flerte com ritmos nordestinos como em “Frevo da Razão” – esquisito com participação de Arnaldo Antunes – e também tem a já conhecida gracinha da banda em meio as letras.

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Praia Futuro – Praia Futuro
Psicodelia nordestina repaginada para a era dos extremos. O encontro de Fernando Catatau, Yuri Kalil (ambos do Cidadão Instigado) com Dengue (Nação Zumbi) e o músico e produtor Ilhan Ersahin é um híbrido de psicodelia, rock, jazz e música para cinema que soa familiar na primeira ouvida e mais estranho a cada nova visita.

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Curumin – Boca
O disco já chama atenção pela capa de Ava Rocha e no que tange a música não espere um disco de canções. Prevalece o eletrônico, mesmo que em meio a baixo, guitarra e bateria, criando climas para referências africanas, brasileiras e jamaicanas. As várias participações que vão desde Anelis Assumpção até Russo Passapusso funcionam e agradam, mas fazem do disco um recorte que funciona mais individualmente com letras que falam tanto de política quanto de amor.

coelho

Arthur R.Coelho Branco
A recolha mais recente da produção musical de Arthur R. chega mais melancólica e reflexiva. Encharcado de influências nada óbvias e com acenos para o cinema e a literatura, Coelho Branco é disco para ouvir tomando um café forte, com total disposição para se perder toca adentro.

cortes

Kiko Dinucci – Cortes Curtos
O esperado disco do guitarrista paulistano, em gestação desde 2015, é uma reunião de pequenas crônicas do cotidiano narradas entre guitarras e desvios noise, encaixados em uma grande faixa de 40 minutos.

futuro

Futuro – A Torre da Derrota
Não há meio termo com o quarteto Futuro. Guitarra solta, porém pesada, baixo e baterias marcadas que oscilam peso e suingue do hardcore. Já Mila manda as ideias sem meias palavras sempre falando de relações, política, mentiras. Tudo que faz os dias caminharem provocando a ira que se transforma em canção de guerrilha. A Torre da Derrota é ira em estado puro.

soledad

Soledad – Soledad
De Fortaleza, Soledad estreia em disco esbanjando coragem e segurança. Os arranjos assinados por nomes como Gui Amabis e Vitor Colares (Fóssil) preparam o palco perfeito, iluminado e com a voz da cantora no centro: melancólica, passional e, ao mesmo tempo, reconfortante.

pequeno ceu

Pequeno Céu Praia Vermelha
Quando parece que a onda instrumental perde fôlego sempre aparece algo novo interessante. Nem tão novo assim já que em 2009 a banda já tinha um álbum lançado. Difícil é dizer que instrumental os mineiros abraçam já que as músicas tem levada de rock, pós-rock, samba, psicodelia e tudo que couber. Algumas emendando para criar o clima da passagem, como que uma cena de filme que muda. Apenas viaje.

luiza

Luiza Lian Oya Tempo
Lançado como um álbum visual no Youtube, o segundo disco de Luiza Lian é algo como a atualização da tecnomacumba (criada nos anos 90) com um ar vaporwave muito moderno.

ostra

Ostra Brains Sirihorse
Quatro faixas, cinco minutos de barulho. O novo EP do trio carioca Ostra Brains não tem atalho: é porrada direto no centro, com os vocais de Amanda Hawk em ótima e furiosa forma. Fica a torcida para que a próxima desova de material do grupo venha logo e com mais fôlego.

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Giovani Cidreira Japanese Food
Em Japanese Food, Giovanni Cidreira mostra que é possível fazer música brasileira sem recorrer a siglas ou cacoetes. Poético, esperto e com as antenas ligadas no agora, é um disco tanto para ser ouvido quanto “lido”, prestando atenção nas ótimas letras do baiano.

juliana r

Juliana RTarefas Intermináveis
Em seu segundo disco a paulista Juiana R mostra de forma fria o dia a dia que destrói as esperanças de muita gente. O som eletrônico por vezes agoniante é a trilha perfeita para os dias atuais que temos que seguir nosso rumo mesmo sabendo que o fim do rumo não é conhecido. É uma trilha para a melancolia do dia a dia.

cora

CoraNão Vai Ter Cora
A banda de Curitiba lança seu primeiro EP demonstrando solidez e potencial pra produzir altos hits. A semelhança com a sonoridade das Warpaint é inegável, mas as curitibanas aqui vão além da referencia.

giallos

GiallosBlaxxploitation
O trio de Santo André continua sua caminhada tortuosa pelos escombros do país. As três porradas novas são Giallos clássico: cru, visceral e empolgante. De bônus, versões de todas as faixas só com voz para inspirar quem quiser remixar e sair espalhando a mensagem.

stevez

StvzPequenas Catástrofes
Depois de dois eps de música de computador, Stvz (Chapa Mamba, bagdá mirim) pega na guitarra e desce o braço em uma pequena coleção de rocks sujinhos, quase sempre instrumentais e altamente e assoviáveis, com direito a uma versão para “There Is No God In America” do professor R. Stevie Moore. Mas o filé mesmo são as pepitas próprias, como “O Esforço de Parecer Desprentensioso”.

in venus

In VenusRuína
O quarteto paulista existe desde 2015 e ataca na linha pós-punk com uma sonoridade carregada que dão o tom as letras empoderadas e sobre realidade urbana. O som lembra as também paulistas Rakta, Cadáver em Transe e Gattopardo.

lamber

Lamber VisionTarde
Tarde é a segunda viagem da Lamber Vision. Não tem a força da novidade – exceto pela presença de uma música com vocal – do disco de estreia, mas mantém uma boa pegada viajante nas faixas instrumentais com diversas influências sonoras.