Listão 2018: Melhores Discos Internacionais

por em segunda-feira, 31 dezembro 2018 em

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Nos acréscimos do segundo tempo, eis aqui a nossa seleta dos discos internacionais que mais curtimos nesse 2018 véi esculhambado. Como sempre, o gosto da redação inimiga é aquele cangerê: tem rock, rap, pop e outros sons que se a gente tentar classificar, estraga.

Confira a lista na sequência + links pra onde ouvir abaixo do título de cada disco. Boa viagem, tchau 2018.

 

Kali Uchis – Isolation
(Spotify / Deezer)

O disco de estreia da colombiana é cheio de participações do alto escalão (Damon Albarn, Badbadnotgood, Bootsy Collins, Tyler The Creator, entre outros), mas em nenhum momento se perde de vista o devido lugar das coisas: eles são convidados, mas o disco é dela e só dela. Transitando com bom gosto e muita personalidade do reggaeton ao R&B elegante, Kali vem pra provar que inteligência e bom gosto fazem sim toda a diferença na feitura de um bom pop que não engane nem seja descartável. Isolation é daqueles discos que mesmo depois de repetidas audições conserva o frescor da descoberta. Belíssima trilha pro verão que se avizinha.

Bongripper – Terminal
(Spotify / Bandcamp)

Podemos definir isso aqui apenas como a própria banda sugere no título das duas faixas: “Slow Death”, mas vamos entrar um pouco mais nas entranhas dele para você sentir um pouco o drama. Terminal é pesado, viajado, é lento, arrastado e agonizante. Um disco para ser trilha sonora da morte com seus riffs que circulam pela mente, desabam, ressuscitam e nos trazem as mais diferentes sensações, proporcionando experiências em camadas que se sobrepõem e que vão além do simples ato de escutar música. Não dá para definir um disco como esse sem soltar ao menos um palavrão, então lá vai: FODA PRA CACETE!

 

Astroworld – Travis Scott
(Spotify / Deezer)

Até 2018, Travis Scott era mais lembrado por ser marido de Kylie Jenner, irmã de Kim Kardashian, do que por ser um artista de trap. Mas nesse ano, o rapper tirou da cartola um disco cheio de texturas, climas, participações cuidadosas de nomes que vão de Stevie Wonder a Frank Ocean, e faixas acachapantes como Sicko Mode (que tem participação de Drake), Wake Up (com The Weeknd) e Skeletons (com Kevin Parker, do Tame Impala, que chegou a tocar baixo ao vivo com Travis numa apresentação no programa Saturday Night Live). Astroworld é uma travessia na carreira de Travis e um disco que abalou os limites do trap (e, como não, do próprio rap).

 

Breeders – All Nerve
(Spotify / Deezer )

Esqueça a nostalgia: falemos de continuidade.Com as rugas resolvidas e os vícios curados, All Nerve reconecta as irmãs Deal com a formação que pariu o clássico Last Splash (Josephine Wiggs no baixo; Jim McPherson na bateria) e com o prazer de ser uma banda. Gravado ao vivo e em fita, o disco atualiza e amplifica o senso de diversão daquele disco. “Wait in the Car” e “Nervous Mary” substituem a dobradinha “Cannonball/Divine Hammer” como pontas de lança do álbum, mas ainda tem também outras pepitas, como “MetaGoth” que, sozinha, já vale mais que todos esses discos dos Pixies pós-volta;  “Walking With a Killer”, que refina o clima sombrio de Title TK; os acordes pedaçudos de “Archangel’s Thunderbird”, e muitas outras mais.

 

Lucifer – II
(Spotify / Deezer)

A receita de fazer um rock retrô mergulhado na influência de bandas dos anos 70 é manjada faz tempo, mas sempre vai render coisas boas, é inevitável. O exemplo da vez é o “II” do Lucifer, disco que traz do seu começo ao fim a banda em seu melhor, com ótimas faixas que não deixam o nível cair em nenhum momento, se você passou por 2018 sem escutar esse disco, então o seu ano foi definitivamente perdido.

 

Pennywise – Never Gonna Die
(Spotify / Deezer)

O décimo segundo álbum do grupo de punk rock trouxe canções com temática atual falando sobre preconceitos (religiosos e sociais), anti-informação, fake news e temas da política americana, mas que tendem a ser comuns ao Brasil no ano que se aproxima, em 14 faixas que carregam o ritmo rápido e melódico, característicos da banda. É uma sequencia de músicas dessas que já na primeira audição agradam a quem gosta de sons rápidos e melódicos.

 

No Age – Snares Like a Haircut
(Spotify / Deezer / Bandcamp)

Depois do fraco An Object, o duo No Age tirou férias longas para repensar a vida. O tempo longe dos holofotes fez maravilhas pra banda, que volta agora com energia & vocabulário renovados. É o melhor trabalho da banda desde Everything in Between e o que melhor explora as possibilidades do formato guitarra-bateria sem recuar um milímetro na roqueiragem – vide a quase-pop “Send Me”, canção de pé na bunda pro fim do mundo. Atentem ainda para a citação/homenagem a “Been A Soon” do Nirvana em “Soft Collar Fad”, favorita da casa.

 

YOB – Our Raw Heart
(Spotify/ Deezer/ Bandcamp)

Um dos destaques do ano tem no meio o power trio americano que toca um stoner/doom cheio de assuntos sobre mitologia, misticismo, fantasia e espiritualidade – vamos focar na abordagem sobre esse último. Mike Scheidt, guitarrista e vocalista esse ano quase passa dessa para outra após complicações bacterianas por causa de uma doença estomacal. Chegando até mesmo a perder algumas noções de fala, que posteriormente voltou a recuperar. Depois dessas dificuldades todas, ainda tiveram tempo de soltar o que seria um dos melhores discos do ano.

 

Angelique Kidjo – Remain in Light
(Spotify / Deezer)

A releitura de Kidjo para o clássico dos Talking Heads é tudo o que um bom remake deve ser: leal, mas não reverente; ciente das tradições, mas desobediente em nome da atualidade. Ao ressaltar as influências afrobeat do original (aqui, com uma mãozinha de mister Tony Allen, comandante  das baquetas da Africa ’70 de Fela Kuti)  e acrescentar letras novas em seu próprio idioma, a cantora beninense confere novo frescor a um substrato conhecido, com um disco politicamente relevante, e capaz de levantar o astral de qualquer festa.

 

Fu Manchu – Clone of the Universe
(Spotify / Deezer / Bandcamp)

O disco mais novo da Fu Manchu traz sete canções, sendo as 6 primeiras consideradas como a “primeira parte” do álbum e a última como uma segunda parte. As canções do “lado A” apresentam as características já conhecidas da banda, com o peso e energia já conhecidos e que os fazem ser considerados ícones do Stoner Rock. Já a última faixa “Il Monstro Atomico” tem a participação de Alex Lifeson, do Rush, e é a faixa mais longa já composta pela banda com 18 minutos que se dividem em 4 partes, navegando pelo peso e psicodelia, a maior parte do tempo, somente, com instrumentais, voz são só alguns segundos, que não deixam o ouvinte se sentir entediado mesmo se você é acostumado com músicas de tiro curto.

 

Some Rap Songs – Earl Sweatshirt
(Spotify / Deezer)
O enfant terrible Earl Sweatshirt surgiu aos 45 do segundo tempo, já no fim de novembro, com o sucessor de Doris (2013). Com produção mais delicada e CHILL, o rapper americano desliza com suas referências eruditas e pop por camadas de jazz e soul em faixas curtas, sintéticas. Uma das paradas mas finas de 2018. Falo com tranquilidade.

Ought – Room Inside The World
(Spotify / Bandcamp)

O terceiro disco da Ought mostra uma banda bem diferente daquela que entrou de supetão porta adentro lá em 2014, com o excelente More Than Any Other Day. Felizmente, a guinada veio para o bem, refinou a pegada punk mas deixou espaço suficiente para expandir o vocabulário do quarteto. Maior evidência disso são os vocais de Tim Darcy, menos agressivos e mais criativos, funcionando – olhaí o clichê – como um instrumento a mais. Os singles “Desire” e “Disgraced in America”  são a melhor porta de entrada pra começar a sacar o disco.

 

At the Gates – To Drink from the Night Itself
(Spotify / Deezer )

At the Gates foi uma das bandas que ajudou a consolidar e elevar o nome do death metal melódico e sim, o nome ainda pode causar algum estranhamento. Tem que respeitar a parte sueca que sempre esteve fazendo sons desse tipo pelo mundo, eles conseguem ainda tornar o gênero grande dentro do underground e o To Drink from the Night Itself. Uma vez que os temas das músicas foram inspirados no livro The Aesthetics of Resistance do escritor alemão Peter Weiss, cabe mais que nunca ouvir uma coisa que encha sua alma de ideias de revolução e resistência para esse 2019, não? Bonito, inspirador e bruto.

 

Matty – Déjavu
(Spotify / Deezer)

Matty Tavares, tecladista e membro fundador do BadBadNotGood, estreia como melodista e cantor com Déjavu, lançado em maio. O disco é uma compilação de canções pop-psicodélicas, à là Brian Wilson, Paul McCartney, Broadcast ou Harry Nilsson, como o hit “How Can He Be”, a atmosférica e lírica “Verocai” (referência ao hypado músico brasileiro), e as lisérgicas “Clear”, ‘Embarrased’ e principalmente ‘I’ll Glady Place Myself Below You”. Matty entrega um disco que poderia ter sido gravado em 1970, mas ainda infectado pelo ZEITGEIST ao conter a cuidadosa produção de Frank Dukes, o homem por trás de discos de gente como Frank Ocean, the Weeknd e Kendrick Lamar.

 

Deafheaven –  Ordinary Corrupt Human Love
(Spotify / Deezer)

A Deafheaven se destacou, desde o seu surgimento, pelo uso das dualidades nas composições, mesclando a base Balck Metal com elementos do shoegaze e Dream Pop. Em Ordinary Corrupt Human Love eles continuam azeitando essa mistura, que em discos anteriores esteve mais puxada para algum dos lados. Amor e ódio, euforia e contemplação, são elementos que se alternam e misturam ao longo das composições do disco. É o disco mais longo dos californianos, justamente porque as músicas vão se despindo aos poucos em uma narrativa que envolve.

 

Sleep – The Sciences
(Spotify / Deezer)

Sentar no chão, levantar as mãos para os céus e mandar agradecimentos para entidades cósmicas que dormem em fendas invisíveis no espaço. Tanto elas como o som do Sleep são indescritíveis. Depois de quinze anos sem lançar um som novo, a reunião para fazer shows que começou em 2009 culminou com algo bom, não? Seis novos riffs para adorar e um disco produzido pela Third Man Records (gravadora do Jack White!) Surpreendente? Estranho? Podemos dizer que inusitado, no mínimo. Discão!

 

Clean – Soccer Mommy
(Spotify / Deezer/ Bandcamp)

Desde 2015 prometendo um disco cheio, a auto-denominada Soccer Mommy (cujo nome de batismo é Sophie Allison) surge com seu não menos que pertinente full album Clean. Confessional e intimista como qualquer disco de jovem com sua guitarra entoando as coisas do coração, Clean é uma das pérolas do cancioneiro millenial desde já. “Your Dog” (o hit), “Cool” e “Skin” dão o tom do drama e capturam o ouvinte.

 

The Adolescents – Cropduster
(Spotify / Deezer)

Último álbum gravado pelo ícone do punk rock, Steve Soto (The Adolescents, Agent Orange), falecido em junho, Cropduster se mostra um belo disco de punk rock com canções rápidas e melódicas, carregadas de letras críticas e afiadas. O álbum contém 18 músicas de punk / hardcore, que esbanjam o que de melhor já é conhecido da banda californiana. É a imagem espelhada de seus sentimentos em relação à política americana e Trump temperados em um punk rock nervoso, com melodias que cativam e as letras que rapidamente são assimiladas.

Clutch – Book Of Bad Decisions
(Spotify / Deezer)

Book Of Bad Decisions comemora os 25 anos de lançamento do disco debut do Clutch e sucede os aclamados Earth Rocker de 2013 e Psychic Warfare de 2015, mantendo o alto nível de composições do grupo liderado por Neil Fallon. Desta vez, temos um pouco mais de balanço, funks, grooves e instrumentos adicionais, como os metais na ótima “In Walks Barbarella” se comparado aos trabalhos citados anteriormente, que foram petardos um pouco mais diretos. Entretanto, não pense em mudanças, está tudo lá como sempre, o vocal marcante de Fallon, que leva as canções na direção certa, a energia insana de sempre da banda e a sonoridade peculiar do Clutch que o faz ser reconhecido facilmente.

 

Behemoth – I Loved You At Your Darkest
(Spotify /Deezer)

Para quem já vivia cheio da trevosidade teatral do gênero e esperava por algo novo, o I Loved You At Your Darkest trouxe o que poderíamos categorizar como um black metal experimental. Tem coro infantil e baladinha no disco que foi um dos melhores do ano pela ousadia de inovar. Atrelar isso muito mais com a necessidade da arte do que com a vontade de fazer um som mais “brutal” e “poderoso” para entrar no catálogo do gênero foi um acerto. Parabéns, Behemoth.

 

Hailu Mergia – Lala Belu
(Spotify / DeezerBandcamp)

Redescoberto na recente onda de interesse pela música africana, Hailu Mergia volta à cena com um discaço de inéditas que não fica nada a dever aos seus clássicos dos anos 70. Jazz, funk e ritmos tradicionais de sua Etiópia natal se entrecruzam como se fossem ruas largas de um mesmo bairro histórico, onde Hailu conduz a banda em cortejo, a passos largos e despreocupados.

 

Sandrider – Armada
(Spotify / Deezer / Bandcamp)

Em Armada, o Sandrider nos lembra que não precisamos mais do que riffs esmagadores, uma bateria animal e um vocalista disposto a se esgoelar em cada faixa por quase 45 minutos para sermos felizes através de um disco cheio de fúria e força de uma ponta a outra. A vontade de tomar cerveja, balançar a cabeça e fazer alguma merda insana vem quase que naturalmente durante um play que transita entre diversos gêneros, mas sempre se mantendo rápido e pesado.

Black Tusk – t.c.b.t
(Spotify / Deezer / Bandcamp)

O Quinto disco da Black Tusk é mais uma sequência de músicas pesadas e rápidas com os três componentes atuais da banda oscilando nos vocais. As composições são carregadas de riffs certeiros e baixo alto em um Sludge que às vezes beira a velocidade do hardcore. Ao longo das 12 composições que constam no disco, ocorre a mescla entre músicas mais curtas e outras mais longas, de sons que vão do rápido e agressivo ao pesado e sujo, tudo junto e misturado.

Ancestors – Suspended in Reflections
(Spotify / Bandcamp)

Após uma espera de 6 anos, os Ancestors ressurgiram do limbo com mais uma de suas poderosas jornadas progressivas, sustentadas por ambientações intensas e épicas que trazem doses pesadas de psicodelia e post-rock. “Suspended in Reflections” é um trabalho poderoso e com a cara dos Ancestors, cheio de riffs pesados e um ritmo lento que gera uma atmosfera mutante entre o pesado e o suave na medida certa, melodias belas e canções que se ligam perfeitamente.

 

Pig Destroyer – Head Cage
(Spotify / Deezer / Bandcamp)

Lá em 1997, quando foi fundada pelo guitarrista Scott Hull, a Pig Destroyer deveria ser mais do que um derivado da banda Agoraphobic Nosebleed – ela deveria “soar como o grindcore deveria”. E bem, o Head Cage é o disco mais acessível da carreira da banda. Não é mais nos moldes antigos, porém continua absurdamente bom e podem torcer o nariz como for. Louvável adição para a banda foi John Jarvis (China Girl, Scour, Fulgora) com um baixo muito bom. Tudo nesse disco ficou gostoso de se ouvir quando seu humor pedir um som rápido e furioso.