Listão 2017: Internacional

por em terça-feira, 16 janeiro 2018 em

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Com aquele atrasinho elegante de sempre (a gente sempre volta ao batente à prestação), eis a nossa listinha dos discos gringos que mais curtimos ouvir em 2017.

Fosse punk, rap, metal, folk ou qualquer outro estilo que tenham inventado do ano passado pra cá – muitos vieram com algum sobretom político. Outros, menos combativos, concentram o pé e a munheca em refinar estilo ou fazer cabeças baterem. De qualquer modo, fica a certeza de sempre de que quando tudo parecer sem saída, sempre haverá algum som interessante rolando em algum canto do mundo.

Confira na sequência os discos internacionais que mais rodaram na nossa redação em 2017.

Priests – Nothing Feels Natural

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A estreia mais bem-vinda do ano. No papel, pode ser útil pra evitar a fadiga definir o Priests como um quarteto de punk revoltoso, contra tudo que está aí. Pois é, útil, mas injusto: aos que não têm preguiça de ouvir um disco a vera, Nothing Feels Natural reserva muitas surpresas e espertezas, nas letras e no som. Olho nessa turma. (AP).


Thurston Moore – Rock’n Roll Consciousness

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Se não fosse bom, esse disco entraria pelo menos na lista das capas e títulos mais bregas do ano. Felizmente, há guitarras belíssimas pra compensar. Sequência natural do igualmente recomendável The Best Day (2014), é um alento pros saudosos do Sonic Youth e pode agradar até para roqueiros casuais. São 5 faixas, com a menor batendo os seis minutos, e letras esotéricas de dar inveja a Zé Ramalho, cheias de profetisas, feitiços e talismãs. Primeira de luxo (AP).

Converge – The Dusk In Us

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O nono disco da Converge traz um som agressivo e urgente. São 13 faixas que fogem da estrutura já batida das bandas de Metalcore. Um som que vagueia entre o peso e melodia, agressividade e angústia. Vocais que alternam entre guturais, gritados e até limpos, mas em nenhum momento melódicos. (FA)

 

Milk Music – Mystic 100’s

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Oi, sumidos! Depois de cinco anos sem dar notícias, o Milk Music ressurge mais contemplativo e hmm… esotérico? Rock de penhasco com senso de autodestruição ligado no máximo até quando chora as pitangas & injustiças do roquênrou em “Who’s Been In My Dream?”, trilha sonora oficial do liseu em 2017. (AP)

Stano Sninský – Landscapes

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Landscapes, segundo trabalho do eslovaco Stano Sninský a aportar nesse planeta, é uma tela em branco.  É disquinho de pouco mais de vinte minutos com seis temas instrumentais que flutuam entre o assombroso e o lisérgico, sempre surpreendentes mesmo depois da trocentésima ouvida. “Transylvania” só pode ter sido escrita com o rasante de um vampiro em mente. (AP)

Here Lies Man – Here Lies Man

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Com certeza, um dos sons doidos mais legais de 2017. Hipnótico e dançante, transitando entre o afrobeat e o fuzz, fica até difícil conseguir descrever o som dos caras durante aquela roda de conversa entre os amigos. Só botando pra tocar mesmo e cada um que tire sua conclusão. (EM)

King Krule – The OOZ

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Disco de jazz, de alt-rap, de rock, de spoken word e um amálgama entre Elvis Costello e Chet Baker (descontando os vozeirões), The OOZ é uma experiência profunda de 2017. Cantando como se rogasse pragas e bruxarias, por vezes acompanhado de fina orquestração ou por violentas sessions, Archy Marshall renova a malandragem e o swing londrinos com muita classe. (PL)

Kendrick Lamar – DAMN

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Ninguém mais reza por Kendrick Lamar. Em sua mais minimalista e sintética obra-prima (após a sequência good kid maad city e To pimp a butterfly), Kendrick fala de suas desgraças com mais maturidade, conectando-se com mais resiliência a seus deuses. (PL)

Tyler The Creator – Flower Boy

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Quem conheceu Tyler The Creator no caos e violência de sua antiga crew Odd Future Wolf Gang Kill Them All, em que cantava refrões fofos como “kill people, burn shit, fuck school”, pode custar a acreditar em sua nova fase crooner e romântica em Flower Boy. Fato é que o colorido dessas canções mostra uma face R&B de Tyler, elegante e cuidadoso em cada momento do disco. (PL)

Mount Eerie – A Crow Looked at Me

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Sabendo que o disco é dedicado para a mulher que falecera em junho de 2016 e imergindo nos violões e letras sinceros e sofridos de Phil Elverum, é difícil não considerar A Crow Looked at Me o registro mais triste do século XXI. No entanto, a entrega aqui nos conecta com uma beleza rara, minimalista e gutural, como um objeto naïf. (PL)

Grizzly Bear – Painted Ruins

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Há muito o Grizzly Bear produz discos para serem automaticamente fetiche da CRÍTICA ESPECIALIZADA e angariar uns fãs hipsters. Mas em Painted Ruins parece que o apelo hermético não foi a tônica: com fina psicodelia, o disco é o que há de mais ~pop ~ na discografia do quarteto. “Four Cypresses” e “Morning Sound” são momentos de exuberância setentista do disco. (PL)

Thundercat – Drunk

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Baixista virtuoso oriundo de projetos díspares que vão de Suicidal Tendencies a Kamasi Washington, passando por Kendrick Lamar e Flying Lotus, Thundercat alcança o ponto alto de seu estranho neo-funk/jazz em Drunk. Mesmo que quase completamente composto de vinhetas e fragmentos, Drunk apresenta a vocação de Thundercat para Stevie Wonder em “Walk on By”, “Them Changes” e “Friend Zone”. (PL)

Kamasi Washington – Harmony of Difference

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Responsável pelo já classico The Epic, Kamasi Washington retorna com Harmony of Difference pra uma experiência conceitual que dá as pistas para seus próximos discos. Calcado em cinco sessões distintas, o disco apresenta uma metáfora sonora que é também um experimento: a última faixa é a união de todas as anteriores tocadas ao mesmo tempo, em rara harmonia da diferença. Só atesta a destreza do novo FERA. (PL)

SZA – CTRL

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Incensada por crítica e público com seu disco de estréia, SZA trouxe uma fileira de hits charmosos de R&B com seu Ctrl. O combo letras confessionais + beats atmosféricos, tal qual uma Lauryn Hill ou Erykah Badu (ou as duas juntas no corpo de uma nova diva pop), é ainda somado riffs finos de guitarra, como na potente Drew Barrymore, talvez a maior BALADONA de 2017. (PL)

(Sandy) Alex G – Rocket

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Após assumir o (SANDY), como uma cruz de seu passado amoroso e como que vestindo a personagem, o jovem Alex G se aventura pelo folk rock clássico e por guitarras mais delirantes em Rocket. Com petardos sofridos como “Bobby, Judge” e a elliott-smíthica “Witch”, Alex G parece encontrar um norte poético e sonoro cada vez mais profundo e complexo. (PL)

Spencer Radcliffe and Everyone Else – Enjoy the Great Outdoors

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Dos becos de Ohio, como um fã acanhado de Neil Young que passa muitas e muitas horas fumando cigarros de várias procedências, Spencer Radcliffe juntou sua galera pra trazer à luz sua obra mais interessante – Enjoy the Great Outdoors é um respiro da canção americana, estradeira e esfumaçante como só os próprios Crosby, Stills, Nash e Young faziam. (PL)

Ariel Pink – Dedicated to Bobby Jameson

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Ariel Pink é o tipo do artista que tem hora e lugar certo pra ouvir. Dependo da situação, dá pra achar foda, ter raiva, não entender, pegar abuso e voltar a achar genial de novo, às vezes no mesmo disco (experiência própria).  Este aqui talvez seja o trabalho mais pra toda hora do sujeito. Continua tortíssimo, mas na dose certa – vide a faixa-título e a zuadenta “Time To Live”. (AP)

Dead Cross — Dead Cross

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Uma banda que une Mike Patton e Dave Lombardo não poderia ser ruim. A Dead Cross, se não é inovadora, como muitos esperam das bandas do Mike Patton, traz um som rápido e maluco, flutuando entre o Thrash Metal e o Punk / Hardcore. O disco traz ainda uma ótima versão para “Bela Lugosi’s Dead”, do Bauhaus. (FA)

Slowdive – Slowdive

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Dizem por aí que os anos 90 estão de volta. Volta o shoegaze, bandas de twee pop, grunge e toda sorte de zuada que é comum daquela década. Não por acaso, uma das bandas seminais das guitarras distorcidas está de volta como se jamais houvesse sumido: o Slowdive ressurgiu das cinzas inglesas com um disco arejado e barulhento como só há de ser um disco de shoegaze bem feito. (AP)

Depeche Mode – Spirit

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Para uma banda com o tempo de estrada da Depeche Mode seria totalmente compreensivo navegar em alguma zona de conforto, mas assim como o New Order, os caras, ao longo dos anos conseguiram manter seu som característico sem parar no tempo. Em Spirit o que chama a atenção são as excelentes letras com forte carga politico/social. Instrumentalmente o disco traz canções mais lentas e climáticas, talvez com o intuito de chamar a atenção para as letras. De forma elegante e direta conseguiram fazer um belo disco. (FA)

Culture Shock – Culture Shock

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Outra banda produzida pela Youth Attack, a Culture Chock reúne componentes da Civilized e Cadaver Dog. Self Titled é composto por 10 faixas e pouco mais de 14 minutos de um som rápido e agressivo. Ideal para quem gosta de um bom hardcore sem firulas. (FA)

Civilized – Chopping Block

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Civilized é uma banda de Punk / hardcore, que segue a linha da velha escola sem parecer clichê, ao mesmo tempo traz elementos modernos e uma boa variedade rítmica. Chopping Block é o primeiro álbum do grupo e traz 13 petardos sonoros em 17 minutos de som. Mais uma do selo Youth Attack, já reconhecido por produzir ótimos trabalhos do estilo. (FA)

Grinning Death’s Head – Blood War

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Um álbum de black metal com fortes influências do hardcore e Crustcore. É isso que você vai achar neste disco. Velocidade e tons sombrios se misturam de forma harmônica. Gritos viscerais e cheios de ódio completam a atmosfera esquizofrênica e ruidosa. Um disco ideal para quem gosta de música extrema sem polidez. (FA)

Universal Hippie Mothers – Mother Nature Blues
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De nacionalidade Grega, a banda faz parte do time do Rock Clássico com influências de Stoner, hard Rock setentista e psicodelia. São 10 músicas instrumentais que passam por momentos de maior introspeção e energia, lentidão e rapidez, peso e melodia, tudo muito bem dosado. Lançaram também em 2017 o disco Dead Hippie’s Revolution, que contou com 8 ótimas faixas, das quais 7 estão neste disco completo lançado em julho. (FA)

BROCKHAMPTON – Saturation (I, II, III)

brockhampton

O Brockhampton é auto-intitulado BOYBAND. Mas quem se aproxima vê bem que os conceitos desses moleques é bem afetado pelo ESPÍRITO DO TEMPO: o movimento se assemelha ao que Tyler The Creator, Earl Sweatshirt, Frank Ocean e Mellowhype faziam no antigo OFWGKTA (influências confessas do grupo), mas vai além: a trilogia dos rapazes do Brockhampton é bem mais pop e coesa que as produções daquela crew (e também da de um Wu-Tang Clan, por exemplo). Caia na estrada e perigas ver. (PL)

Pallbearer – Heartless

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Palmas para esse disco. O Pallbearer conseguiu acertar depois de dois discos relativamente chatinhos de ouvir. Música boa para se apreciar nessa mistura de doom e som progressivo. Ultrapassando os próprios limites, é um dos discos que surpreendeu de verdade esse ano. Música que fã nenhum de Type O Negative colocaria defeito. (JP)

Elder – Reflections of a Floating World

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Nas rodinhas de conversa sobre os discos do Elder, as opiniões sobre qual o melhor se dividem, mas não existe algum que seja ruim. É fato. Depois do Lore de 2015 que também é um discão eles voltaram não muito tempo depois para entregar um som que traça na nossa cabeça uma linha no horizonte para se viajar.) (JP)

Telekinetic Yeti – Abominable

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Abominable é um disco potente e muito bem construído, com petardos violentos do começo ao fim. Um álbum recheado de peso, psicodelia e riffs que ganham vida e viajam de encontro com as “oiças” do ouvinte. O mais impressionante é que toda a barulheira foi composta apenas por dois caras. (EM)

Municipal Waste – Slime and Punishment

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Thrash e crossover da melhor qualidade. Existe muito do mesmo, mas é uma fórmula que sempre deu certo e que todo fã aprova. Não só um refrão pegajoso ou um riff que não sai da memória e que instiga um air guitar, o Municipal Waste acertou. Destaque para Tony Foresta que continua com um excelente trabalho vocal na banda que cai como uma luva (e levando muito desse melhor para o Iron Reagan). (JP)

The Midnight Ghost Train – Cypress Ave

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Buscando algo diferente do que já produziu antes, o The Midnight Ghost Train alcançou um resultado surpreendente para quem conhece os seus discos anteriores. A banda abriu mão da sonoridade pesada e grave para atingir algo bem limpo, exibindo claramente várias influências da banda que passavam despercebidas em meio ao caos sonoro. A faixa “The Boogie Down” é simplesmente reveladora e mostra toda a ousadia da banda no trabalho. (EM)