Listão 2016: Nacionais

por em quarta-feira, 4 janeiro 2017 em

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Demorou, mas 2016 passou. Tanto que, por via das dúvidas, esperamos o ano acabar oficialmente antes de soltar o nosso infame listão. Vai que, né? Mas, apesar de tanta bronca que este ano que já vai tarde trouxe, também não faltou música boa para chutar a zica pra longe, dançar, fazer pensar e sorrir com a palavra molhada.

Na sequência, confira uma seleção de 30 discos nacionais que fizeram a cabeça da nossa redação ao longo do ano. Do punk ao afrobeat, do rap ao emo, procuramos deixar os ouvidos abertos à tudo. Sons diferentes de lugares diferentes, mas com um traço em comum: o poder transformador da música.

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RaktaRakta III

O Rakta segue em mutação desde que surgiu. Perdeu guitarra e ganhou peso, introspecção e clima de ritual. Bateria reta, baixo alto e marcado e teclado e voz com efeitos elevam quem está disposto a passar da estranheza inicial e aderir ao transe sonoro. “Raiz Forte”, “Filhas do Fogo” e “Conjuração do Espelho” formam a trinca para se ouvir em sequência e entrar e estado de elevação.

 

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MahmundiMahmundi

Marcela Vale acertou em cheio no disco de estreia que de cara já começa com a música “Hit”, que parece trilha de verão no Rio de Janeiro. Nas bastasse isso, o disco ganhou elogios de gente grande no meio da música levando a cantora a ser comparada a Marina Lima. O disco todo tem uma pegada pop e além da já citada “Hit”, destacam-se também “Eterno Verão” e “Desaguar”.

 

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Heretic Prayer Bastard KidsHeretic Prayer Bastard Kids

O quarteto natalense se destacou com um disco que mistura angústia, inquietação, revolta e desordem em forma de música. Mostrando que não há beleza em tudo que vemos. O disco pode ser a trilha da desgraça que foi 2016 para muitos. É apenas a estreia deles. Que venham outros.

 

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SabotageSabotage

Treze anos após seu assassinato, Sabotage volta pelas mãos do Instituto e Tejo Damasceno, Rica Amabis e Daniel Ganjaman. O disco é atemporal, prova disso é o lançamento mais de uma década depois. Letras completadas por parceiros e participação de nomes de peso do rap nacional como Negra Li, BNegão e até de Céu mostram a potência do disco que já nasceu clássico.

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Baiana SystemDuas Cidades

O aguardado segundo álbum da Baiana System cumpriu o esperado: manteve a pegada da estreia e ainda distribuiu mais batidas eletrônicas, fazendo o baile melhorar. Claro que a famosa guitarra baiana ainda está lá na pegada e as letras com cunho social também. A banda prova mais uma vez que é possível transportar um moderno carnaval de rua de Salvador para dentro de um disco.

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The BaggiosBrutown

O duo The Baggios poderia sentar sobre a carreira de dez anos e descansar. Mas não: Julio e Gabriel chamaram o produtor Rafael Ramos para encorpar mais o som já carregado da banda. O terceiro disco dos sergipanos tem temáticas mundiais e nacionais como as tragédias do Bataclan (França) e Mariana (MG). A sonoridade é o característico blues com pegadas que vão do pop ao regionalismo nordestino que lembra a cena Udigrudi.

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Irmão Victor – Passos Simples Para Transformar Gelatina Em Um Monstro

A imprevisibilidade nem sempre é coisa boa, mas o Irmão Victor vai além e faz disso um modus operandi. Em vez de se tornarem mais familiares com o tempo, as 10 faixas de Passo Simples… parecem se enrolar sobre si mesmas a cada nova audição, oferecendo novos segredos e surpresas. O senso de humor absurdo e desconcertante (vide “O Famoso Ritual do Feto Suspenso”), só melhora a experiência.

 

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Filipe Alvim – Beijos

Por baixo de um lençol de desencano e guitarras manhosas, Filipe Alvim encontra o equilíbrio perfeito entre doce e amargo. Pepitas de rock existencial como “Cama Redonda”, “Jaula” e “Vida Sem Sentido”, funcionam tão bem no meio da rafuagem quanto na quietude dos headphones. Pode cantar junto que tá liberado.

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Sammliz – Mamba

Solo, Sammliz se mostra mais poética e à vontade. Com uma produção elegante, que prioriza clima e timbres em vez de peso, Mamba é uma autobiografia em forma de disco, com capítulos dedicados ao stoner (“Mamba”), metal (“Aurora”), eletronices discretas (“Meu Bem”, “Ano Novo”) e até o ultraromantismo de Leonardo Sullivan, presente na bela versão para o hit “Quando o Amanhã Chegar”.

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FireFriend – Negative Sun

Arrastadão e pesado, mas transbordando groove psicodélico, Negative Sun seria a trilha sonora perfeita para um faroeste de ficção científica, frito no asfalto de São Paulo. Da abertura com “Strange Feelings” ao fim com “If You Kill The Man”, tudo é tensão entre barulho e sussuros. Ótima porta de entrada para quem ainda não conhece a FireFriend, uma das melhores bandas de rock que o Brasil ainda não ouviu.

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La Burca – Kurious Eyes

Segundo disco da dupla Amanda Rocha (violão, voz) e Lucas Scb (bateria), Kurious Eyes refina ainda mais a mistura de punk, grunge e folk criada pela dupla a ponto de se tornar um idioma próprio. Faixas como “Goos”, “She Thrills” e “Trip Me Good” cravam de vez a banda entre os bons nome do rock garageiro nacional.

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Giallos – Amor Só de Mãe
O segundo álbum do trio de Santo André saiu no começo do ano, mas casou direitinho com a barra que foi o resto de 2016. Faixas como “Pombo Bomba”, “Açougue” e a certeira “Eles” (“Eles têm uma cruz no rabo/Pra redimir todos os seus pecados”) são como desabafos de poesia e eletricidade em meio à quentura e ao caos. Lembretes oportunos de que quando tudo o mais parecer sem jeito, a melhor saída é continuar lutando, resistindo. E dançando.

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Hierofante PúrpuraDisco Demência

Tributário da psicodelia dos anos 70, sendo herdeiros diretos da memória de Arnaldo Baptista e dos Mutantes, o Hierofante Púrpura traz em Disco Demência toda sorte de lombra e carrego em um punhado de 5 faixas. Vozes subterrâneas, delírio e pianos ácidos compõem a tessitura realmente demente do disco. É a verdadeira CRISE DE CREIZE da banda.

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Metá Metá – MM3

Prosseguindo na sua estética torta de reinterpretar o afrobeat, o Metá Metá traz em MM3 o volume mais cru e rockeiro de sua discografia. Inspirado e fluente, o disco transmite um Metá Metá robusto, se permitindo caminhar por lugares insuspeitos, como em “Corpo Vão” e “Toque Certeiro”, quase hits para as pistas.

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Def – Sobre Os Prédios Que Derrubei Tentanto Salvar o Dia (Parte 1)

Gestada no centro dos embalos do ROCK TRISTE, a Def é uma das mais singulares representantes do revival REAL EMO que infestou o Brasil em 2016. Não sendo reducionista e trazendo influências que vão de Best Coast ao grunge, a banda traz em seu primeiro EP um conjunto de riffs de fazer qualquer viúvx dos anos 90 chorar copiosamente.

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Carne Doce – Princesa

Princesa é um disco que se sustenta no embate entre opostos. O experimental e o pop, a MPB e o rock, as guitarras hipnóticas e levemente psicodélicas em contraponto à força primitiva dos vocais de Salma Jô. A única coisa que não cede à dualidade alguma é a satisfação garantida por quem se deixa levar pelo som da banda.

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Sertão SangrentoVidas Secas

O Sertão Sangrento finalmente lançou seu disco completo. A qualidade da gravação e  das músicas fez valer a demora e mostrou porque a banda consegue ouvintes por todo o Brasil e até na gringa, mesmo estando longe dos grandes pólos musicais e em uma cena ainda muito restrita no país. São músicas que passeiam pela simplicidade e rapidez do punk/hardcore, mas como diversas outras influências que não deixam o som repetitivo ou previsível. As letras abordam os temas do horror punk como zumbis, lobisomens, entre outros, mas também a realidade da seca e sofrimento do povo sertanejo. Que não deixa de ser um cenário de horror real.

 

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Hurtmold & Paulo Santos – Curado

Após hiato que deixou os fãs órfãos e os admiradores saudosos, o Hurtmold disponibilizou a sua session com o percussionista Paulo Santos. A banda se mostra aqui mais madura e menos barulhenta, saboreando os riffs, as quebradas, os contratempos e as linhas melódicas que invadem cada música como se fossem orquestradas. Uma obra de maturidade, com requinte erudito em detalhes, sons que escapam numa primeira audição e fazem desse disco um pequeno tesouro a ser revisitado sempre.

 

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Céu – Tropix

Eletrônica e futurista, Céu está hoje num patamar quase inalcançável de RAINHA da nova MPB. Do alto de seu trono, ornado de músicos talentosos e produções grandiosas, ela traz em Tropix sua face mais moderna desde sua estreia, em 2005. A experiência pesa a seu favor e a dinâmica entre sonoridades e gêneros produzem um lirismo pop, cadenciado, sem mistérios.

 

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Lê AlmeidaMantra Happening

Dois discos no mesmo ano. Isso mesmo, Lê Almeida e banda soltaram dois discos em 2016 e totalmente diferentes. Se Todas as Brisas tem a pegada mais conhecida dos discos anteriores, Mantra Happening parece mais uma jam pesada e com músicas longas, outra diferença dos outro discos caracterizados por músicas mais curtas. Músicas longas, poucas letras e muita viagem com braços mais pesados em cinco músicas que somam quase uma hora de som.

continental

Continental ComboNunca Mais

Depois de cinco anos sem lançar nada, Sandro Garcia deu as caras com Nunca Mais. O disco traz a já consagrada pegada sessentista da banda com de mãos dadas com folk e psicodelia. “Tempos de Glaciação” e “Conveniências” são regravações, também estão no disco Conveniências na Cidade. Mas as duas novas versões ganharam mais velocidade e peso no baixo.

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NecroAdiante

Direto de Maceió e no apagar das luzes de 2016, saiu um dos melhores discos pesados brasileiros. A Necro traz de volta o bom saudosismo das bandas brasileiras setentistas que de uns anos para cá foram redescobertas. Em meio ao progressivo-psicodélico-hard rock é possível lembrar de Módulo 1000, Secos & Molhados, Mutantes na fase progressiva, O Terço e outras. Ou seja, O Necro faz nos dias atuais o que de melhor fizeram nos anos 70 no Brasil. Destaque para “Orbes” que abre o disco, “Azul Profundo” que tem uma introdução que é a cara do Udigrudi. E para o vocal de Lillian Lessa, é claro.

 

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Kubata – Zep Tepi

Afrofuturista e psicodélico até o talo, Zep Tepi é o primeiro disco cheio do septeto Kubata, que inclui em sua formação membros do Giallos, Otis Trio, Projetonave e outros. Os trabalhos anteriores dos envolvidos servem de referência e ponto de partida, mas em pepitas como “Luna de Sangre”, “Palmerbeat” e “D’avesso” pesa a identidade e a assinatura de punho firme do grupo, que vai muito além de um simples projeto “paralelo”. Pra chapar, dançar e/ou contemplar o tempo.

 

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Valciãn Calixto – FODA!

É seguro dizer que nenhum disco desta lista soa como a estreia do poeta e compositor Valciãn Calixto. Ponta de lança do coletivo Geração Tristherezina, o cara costura axé, samba-reggae, spoken word e guitarras pesadas com atitude punk e poesia engajada. À luz (ou trevas) das últimas notícias do ano, a incrível “Sobre Meninas e Porcos” soa ainda mais assustadora e atual. Um disco difícil, mas urgente e necessário.

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N.T.E.Anatomia da Cidade

Quem mora em capitais ou grandes cidades brasileiras passa pelos mesmos problemas. Anatomia da Cidade é um raio x de Natal: violência policial e civil, assédio, políticos corruptos, problemas estruturais que dão lugar ao turismo enganador e muitos outros problemas que acarretam em problemas pessoais na população como depressão, fome e miséria e a própria violência já citada. Como todo bom disco punk as músicas passam as ideias sem firulas e de forma rápida. Nenhuma música ultrapassa os três minutos. Destaque para a música que dá nome ao disco e que possui backing vocals que a tornam mais “pop”, na medida do possível.

macaco

Macaco BongMacaco Bong

Depois de disco de estreia – Artista igual a Pedreiro, que depois mostraria que pedreiro é igual a artista sim, mas diferente de empregador e empresário – bastante elogiado, EP e segundo disco em meio a turbulências (leia-se artista/empresário e banda internamente) o reformulado trio soltou Macumba Afrocimética onde Bruno Kayapy, único da formação inicial, largou sua guitarra e assumiu o baixo ao lado de Julito Cavalcanti. O resultado foi um disco mais pesado. Para o atual Macaco Bong o trio (Bruno Kayapy, Daniel Hortides e Daniel Fumegaladrão) voltou ao início da carreira onde flerta com diversas variantes dentro do rock. A prova disso é a ótima “Baião de Stoner” autoexplicativa.

maquinas

MaquinasLado Turvo, Lugares Inquietos

Post-rock ortodoxo, pendendo para o Slint e o som da máquina (como não), o maquinas investe na melancolia e na estranheza dos riffs em continuum. Com faixas longas e intensas, Lado turvo, lugares inquietos é uma expedição à solidão e ao deslocamento de uma juventude ansiosa, desatenta e cheia de dúvidas.

raca

RaçaSaboroso

Direto e simples, Saboroso foi construído para ser tão afetivo quanto sua capa, com lancheira de criança e cores fortes. As letras confessionais, os riffs singelos e a livre associação fazem do disco uma celebração às guitarras dos anos 90 e à tradição REAL EMO (mas sob um filtro muito brasileiro).

mudhill

MudhillExpectations

O Mudhill é uma banda nova que junta músicos já rodados da cena paulista. O som traz de volta o rock alternativo como se fazia nos anos 90. Traz ainda algumas pitadas de grunge e pós-grunge. Esse tom de saudosismo noventista não deixa o disco datado, já que os caras também colocam toda a sua experiência criando ótimas canções que passeiam entre o peso das guitarras altas e a sonoridade pop na medida certa. É um disco que agrada em cheio para quem procura um som divertido e descomplicado. Ideal para quem curte bandas como Hüsker Dü e Dinosaur Jr.

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Born to FreedomLife is Movement

A Born to Freedom lançou Life is Movement após um período de hiato e já voltou com tudo. Não bastasse isso, ainda suscitou um novo respiro para a cena hardcore potiguar. O disco traz seis ótimas canções com tudo o que se espera de uma banda do estilo. O disco ainda conta com participação de Rodrigo, vocal da Dead Fish.