No swing dos J.B.’s: no passinho do groove com These Are The J.B.’s

por em quinta-feira, 10 janeiro 2019 em

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Nos anos 70 o dono do groove era James Brown. O sex machine já vinha arrepiando o slap desde os anos 50 com a The James Brown Band. Na década seguinte ele segurou a jam com a The James Brown Orchestra, mas quando tudo estava perfeito as duas bandas de apoio resolveram processaram o rei do Soul em função de sua abusiva conduta frente aos seus contratados.

E quando parecia que o dono do Black-Power mais rebolativo da américa interromperia sua sequência de clássicos do Funk, eis que Bootsy Collins surge na cena e o J.B.’s colam na grade para esfumaçar a década de 70.

O trabalho do J.B’s nunca teve o devido reconhecimento, mas a banda, mesmo em suas diversas reencarnações é responsável direta pelo sucesso do negrão nos anos 70. É claro que nem isso segurou o grupo com a mesma formação, afinal as multas e o exigente regime de ensaios nunca cessou, mas no fim, por difícil que pareça, quem perdeu foi o Mr. Dynamite.

Vale ressaltar que o J.B’s sozinho liberou uma par de belíssimas bolachas como um grupo independente, no entanto, é incontestável, mesmo com os abusos e o ambiente careta, foi ao lado de James que o J.B’s atingiu todo o seu potencial e apesar dos anos terem passado, é bacana ver que o reconhecimento tardou, mas chegou.

Band List:
James Brown (órgão)
Clayton “Chicken” Gunnels (trompete)
Darryl “Hasaan” Jamison (trompete)
Robert McCullough (saxofone)
St. Clair Pinckney (flauta/saxofone)
Bobby Byrd (piano)
Phelps “Catfish” Collins (guitarra)
William “Bootsy” Collins (baixo)
Frank “Kash” Waddy (bateria)
Clyde Stubblefield (bateria)

Track List:
”These Are The J.B.’s Pt. I & Pt. II”
”I’ll Ze”
”The Grunt Pt. I & Pt. II”
”When You Feel It, Grunt If You Can”

These Are The J.B.’s, só viu a luz do dia ano depois de quase 44 anos depois da gravação original. James Brown, pra variar, assinou como produtor e coordenou um som fantástico, algo que definitivamente era bom demais para ser uma gravação teste e morrer em rolos de fita mofados em estúdio.

Jamais poderíamos cometer tamanho impropério, aqui o Funk pulsa e mostra o motivo de James ter contratado essa grande banda e mais do que isso, relembra a curta passagem do ícone P-Funk e seu Space Bass, falo sobre Bootsy Collins.

Baixista elementar, que junto de seu irmão ”Catfish Collins” teve uma curta passagem pela escola do mito – pois Brown não permitia o uso de drogas e o futuro membro do Parliament-Funkadelic gostava mais do que lasanha – é importante ressaltar que a banda que eternizou essa sessão moldou o som de James Brown para as décadas posteriores.

Ele com certeza nunca disse aos músicos, mas isso fica claro ao conhecer o trabalho desses caras.

O disco é curto. Infelizmente temos apenas quatro sons, mas a qualidade sonora é altíssima e o teor de Funk é digno de um coma alcoólico com o LP abrindo ao som da faixa que nomeia esse trabalho.

Um híbrido instrumental de Curtis Mayfield com Earth, Wind & Fire do começo dos tempos, sempre com Bootsy chefiando o som com um baixão bem presente e com o Bruce Buffer do Soul apresentando seus contratados. Após o fim do play não tem como ficar perplexo por ele não ter saído na mesma época de sua gravação.

E o que fica como legado é justamente a qualidade dos músicos, o entrosamento e como o som ganha um aspecto improvisado naturalmente, mesmo em estúdio. Chegando junto com o time de metais nos mais de dez minutos de ”I’ll Ze” e na faiscante ”The Grunt”, que aqui foi unida para não dividir o swing em duas partes.

”When You Feel It, Grunt If You Can” consegue captar todo o frenesi que esses caras levavam ao palco quando requisitados, sempre demonstrando grande vigor sonoro e muito feeling. Muita brasa, quase meia hora de sangue quente e muito Bootsy.