A volta das divindades do stoner através do álbum Electric Messiah

por em quinta-feira, 18 outubro 2018 em

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Jesus no céu e Matt Pike na terra, é isso. Depois do predecessor Luminiferous não ser tudo aquilo que o público esperava, três anos se passaram e como o Nosso Senhor voltará depois desse número, temos o Electric Messiah.

Peço licença para começar a elogiar de forma bem suspeita o disco. Matt Pike junto com Des Kensel e Jeff Matz fazem um trio bruto e esse disco é agressivo, cheio daqueles riffs que são a cara do Black Sabbath e do Motörhead, hit hats nos refrões, vocais semi melódicos e embargados. Muito da agressividade se deu pela gravação das baterias assistidas por Kurt Ballou (Converge) e também a mixagem final. Soa esquisito ver um produtor como Kurt Ballou fazendo uma gravação com o High On Fire, mas isso não é a primeira vez que ocorre, ele também participou do De Vermiis Mysteriis, de 2012. O resultado ficou bom e não é a primeira experiência do produtor com bandas que misturam stoner/sludge/metal, ele gravou o excelente Meanderthal do Torche cerca de dez anos atrás.

Faixas importantes nesse disco que destacam e mostram pontos importantes no trabalho da banda ficam com “Pallid Mask”, onde Des e Jeff se mostram presentes e criativos. “Steps of the Ziggurat/House of Enlil” é outra faixa que fica entre as melhores, uma experiência de doom incorporada na música somada com viagens psicodélicas e suas letras falando de deuses antigos. Músicas mais rítmicas como “The Witch and the Christ” mostram que a banda ainda arrisca em todo disco, não ficando confortável em apenas um jeito de fazer música e essas tentativas quase sempre são bem sucedidas no High On Fire.

Há quem diga que o High On Fire sempre vai ser uma sombra do Sleep e esse disco é uma discordância clara. Se uma é uma das melhores em tocar lento a outra é uma das melhores em tocar rápido. High On Fire tem seu lugar e sempre vai ser uma daquelas bandas que permeia alguns legados.