Here Lies Man: Quando Satanás dança afrobeat

por em sábado, 1 julho 2017 em

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Explorando uma sonoridade peculiar e bastante ambiciosa, os nova iorquinos do Here Lies Man lançaram neste 2017 o seu trabalho debut. No disco eles se aventuram através de uma vasta fusão de elementos musicais que é difícil classificar em apenas um nome, mas que ao ouvir, são possíveis detectar uma por uma, deixando bem claro o controle da banda sobre o que está fazendo em meio a essa grande mistura que contém doses de afrobeat, rock psicodélico, progressivo e setentista, música experimental, stoner rock, fuzz, funk e soul. Com algumas dessas mesclas difíceis de imaginar, o som do Here Lies Man tem sido classificado por ouvintes e críticos como se o Black Sabbath resolvesse ir além de “Planet Caravan” e atingisse o afrobeat. É difícil de imaginar até soltar o play e ver que a comparação é mesmo possível e faz total sentido.

Autointitulado e conceitual, o trabalho possui ligações harmoniosas entre as faixas, que criam uma ambientação capaz de manter a atenção do ouvinte até nos finais mais extensos de algumas faixas e que aos poucos vão silenciando. Como se cada final preparasse um novo começo mantendo a atmosfera que o disco possui.

Uma breve intro prepara o ouvinte para o universo selvagem e dançante que vem nos próximos minutos. Quando “When I Come To” dá a largada na sequência a uma verdadeira exploração sonora entre diversos mundos e melodias, manipulando-os e transformando em algo novo. A guitarra dá as caras lembrando um pouco o Black Merda, com o riff ligado no fuzz e coberto por efeitos dialogando com o órgão e demais arranjos a todo momento, sendo essa a marca registrada do disco. Em “I Stand Alone” a bateria e as percussões exibem muito balanço e viradas a todo momento, ao melhor estilo da música tribal, seguindo o mesmo caminho da guitarra com camadas de efeitos sobrepondo tudo. O vocal também passa por modificações ganhando um aspecto abafado que oscila entre momentos muito e pouco nítidos durante todo o disco. Na sequência temos outras seis faixas que seguram essa onda muito bem mantendo o ritmo excitante do disco.

A maioria das letras se resumem apenas ao título da faixa sendo repetido em loop por um tempo. As exceções são “Letting Go” e “Belt Of The Sun”, que também são bem curtas, contendo dois ou três versos. Toda essa repetição de alguma forma soa muito bem ao ponto de não conseguirmos imaginar como seria possível letras mais extensas nas composições. Reforçando a importância da soma de tudo além das partes instrumentais como intervalos de versos e refrãos.

O Here Lies Man acertou em cheio em sua estreia. A competência e experiência dos músicos alinharam-se à um planejamento perfeito sobre qual sonoridade atingir e não permitiram que essa reunião de ideias se perdesse em meio a tantas referências e investigações, resultando em um disco corajoso e bastante expressivo.