Festival DoSol 2014 @ Rua Chile – Natal /RN

por em sexta-feira, 14 novembro 2014 em

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Como o Festival DoSol etapa Natal funciona todo mundo já sabe. Vários palcos, diversidade de público, um ou dois dias de sonoridade misturada, outro pesada. As novidades foram os quatro palcos (DoSol, Armazém Hall, Galpão 29 e Tim Stage), o choque de horários de vários shows (dois normalmente, três no fim do domingo) e o encerramento com Pitty no Teatro Riachuelo em plena segunda-feira. Os ingressos para a sexta e domingo esgotaram antes do evento, o que deixou muita gente do lado de fora no último dia, a espera de uma rebarba ser posta a venda. Muitos conseguiram.

Dentro, a brincadeira foi séria. Artistas e público satisfeitos. Muitos músicos deram depoimentos dizendo que os shows foram excelentes. Teve até banda que declarou, entre um espetinho e outro na barraquinha da comida, ter feito ali o melhor show do ano – caso do Aldo The Band.

Pratas da Casa

Geralmente os shows com artistas e bandas de fora são os mais prestigiados, muito pela possibilidade de ser a única oportunidade do público de vê-los. Mas fato é que as bandas locais estão a cada dia trabalhando melhor e conquistando fãs na mesma medida. Isso é resultado do maior acesso as produções e da qualidade das mesmas. Sendo assim todas as bandas locais tiveram público em seus shows, desde as que abriram os dias, bem cedo, como Cabrones, com belos shows. Talma & Gadelha com a nova formação ainda deixa todo mundo cantando à beira do palco. Na edição 2014, ainda teve o adendo de, após um poema recitado por Luiz Gadelha, um fã subir ao palco e os dois se beijarem. Polêmica? Não.

Figurinha repetida não preenche álbum

Que nem aquele(a) ex que você não quer mais, mas as vezes dá uma pegada porque, pelo menos, isso vale a pena, são as bandas repetidas. Sejam locais (várias) ou de fora, caso de Céu que tocou pela terceira vez na cidade (a primeira no festival) ou The Baggios e Matanza. Céu tem um show calcado em seu último disco Caravana Sereia Bloom e no palco, além de linda, canta e encanta com facilidade. Sem falar na banda, afinadíssima. A dupla The Baggios fez o show matador de sempre e está fácil entre as melhores do país na atualidade. Som simples, direto e eficiente. Matanza é sem comentários. Foi para uns reviver os tempos da adolescência, quando a banda dominou por bom tempo a programação da MTV, e para outros a prova que envelheceram e não cabe mais. O Armazém, lotado e prejudicando o público da ótima Cruz e Worst, foi prova disso.

Par ou ímpar

A escolha das bandas que iam dividir o horário deve ter sido proposital. S.O.H. e DFC no mesmo horário foi de uma tristeza tamanha. Dois shows destruidores, onde o DFC levou a melhor apresentando o disco lançado esse ano e clássicos como os presentes em Igreja Quadrangular do Triângulo Redondo. Até porque o S.O.H. é aqui do lado, de Fortaleza, e pinta por aqui em outros eventos dedicados ao Metal e similaridades. Cruz, como dito acima, foi prejudicada e teve um público fraquíssimo. O que não interferiu na atuação da banda que tocou como se o DoSol estivesse cheio. Monster Coyote e Fuzzly também tocaram no mesmo horário. Ambas com sonoridade pesada, o Monster pendendo até pro Metal enquanto o Fuzzly leva no nome o peso do stoner psicodélico. O Monster Coyote apesar de show repetido, como muitas outras locais, trouxe música nova e surpreendeu quem estava no Galpão 29, principalmente com a pegada de Daniel na bateria.

Novatas

Plutão Já Foi Planeta, Talude, The Bop Hounds, N.T.E. Fukai e ÓperaLóki surpreenderam. Antigamente bandas “verdes” eram postas no começo para ganhar experiência. Hoje não cabe mais, a necessidade é de alguém abrir o festival. Seja no começo ou no fim, há qualidade. E algumas são novas apenas na idade, mas tem músicos experientes e vários shows nas costas pela cidade. Os shows foram consistentes, cada um em sua proposta. Se é pra destacar alguém, a ÓperaLóki leva o mérito. A banda é formada por várias figuras ímpares da cidade, comandados por Arthur Costa-Pedro, que sempre tinha um sorriso no rosto. Se era nervosismo, satisfação, ou ambas, só ele pode esclarecer. Fato é que o cidadão meio hippie, meio brega, é o frontman certo para o que a banda pretende mostrar. Um som simples, baseado em rock, com letras de amor, do dia a dia. Se mantiverem o pique podem ser o destaque do cenário em breve. Plutão Já foi Planeta leva a onda pop local adiante, ao passo que a Talude é uma ótima novidade no post-rock e a The Bop Hounds lidera a volta do rockabilly a cidade. Inclusive os caras estão escalados para evento em Las Vegas no começo de 2015. N.T.E. mantem acesa a chama punk, com letras passando mensagens e a famosa performance de Alexandre Falante. Fukai com a maior desenvoltura de Pedro (com direito a coroa de flores) melhora a cada dia sua fusão de estilos.

Nostalgia

Quem viveu os anos 90 sentiu a nostalgia daquela época vendo o show da pernambucana Jorge Cabeleira e O Dia Em Que Seremos Todos Inúteis. Um dos expoentes do movimento mangue tinha estado em Natal muitos anos atrás na UFRN, em show de graça. A volta trouxe o repertório excelente do primeiro disco, algumas do segundo e mais duas músicas novas. De volta a pouco mais de um ano, o grupo deve um álbum para consolidar o nome de volta. Parte do público ficou sem entender bem o que acontecia, mas outra parte abriu uma roda de Ciranda à frente do palco e celebrou com a banda.

Para o infinito e além

Red Boots, Monster Coyote, Mad Grinder, Son Of A Witch (o som tava tão alto que era melhor ficar na rua), Mahmed, Far From Alaska. Todas já representam bem a cidade fora da mesma. Mas tem por necessidade buscar vôos mais altos. Mesmo algumas já tendo saído até do país, se faz necessário continuar a viagem rumo Europa, EUA, América Latina. Shows consistentes que merecem chegar mais longe. Far From Alaska é a banda pop (isso é elogio) mais inteligente e afinada com o que se faz na atualidade. E ganhou mais força com Emmily mais solta na frente. O show do Mahmed ainda teve um toque especial: a presença e participação de Fernando Cappi (Hurtmold e Chankas).

Estranhos no ninho

Bullet Bane e Worst mantiveram a bandeira do hardcore – que já esteve bem mais em alta por aqui – pra cima com bons shows e público instigado. Já a Trampa, não desceu. Pareceu artificial.

A Volta dos que não foram

Rejects e Kung Fu Johnny, ambas na sexta, continuam na ativa e positivamente. A Rejects só possui Júlio da formação original (que era um trio) e o som encorpou mais desde que a banda ganhou mais uma guitarra. A Kung Fu Johnny voltou para a satisfação do Fausto e para mostrar um rock que anda em falta por essas bandas: divertido, sem ser engraçadinho, e competente nas composições e execuções.

Gringos em Baixa

Apesar de Samavayo (Alemanha) e Circo de Pulgas (Uruguai) terem feito shows competentes, não mostraram um diferencial que justificasse suas presenças. Mesmo assim o público foi atento a ambos os shows.

Top top top top, uhhhhhh

Vários shows foram matadores e merecem ser citados. Caso de: Monster Coyote, Red Boots, Joanatan Richard, Drakula, Boogarins, RAPadura Xique-Chico, Aldo The Band. Drakula trouxe de volta a pegada punk misturada a surf music, em falta por essas bandas. Red Boots veio com o segundo disco, mantendo o peso e mostrando que ao vivo é bem melhor que no disco. Boogarins e seu psicodelismo chapou o público com seu vocalista cover de Hendrix. Joanatan Richard mostrou que o Rockabilly tem espaço entre os sons mais pesados, promoveu a pista de dança no DoSol e rodou pelo chão tocando sua guitarra numa performance explosiva. Aldo The Band contribuiu com uma mistura sonora vigorosa e um show catártico. Para os próprios, foi o melhor show do ano. RAPadura Xique-Chico foi o toque nacional/regional que impera em produções de gente local como Mista Priguissa e Chico Bomba e Zé Baga, que mostraram que o rap, hip hop e afins tem seu público cativo e merecem estar no festival. É tanto que a mudança de público na sexta foi nítida.

Medalha de honra ao mérito

Andola Costa tocou em cinco bandas. O que deve ser um recorde passível até de consultar o Guinness Book.

Lounge

O lounge era um misto de circo com zoológico. E se você estivesse lá dentro sempre seria recepcionado pelo prefeito do lounge, Dado, com um “E aêêêêêê”, mostrando como o cidadão estava. Depois de uns quitutes e uns drinks ou cerveja, era possível ver até os roqueiros mais true cantando no karaokê músicas brega ou fazendo um corte de cabelo modernoso. Triste é não poder sair com a cerva pra ver os shows. Por conta disso, um dos nossos colaboradores quase vira colunista social.

Imagens

Fizemos algumas fotos dos show e estão em nosso perfil do Instagram. Mas você pode procurar na fan page do Festival DoSol, ou nos perfis (flickr, tumblr e facebook) dos excelentes fotógrafos que cobriraram o evento, gente como Rafael Passos, Diego Marcel e Luana Tayze.

Interior

No fim do mês, a equipe O Inimigo  fará escala em Currais Novos e Caicó. Portanto, aceitamos de bom grado doce de leite, doce de goiaba, churrasco, cerveja, queijo de coalho e de manteiga também. O restante a gente conversa pessoalmente por lá.

Top 5 (Evan Morais)

Red Boots
Fuzzly
Monster Coyote
Samavayo
Cruz

Top 5 (Felipe Alecrim)

NTE
DFC
Far From Alaska
ÓperaLóki
Joanatan Richard

Top 5 (Hugo Morais)

Drakula
Boogarins
Jorge Cabeleira E O Dia Em Que Seremos Todos Inúteis
DFC
Red Boots

Foto: Rafael Passos