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	<title>O Inimigo</title>
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	<description>Revista eletrônica sobre música</description>
	<lastBuildDate>Fri, 18 May 2012 01:04:25 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Um novo recado, o mesmo recado</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 00:49:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hugo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Enxugando Gelo foi lançado no distante ano de 2003. Isso mesmo, 9 anos atrás. Muitos que viram BNegão &#38; Seletores de Frequência no último Festival DoSol tinham por volta de 13, 14 anos. E, creio eu, nem de longe sabiam da importância de BNegão e sua trupe dançante. BNegão para muitos era o outro vocalista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/bnegao.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7950" title="bnegao" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/bnegao.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a><em>Enxugando Gelo</em> foi lançado no distante ano de 2003. Isso mesmo, 9 anos atrás. Muitos que viram BNegão &amp; Seletores de Frequência no último <a href="http://youtu.be/yksSkHxW8Os" target="_blank">Festival DoSol</a> tinham por volta de 13, 14 anos. E, creio eu, nem de longe sabiam da importância de BNegão e sua trupe dançante.</p>
<p style="text-align: justify;">BNegão para muitos era o outro vocalista do Planet Hemp. E era mesmo. Ele substituiu Skunk quando este morreu. Mas antes do Planet, Negão já tinha longa carreira musical no Rio de Janeiro a frente dos <a href="http://youtu.be/SDr_nR-IMh0" target="_blank">The Funk Fuckers</a>. Junto com muitas outras bandas que ficaram pelos anos 90 e agora tem <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2011/10/13/esporro/" target="_blank">voltado para lançar material </a>que ficou perdido na memória de muitos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Enxugando o Gelo</em> foi lançado pela revista Outracoisa, encabeçada na época por Lobão, como forma alternativa de distribuir seus discos e de quem bem entendesse. BNegão além de lançar o disco pela revista também disponibilizou o állbum virtual, sendo um dos primeiros a fazer isso. <a href="http://www.hominiscanidae.org/2012/05/bnegao-os-seletores-de-frequencia.html" target="_blank"><em>Sintoniza Lá</em></a> era aguardado desde então, já que o anterior chegou a ser considerado um dos melhores discos da década 00. Mas antes disso BNegão ainda montou o Turbo Trio que chegou a rodar a Europa com uma mistura eletrônica do que pode ser visto nos Seletores.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a onda do afrobeat parecia tomar conta de tudo, finalmente saiu o tão aguardado <em>Sintoniza Lá</em>. E nele <a href="http://www.myspace.com/seletores" target="_blank">BNegão &amp; Seletores de Frequência</a> fizeram nada mais que continuar o trabalho anterior. Letras politizadas com batidas funk, grooves setentistas apoiados na casadinha bateria/baixo/percussão e metais/guitarra. Aliás, a guitarra em vários momentos faz papel secundário, mas não menos importante, os riffs menores lembram as introduções dos seriados policiais dos anos 70. Quem comanda as músicas mais suingadas é a metaleira. E nada mais justo. Chego a lembrar de um amigo que certa vez disse que música com crítica social não pode ser embalada por música dançante.</p>
<p style="text-align: justify;">Em dias que artistas voltam a ser <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/emicida-preso-por-desacato-em-belo-horizonte-4888700" target="_blank">presos</a>, como o próprio BNegão foi quando integrante do Planet Hemp, suas letras ganham mais peso ainda, porque a crítica é à polícia, aos políticos, à própria sociedade e seu pensamento. Da mesma forma que em <em>Enxugando o Gelo,</em> Negão instiga que a arma mais importante ainda é o pensamento. Tanto que muitos lucram sobre especulação e sobre a mazela alheia. Isso pode ser visto em &#8220;O Mundo (Panela de Pressão)&#8221; e na sequência &#8220;Reação (Panela II)&#8221; que fala dos &#8220;HDs&#8221; cheios, e do uso errado do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Vamo!&#8221; tem levada de samba e é auto-explicativa. Convoca a continuar na ativa, lutando e acreditando em si mesmo. O disco todo na verdade é um chamado à participação, nas ações, nas idéias. No meio do disco &#8220;Essa é pra tocar no baile&#8221; é a mais pop, é pra dançar mesmo, o que pode ser uma boa piada dependendo de quem a escuta. E tem a frase &#8220;essa é pra quem sabe que a diferença de uma festa de bacana e uma festa bacana não é mero detalhe&#8221;. Pode até não ter nada a ver, mas cai como uma luva para o ex-parceiro D2, que enveredou por um caminho oposto e já fez muita festa de bacana. Trompete alto e refrão título pegajoso. Também cabe certinho como continuação de &#8220;Funk (Até o Caroço)&#8221;, na parte instrumental e com &#8220;A verdadeira dança do patinho&#8221;, no recado. Ambas do disco anterior. E as continuações não param aí. A instrumental &#8220;Consciente&#8221; bate na medida com &#8220;Qual é o seu nome?&#8221;. Hardcore instrumental que começa lento, acelera e volta a ficar lento.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Na Tranquila&#8221; abre o terço final do disco e também é instrumental. Como o título mais uma vez sugere, o oposto da anterior. Serve como aperitivo para &#8220;Chega pra somar no groove&#8221; &#8211; uma ode a todas as influências presentes no som da banda, o caldeirão do som que é a parte plena da soma tem soul, funk, samba, jazz e a lista é grande &#8211; e para &#8220;Sintoniza Lá&#8221;, que emparelha com a última de <em>Enxugando Gelo</em>: &#8220;Prioridades&#8221;. Ambas cadenciadas e se uma manda priorizar, a outra manda sintonizar.</p>
<p style="text-align: justify;">No fim, a melhor coisa foi trazer de volta a esperança na música simples e orgânica, sem frescuras. Quando eu já começava a perder as forças achando que a nova mpb/rock nacional era a salvação, tardia, mas salvação, cheia de toques eletrônicos, de influência brega, eis que o novo de BNegão &amp; Seletores saiu. O <em>Chinese Democracy</em> brasileiro saiu. E ainda bem que não tem samba rock. Porque o disco novo do Curumin não chegou à quinta música no player. E BNegão, adepto do rap e hip hop, me prova que não preciso do rap e do hip hop.</p>
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		<title>Timidez de sótão</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 13:47:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexis Peixoto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp"></div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/lotusplaza.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7902" title="Vendo uns barcos aqui, rs" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/lotusplaza.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quando estreou o Lotus Plaza em 2009, com o regular <em>The Floodlight Collective</em>, o guitarrista Lockett Pundt não fez muita questão de agradar ninguém – nem os fãs da sua banda matriz, o Deerhunter. Rascunhou umas canções, colocou umas guitarras, inseriu umas vinhetas no meio e achou por bem chamar tudo isso de álbum. Na real, não colou muito e ainda fez feio na frente de <em>Logos</em>, discaço que o amigo Bradford Cox soltou naquele mesmo ano sob a persona de Atlas Sound.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Spooky Action at a Distance</em>, segunda vinda do projeto, o riscado é outro. Há a impressão nítida que Pundt (que tocou todos os instrumentos) resolveu investir em canções, letras, fraseados de guitarra&#8230; Enfim, essas truques que geralmente se usa pra escrever música e que ele só parecia ter vontade de usar na banda principal. O resultado é um álbum  com certo toque de estranheza comum a toda uma geração de discos “feitos em casa”, mas ainda assim convencional na maior parte do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Para delírio da rapaziada, o recheio de <em>Spooky Action</em> é farto em pequenas grandes canções indies. O primeiro single “Monoliths”  é a transcrição em acordes de anos de solidão adolescente. “Remember Our Days” usa a carta do minimalismo pra disfarçar uma letra que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=5fpGcf4Y7GE" target="_blank">deixaria James Taylor orgulhoso</a> (“If I don’t see you again/I’m glad you’re my friend/I’ll remember our days”). “Jet Out of the Tundra” soa como os Smiths tocados pelo Yo La Tengo – e isso é um elogio.  E “Eveningness” é a parente mais próxima do Deerhunter, facilmente encaixável como um lado B de <em>Microcastle</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">No fim, sozinho ao violão em “Black Buzz”,  Pundt prova que tem crédito para exigir mais espaço no próximo disco do Deerhunter. Há quem diga que Pundt é o McCartney para o Lennon de Cox. Mas se é pra fazer alusão aos beatles sejamos justos. Esse Lotus Plaza, com essa timidez de sótão em baixa fidelidade, é a cara de George. Duvida? Lembre que “Desire Lines”, um dos muito tesouros escondidos de <em>Halcyon Digest</em>, era dele, Pundt. Na hora em que o Deerhunter for fazer o seu <em>Abbey Road</em>, talvez seja boa ideia deixar um espacinho no disco pra esse cara chorar umas pitangas.</p>
<p style="text-align: justify;">No vídeo abaixo, feito para a Pitchfork, Pundt fala sobre o processo de composição do álbum e toca &#8220;Remember Our Days&#8221;.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/gm8E_PXJRRo" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
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		<title>O segredo da capa</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 22:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evan Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Garimpar em sites, blogs e fóruns da internet por horas, é quase como ir a um sebo em busca de um bom vinil, quase. Tem sido um dos meus passatempos preferidos para encontrar artistas do meu agrado por anos. Foi dessa forma que conheci muitas das bandas e gêneros que gosto, que me fazem enxergar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/black-moutain.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7895" title="black moutain" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/black-moutain.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Garimpar em sites, blogs e fóruns da internet por horas, é quase como ir a um sebo em busca de um bom vinil, quase. Tem sido um dos meus passatempos preferidos para encontrar artistas do meu agrado por anos. Foi dessa forma que conheci muitas das bandas e gêneros que gosto, que me fazem enxergar um universo de trabalhos bem interessantes que vão além do apelo comercial e da mesmice que ainda segura a onda de alguns medalhões por aí.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos meses sempre vinha me deparando com a capa de um disco que sempre me chamava o mínimo de atenção. O mínimo de atenção apenas para apreciá-la onde se encontrava no canto da página, ou na imagem da postagem anterior que não li, sem existir uma única vez em mim a vontade de clicar e ver até aonde aquilo tudo ia. Esse tipo de coisa sempre acontece e sei que uma hora não tem mais jeito, alguma força acaba me induzindo a clicar e ver até aonde a nova aventura chega. Se tiver uma amostra do material, como vídeo ou até mesmo um streaming na página, por exemplo, ainda executo alguns segundos. Uma pequena observação que deve ser feita: toda essa relação acontece também com nomes de bandas e discos.</p>
<p style="text-align: justify;">A capa em questão tem a imagem da cabeça de um <a href="http://www.adayinthelife.com.br/wp-content/uploads/2010/06/WildernessHeart.jpg" target="_blank">enorme tubarão branco</a> no céu de uma cena que estampa uma vidraça, algo bem surreal e que faz conexão com a sonoridade da banda do disco. Não sei explicar o motivo que fez a imagem me chamar tanta atenção. Talvez porque sou admirador de capas de discos que trazem uma certa qualidade artística seja ela “limpa” ou obscura. Já cheguei a ver coisas bem mais atraentes e que até essa data não me despertaram interesse algum além da capa, poderia citar uma lista até.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, fui me aventurar no disco da capinha do tubarão boquiaberto, lançado em 2010, pelos canadenses do <a href="http://www.myspace.com/blackmountain" target="_blank">Black Mountain</a>, se chama <em>Wilderness Heart</em> e acabou sendo a confirmação do bom pressentimento que eu estava. Talvez eu devesse ter lido algumas das várias resenhas antes para não perder tanto tempo sem conhecer essa banda. Com uma sonoridade rica em influências, e que consegue usá-las na medida certa, sempre transitando com facilidade entre uma e outra, o álbum é a chegada do Black Mountain em um nível alto, um disco objetivo que usa elementos do rock psicodélico dos anos 60 e 70, música folk e até mesmo doses de Black Sabbath &#8211; como na faixa “Old Fangs”, a minha preferida no disco onde destaco o riff de guitarra &#8211; e na própria “Wildness Heart”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos trabalhos do Black Mountain os vocais divididos entre Stephen Mcbean e a Amber Webber são um brilho a mais, não chega a ser uma regra a parceria em toda faixa no disco, mas em <em>Wilderness Heart</em> isso conseguiu enriquecer mais ainda as ótimas músicas que eles tinham em mãos. Logo na primeira faixa, “The Hair Song”, temos um duelo de vozes que se completam, trazendo um tom suave à canção. O encontro se repete com mais classe ainda na balada “Radiant Hearts”, canção para escutar cada verso simples e bem corrido “juntinho”. Já em “Let Spirits Ride”, a música tem um ritmo bem mais pegado no hard setentista, porém o nível dos vocais em conjunto não cai, mesmo achando que Amber Webber poderia ter ganho mais espaço no disco além de cantar a maior parte da já citada “Wilderness Heart”. É notável o entrosamento entre ela e Mcbean. A princípio é fácil associar a sonoridade do Black Mountain como o encontro do Jefferson Airplane com o Black Sabbath acontecendo nos dias atuais, mas claro que existem outras fontes que a banda mergulha de cabeça. Mas não há como fugir da comparação de texturas da música do Black Mountain com as do Jefferson Airplane, é como se fosse a base de tudo para adquirir novos itens, sendo que não apenas como uma banda psicodélica dos anos 60. É aí que entra a guitarra mais pesada do toque Black Sabbathiano.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Wilderness Heart</em> é um discaço, certo que não traz nada de inovador e fora da realidade que conhecemos, mas verdade seja dita, é um discaço daqueles que dificilmente tem se encontrado por aí, com ótimas composições e extremamente expressivo do início ao fim. Até porque, assim como na arte em geral, muita coisa já foi criada e vai ser difícil surgir algo genuinamente novo. O que aparece como novidade são releituras do que já foi criado e o disco é assim. Muitos outros são, com a ressalva de que este é um trabalho que vai do começo ao fim com boas composições e passeando categoricamente em cada estilo que a banda usa como referência, dando acabamentos belíssimos as músicas e jamais soando como algo ultrapassado.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/YmbmOVunEcc" frameborder="0" width="520" height="315"></iframe></p>
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		<title>Adam Yauch: 1964 &#8211; 2012</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 14:58:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexis Peixoto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguns artistas parecem que não vão morrer nunca. Não me refiro aos gigantes, os que souberam imprimir a própria consciência da mortalidade em sua obra. Roberto Carlos, Paul McCartney ou Bob Dylan, esses foram feitos pra acabar. Falo daqueles que independente dos cabelos brancos nunca deixaram de lado a juventude, o senso de humor e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/mca.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7874" title="MCA em pose de Colírio Capricho nos anos 80" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/05/mca.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Alguns artistas parecem que não vão morrer nunca. Não me refiro aos gigantes, os que souberam imprimir a própria consciência da mortalidade em sua obra. Roberto Carlos, Paul McCartney ou Bob Dylan, esses foram feitos pra acabar. Falo daqueles que independente dos cabelos brancos nunca deixaram de lado a juventude, o senso de humor e de esbórnia, criando a falsa ilusão de que sempre estariam por perto.</p>
<p style="text-align: justify;">Os Beastie Boys são desses: para sempre jovens e arruaceiros, independente do ativismo político que sempre veio junto no pacote. Até ontem, conceber a morte de um dos beasties era tão bizarro quanto, digamos, imaginar uma Copa do Mundo sem o Brasil. Mas com a morte de Adam “MCA” Yauch, depois de quase três anos de luta contra um câncer, as coisas mudam de figura. O mundo real é aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro abalo veio em 2009, quando Yauch anunciou publicamente que estava doente. Mesmo naquelas circunstâncias, não dava pra levar totalmente a sério. O <a href="http://www.youtube.com/watch?v=u7CH3M7cECI" target="_blank">vídeo</a> do comunicado tinha MCA e o companheiro Adam “Ad-Rock” Horowitz fazendo graça e tranquilizando geral, afirmando e reafirmando que as perspectivas eram boas e que a cirurgia pela qual o rapper teria que passar não prejudicaria seu desempenho vocal.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois anos se passaram e nem uma palavra a mais foi dita sobre o assunto e a suposição geral era que tudo tinha dado certo. Até que no ano passado a aparição dos três beasties no finalzinho do curta <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=evA-R9OS-Vo" target="_blank">Fight For You Right Revisited</a></em> revelou um MCA visivelmente frágil, mais magro e de barba completamente branca, movendo-se sempre um passo atrás dos outros. Ainda assim, ninguém aventou a possibilidade do fim, ocupados que estávamos em ouvir <em>Hot Sauce Committee Pt. 2</em> de cabo a rabo.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Yauch não morrem apenas os Beastie Boys, mas todo uma rede de tentáculos e atividades paralelas à banda. Rapper, baixista, ativista da causa tibetana, produtor e diretor de cinema, embarcou de cabeça em todas as ondas do trio, por vezes refinando e melhorando as ideias. Da experiência frustrada com o selo/revista Grand Royal, partiu para fundar a produtora <a href="http://www.oscilloscope.net/films/" target="_blank">Oscilloscope Laboratories</a>, responsável pela distribuição de filmes que talvez não encontrassem casa em outros escritórios mais caretas &#8211; o tão comentado <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=AMmMN5Ge570" target="_blank">Precisamos Falar Sobre o Kevin</a></em> e o documentário do LCD Soundsystem <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4tK7ERRrpzo" target="_blank">Shut Up And Play The Hits</a></em> são alguns que constam no currículo do estúdio.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela Oscilloscope, Yauch também se aventurou atrás das câmeras. Nos Beasties Boys e sob alcunha de Nathaniel Hornblower dirigiu vários clipes, o filme-concerto <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PD5XZacG7kw" target="_blank"><em>Awesome, I Fuckin’ Shot That!</em> </a> e o já citado <em>Fight For You Right Revisited</em>. Com nome próprio, debutou como documentarista com<em> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=nILTtwCgII8" target="_blank">Gunnin’ For That #1 Spot</a></em>, sobre as aspirações de jovens jogadores de basquete em busca de uma vaga na liga profissional, e coordenou o lançamento da videografia completa da banda para a <a href="http://www.criterion.com/films/638-beastie-boys-video-anthology" target="_blank">Criterion Collection.</a> Como ativista, criou a Milarepa Fund, ong em prol da independência do Tibete e nos anos 90 ajudou a criar o Tibetan Freedom Concert que chamou atenção para a causa com shows de Red Hot Chili Peppers, Rage Against the Machine e outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os milhares de obituários escritos sobre Yauch, o que mais me chamou atenção pelo título foi <a href="http://blitz.sapo.pt/adam-yauch-1964-2012-o-beastie-tranquilo=f81207" target="_blank">o da revista portuguesa Blitz</a>, que o definiu como “o beastie tranquilo”.  Pode não parecer dado o extenso currículo do cara, mas faz todo o sentido.</p>
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		<title>Cabra cega: Diego Albuquerque</title>
		<link>http://www.oinimigo.com/blog/2012/05/04/cabra-cega-diego-albuquerque/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 10:15:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hugo Morais</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/cabra-cega-diego.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7830" title="cabra cega diego" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/cabra-cega-diego.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Em mais uma ida a Recife para conferir como seria a edição de 20 anos do festival Abril Pro Rock, resolvi fazer a segunda cabra cega (veja como foi a <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2009/08/29/cabra-cega-alexandre-alves/" target="_blank">primeira</a>) do Inimigo &#8211; não que não tenhamos tentando outras, simplesmente não deram certo. E o jeito foi fazer o serviço sem a ajuda do brother Alexis Peixoto que ficou em Natal terminando o roteiro de uma peça a ser encenada em breve numa festa ao ar livre onde o público terá que trajar apenas roupas íntimas.</p>
<p style="text-align: justify;">A figura escolhida para a segunda cabra cega foi Diego Albuquerque. Biólogo que no momento faz doutorado. Mas porque fazer uma cabra cega com ele que não é jornalista, ou músico? Bem, vocês não sabem quem é Diego, mas conhecem o <a href="http://www.hominiscanidae.org/" target="_blank">Hominis Canidae</a> &#8211; e se não conhecem deveriam. Pois bem, Diego é o cara por trás do cachorro. Sem zoofilia. E recentemente lançou a revista <a href="http://mionline.com.br/" target="_blank">MI &#8211; Música Independente em Pernambuco</a>, feita com comparsas locais.  A revista é física e virtual, e sempre virá acompanhada de um CD com músicas que preferencialmente não estejam nas paradas de sucesso.</p>
<p style="text-align: justify;">O papo foi no domingo, pós-sábado de Abril Pro Rock, e Diego já chegou dizendo que ainda estava surdo. Ao nosso lado a estátua do poeta pernambucano Ascenso Ferreira, no Cais da Alfândega, às margens do rio Capibaribe. A estátua faz parte do <a href="http://www.demetrioesculturas.com/2007/index.php?option=com_content&amp;task=blogsection&amp;id=8&amp;Itemid=29" target="_blank">Circuito dos Poetas</a>, idealizado para ser um circuito turístico-cultural onde o turista conhece o centro de Recife e suas personalidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de começar, baixe <a href="http://www.mediafire.com/?cvg9dca9c9mvi9x" target="_blank">as músicas</a> para escutar enquanto lê o texto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong style="text-align: justify;">[Barbara Eugênia - "Agradecimento"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo Morais:</strong> Vamos lá, essa é fácil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> Isso é Céu? Não é <a href="http://www.ceumusic.com/" target="_blank">Céu </a>não? <a href="http://www.barbaraeugenia.com/" target="_blank">Bárbara Eugênia</a>. Parece com Céu. Eu não lembro que música é essa não. É tu que gosta do disco dela, não é?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Gosto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Eu acho legal. Acho ela uma gracinha, véio. Inclusive outro dia eu mandei no facebook um clipe novo dela e falei: &#8220;cadê Bárbara Eugênia no Recife?&#8221;. Ela respondeu: &#8220;É, cadê?&#8221;. Eu fiquei: &#8220;pô&#8230;&#8221; Quase botei um coração embaixo (faz o gesto com as mãos). Eu não sei o nome da música, eu não sei o nome de nenhuma música do disco dela. Só de &#8220;Firebomb&#8221; que é massa o nome. [O nome na verdade é "Drop the bombs"].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> O que você acha dessa &#8220;nova&#8221; cena brasileira?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> De mulher?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Tudo. Dessa cena MPB/Rock&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Eu tô achando massa porque tá parecendo&#8230; Vou falar uma frase de <a href="http://karinabuhr.com.br/novo/" target="_blank">Karina Buhr</a>, feminista como só ela, ela disse que não existe essa história de homem e mulher não, todo mundo compõe. Eu tô achando massa a nova cena feminina porque você vê que é uma galera que faz a parada. Tá botando mais o pé mesmo, porque se antigamente botava não deixava claro. Mas essa nova cena da MPB é cíclico, tá ligado? É uma coisa que é bom porque tá aparecendo e ocupa o lugar de uma galera que não deveria ter mais espaço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Tem alguém em especial que tu gosta?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Eu gosto do CD de <a href="http://tuliparuiz.blogspot.com.br/" target="_blank">Tulipa Ruiz</a>. O CD é muito bom e o show é legal. <a href="http://www.marcelojeneci.com.br/site/" target="_blank">Marcelo Jeneci</a> é um cara que eu não prestei atenção no disco direito e fez um show aqui no Rec Beat (estávamos em frente ao local onde é montada a estrutura do festival) e eu achei o show impressionante. E o cara realmente se garante, sabe fazer a parada. Mas dessa nova cena eu ainda acho tudo muito parecido. Cícero tem um disco bom, umas canções legais, mas não é 100%. Os CDs das mulheres estão melhores que os dos caras. Tem um cara chamado <a href="http://www.myspace.com/gustavoprafrente" target="_blank">Gustavo Prafrente</a>, acho que de Curitiba, que o disco dele é muito bom. Eu escutei outro dia, não conhecia, e achei muito bom. E tem um projeto do Piauí, que não vou lembrar o nome agora, que é meio lo fi e achei muito bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Na <a href="http://mionline.com.br/" target="_blank">MI </a>(Música Independente em Pernambuco) você falou do D Mingus, que tem até a música no CD que vem encartado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> D Mingus eu nem chamo de MPB, eu chamo de Folk, psicodélico. Se aquilo for MPB, pra mim ele é o melhor do Brasil. Eu coloco ele no mesmo saco do cara lá de Natal, o <a href="http://www.dosol.com.br/2011/11/dosol-net-label-peaceful-pants-rn-floating-island/" target="_blank">Peaceful Pants</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Beastie Boys - "Don't Play No Game That I Can't Win"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> <a href="http://www.myspace.com/seletores" target="_blank">BNegão</a>, o CD que nunca sai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo Morais: </strong>Não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego: </strong>É não? Sério que isso não é BNegão? Começou com um trompetão de Pedro Selector todinho, véio. É bom, não estou lembrando o que é não, mas é bom. Eu conheço essa música, conheço esse trompetão. Ah cara, é <a href="http://blog.beastieboys.com/" target="_blank">Beastie Boys</a>. Com aquela mulher <a href="http://www.myspace.com/santigold" target="_blank">Santigold</a>. Muito boa essa faixa e o clipe é muito bom. O <a href="http://youtu.be/lEgduwsINW8" target="_blank">clipe</a> é melhor que a faixa se duvidar, mas o disco é massa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Você gosta da carreira toda deles?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Assim, eu não sou profundo conhecedor dos Beastie Boys não, mas tudo que eu escutei deles eu achei massa. Eu queria ver ao vivo, queria ter a oportunidade. Podia rolar no Arruda (estádio do Santa Cruz onde Paul McCartney fez seus shows em Recife) que eu ia pro show. Eu acho que eles dessa cena eletrônica sobrevivem até hoje porque são os que mais reinventam. Os outros somem. O Atari Teenage Riot voltou agora, mas passou cinco anos sumido. Prodigy sumiu, aí aparece do nada. Os Beastie Boys por mais que tenham dado um tempo estavam produzindo. E esse trompetão no começo da música é do caralho. É coisa de BNegão que não lançou CD ainda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Black Lips - "Raw Meat"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> Cara, eu sou muito ruim com essas bandas que são parecidas com dez bandas diferentes. Eu já escutei isso. Parece dez mil bandas aí. Não vou lembrar não. É novo ou velho?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo Morais:</strong> Já tem uns discos, já tocou no Brasil. Disco novo é bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego: </strong>Disco novo é de quando?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Hugo:</strong> Do ano passado. Entrou na lista da <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2011/12/29/listao-2011-gringos/" target="_blank">gente</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> É bem O Inimigo mesmo, Alexis gosta dessas coisas. Lembro não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Nada? <a href="http://youtu.be/XKdIv5N6rZY" target="_blank">Black Lips</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Tu botou na lista do <a href="http://www.altnewspaper.com/materias/os-cinco-melhores-discos-nacionais-e-um-dos-gringos-que-hugo-morais-o-inimigo-ouviu-no-ano-de-2011-2/" target="_blank">Altnewspaper</a>. É o tipo de som divertido que até eu veria show, porque é muito parecido com sei lá&#8230; The Woods fazia isso há 30 anos, até os caras pré-Ramones, que influenciaram eles. Mas é o tipo de som que eu escuto e passo. É tipo Ramones, eu escuto, passo. Não vou ficar preso aquilo não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Cidade Cemitério - "De Vítima a Algoz"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> (Já nos primeiros segundos) Eu gosto mais disso aí. E que também não é nada demais, né? <a href="http://cidadecemiterio.bandcamp.com/" target="_blank">Cidade Cemitério</a>? Muito bom o disco, né véio? Os caras são foda. Mas também tem um cara do <a href="http://www.violatorthrash.com/" target="_blank">Violator</a> (Poney, na guitarra) na banda, né? Já bota pra cima a banda. Eu queria ver ao vivo. Cadê Foca? Foca, preste atenção, escute aí. É uma banda que devia ter rolado no AbrilProRock ontem. Talvez por ser banda nova não rolou, esperar o próximo ano. Não sei se a banda vai durar. Mas eu gostei do disco, achei muito bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Joy Division - "No Love Lost"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> Nossa, que som básico. Baixo e bateria, guitarra fazendo um solinho. Isso é gringo também, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo Morais: </strong>Essa gravação tem pra 40, 35 anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> O que é isso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Nada? Deixa entrar a voz pra ver se tu conhece.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Né Bowie não, né véio? Eu tenho um problema com Bowie. Não é nem que eu não curto, eu não entendo. O instrumental da música não me vem nada, talvez por parecer muita coisa também. É bem antes dos Ramones, aquela galera, tipo <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2012/01/30/o-preto-do-padre/" target="_blank">Monks</a>. É Monks?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Não.</p>
<p style="text-align: justify;">1m50s depois entra a voz de Ian Curtis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Vou lembrar não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Primeiro Ep do Joy Division.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Putz, joguei ele no blog gringo. 1976? Bem sujeira. É bom, achei massa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Mostrei pra Alexis porque ele não gosta de Joy Division. Mas dessa fase ele gostou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> É porque é diferente do Joy Division que todo mundo conhece. É outra banda praticamente. Não sei nem se os integrantes são os mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: </strong>São os mesmos. Daqui, que tem muita coisa diferente, contrário a Natal que é cíclico&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Tu acha cíclico? Eu tô achando tão constante&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Cíclico em referências. Quando aparece é todo mundo de uma vez. Agora por exemplo está essa lance mais pop. Aqui tem uma coisa mais forte que outra?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Não, porque aqui é muito amplo. Recife virou uma cidade grande. Acho que a realidade é essa. Virou uma cidade grande e tem coisa que a gente não conhece. Tem coisa que aparece fora que é de Recife e você nem sabia. E tem muito gueto. A galera tá se fechando. Tem umas bandas novas aparecendo, mas sem um estilo a seguir. Coisa nova daqui que eu escuto e também é fechado é da galera que organiza o <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100002273390863" target="_blank">Desbunde Elétrico</a>. Que são os caras que são meio lo fi. Tipo <a href="http://www.myspace.com/zecaviana" target="_blank">Zeca Viana</a>, <a href="http://www.myspace.com/dmingusp" target="_blank">D Mingus</a>. Os caras da revista que a gente entrevistou vão muito nessa onda. <a href="http://www.myspace.com/marditusoundz" target="_blank">Marditu Soundz</a> é uma parada completamente aloprada, abestalhada. Que é o cara que gravou em casa só com instrumentos de percussão e nem usou bateria. Usou só caixa de disco e tal. E tem a cena instrumental que é uma coisa que eu gosto. Então acaba chegando pra mim muito mais fácil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Tu acha que essa cena instrumental é passageira ou vai durar ainda? Na verdade passageira não é porque já tem alguns anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Acho que ficou. Acho que está faltando gente que escreva. A sociedade tá ficando burra também, as pessoas que escrevem estão cada vez menos escrevendo. Você não vê letrista genial, tanto que Marcelo Camelo é ovacionado. Porque o cara escreve bem, é bom, mas está longe de que fez coisa foda. Talvez por isso Chico Buarque ainda tenha espaço também. O cara escreve bem. Acho que a cena instrumental cresceu por causa disso também. &#8220;Eu não sei escrever, não tenho o que dizer, falo com a música&#8221;. E outra, descobriram que não precisam falar nada com a música. Letra limita, o cara tem que gostar do que eu estou falando. E o instrumental tem o que falar, tem título que fala mais que uma letra toda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Ou foi Sivuca ou Hermeto Pascoal que falou uma vez que toda música deveria ser instrumental, porque se não tem uma letra, você escuta e pensa o que quiser. Lembra de algo, imagina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> É bem coisa de Hermeto falando essas coisas. A letra limita. Mas também tem banda usando a voz como letra. Banda de metal fazendo grunhindo, por exemplo. O Desalma está fazendo isso, as letras não dizem muita coisa, mas faz todo o sentido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Little Quail And The Mad Birds - "Me Espera Um Pouco"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> Outra estrutura básica, pop, besta. O que é isso porra? É de Natal? <a href="http://www.myspace.com/jupiterapple" target="_blank">Júpiter Maçã</a>? Não vou matar. E é nacional, pensei que os nacionais eu ia matar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo Morais:</strong> Pré-<a href="http://autoramas.uol.com.br/" target="_blank">Autoramas</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Ah porra, <a href="http://youtu.be/pfKutIBRJOk" target="_blank">Little Quail</a>. Som babaca e divertido. É melhor que Autoramas. Autoramas eu acho que é mais caricato, Little Quail mais divertido. Por mais que o Autoramas também seja divertido. Gabriel é um cara legal, do rock brasileiro ele é bem desencanado. E isso é massa, falta isso na galera. É todo mundo muito encanado. Hoje em dia está 100% político a galera. Até quando fala é com atitude política. Um exemplo na música, até instrumental, são os caras do <a href="http://www.myspace.com/macacobong" target="_blank">Macaco Bong</a>. E quando falam é bem numa atitude até muito agressiva as vezes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Por falar nisso, aqui em Recife causou uma celeuma da porra porque Capilé questionou o que Recife tem a contribuir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Recife é rancoroso e Capilé também foi. Acho que ele ia se dar muito bem em Recife, ia fazer muitos amigos. (risos) Ia ser rancoroso junto com os demais, ia ser uma alegria da porra. Abraço coletivo, esquema bem bicho grilo. O que é legal, mas eles estão vendendo a cena do Pará agora. Antes era aqui, morreu e a cena nova é a do Pará. E as coisas do Pará que eu gosto são todas velhas. É pessoal. Eu acho o som ruim, fraco. E você vê o <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2012/03/21/a-verdadeira-lambada/" target="_blank">Mestre Vieira</a> construindo uma parada do caralho e a galera destruindo. Os Mestres da Guitarrada por exemplo, o mais novo lá, como é o nome dele?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Pio Lobato?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Isso, é muito bom também. O disco novo dele (&#8220;<a href="http://www.hominiscanidae.org/search?q=pio+lobato" target="_blank">Café 2</a>&#8220;) é foda e é música do Pará.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> <a href="http://www.myspace.com/caldodepiaba" target="_blank">Caldo de Piaba</a> eu acho massa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> É, Caldo de Piaba também. Mas agora a galera fica prendendo pro brega. De tecnobrega e tal. E nada contra Gaby Amarantos, eu só não gosto do som. Acho ela divertida, torço muito, vi que ela está na novela, parabéns. E outra, não acho que tem que ter a cena de uma cidade e militar as outras não. Eu vejo que a galera vai nessa onda: &#8220;ah, Recife é a capital da música&#8221;. As outras não podem ser? O Brasil é grande pra caralho e vai ficar se limitando a um estado, uma cidade? Acho muito pobre e triste.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Inevitável se falar em música e não citar o Mangue Beat. E tem muita banda pós-mangue boa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Vou voltar a falar da MI. Na revista tem 10 bandas, o que mais batemos foi no pós-mangue. Porque quase todo mundo da minha idade é pós-mangue. É culpa da galera. Você não consegue desatrelar. Quem cresceu na década de 90 em Recife tem uma opinião sobre Chico Science &amp; Nação Zumbi. E tem alguma coisa deles e gosta de alguma coisa, pode achar um disco do caralho e achar os outros uma merda. Mas esse disco do caralho vai fazer um sentido tão grande na sua vida&#8230; Eu tenho a opinião que Nação Zumbi é melhor que Chico Science. Eu gosto mais da sonoridade da <a href="http://www.nacaozumbi.com.br/" target="_blank">Nação Zumbi</a>. <em>Rádio S.A.M.B.A.</em> pra cá é muito melhor do que antes. Eu tô falando da sonoridade, porque era muito pop, era muito do mundo. Eu acho que se Chico Science estivesse vivo seria o maior artista da MPB nacional, o maior expoente do Brasil no mundo e ia ser massa porque Gilberto Gil não ia existir com essas babaquices. Chico Buarque não ia existir, essa galera todinha ia estar comendo poeira. Agora provavelmente a Nação Zumbi não existiria mais. Provavelmente ele seria um artista solo pop, porque ele era muito maior que tudo que estava junto com ele. E não porque os caras da Nação não tivessem talento, era porque ele era um absurdo. Os caras são bons, tanto que continuam até hoje. Mas o lance do pós-mangue tá ficando crítico, é muito bizarro. Aí a galera fala mais do <a href="http://www.myspace.com/mombojo" target="_blank">Mombojó</a>, como o expoente, mas talvez porque seja a banda que tenha mais contato, seja mais articulada. Eu acho a banda boa, mas achava mais quando era a banda do primeiro disco. Hoje em dia eu acho muito pasteurizado. Eu acho que porque falta gente pra fazer. Fico triste quando escuto as músicas do primeiro disco. Sinto falta da flauta de Rafa, do violão de sete cordas de Marcelo (Campello). A banda é legal, mas virou outra coisa. Tem que conviver com isso e a banda consegue.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Os Mutantes - "Trem Fantasma"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque: </strong>(Ainda na parte instrumental) <a href="http://www.myspace.com/sibaeafuloresta" target="_blank">Fuloresta e Siba</a>?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Hugo Morais:</strong> Bem antigo.</p>
<p><strong>Diego:</strong> Mestre Ambrósio? (começa a voz de Rita Lee) Caralho, Mutantes. Eu ia dizer, mas&#8230; A banda do Brasil antes de Chico Science &amp; Nação Zumbi.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Você falou que se Chico estivesse vivo seria o maior artista do Brasil. Os Mutantes eram a maior banda do Brasil?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Foi, porque todo mundo gosta de Mutantes. Mas é muito perigosso isso também de todo mundo gostar de Mutantes. Eu acho a banda muito boa, tenho a discografia em mp3, é uma banda que escutei muito por mais que minhas referências não sejam da banda. Era uma banda muito heterogênea, tem coisas que você absorve, outras não. Eu gosto muito do <em>Lóki?</em>, solo de Arnaldo Baptista, acho um disco muito bom. O cara toca muito, é foda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Você falou que eles eram muito heterogêneos, nessa linha tem alguém que chame a atenção. Porque o<a href="http://www.myspace.com/cerebroeletronico" target="_blank"> Cérebro Eletrônico</a>, que vimos ano passado no Festival Mundo, pra mim era um dos shows mais aguardados e fiquei frustrado. Tá faltando ousadia pra investir em algo mais heterogêneo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Eu achei fraco também. Mas acho que a MPB atual até que está heterogênea, só não experimenta. Ficam muito na maciota e vão levando. Na música pop, porque experimental na linha instrumental tem muito. Agora não é som pop que vai pegar todo mundo e acharem lindo. Eu acho o CD do <a href="http://www.bandagarotassuecas.com.br/" target="_blank">Garotas Suecas</a> bom, queria ter visto ao vivo. Mas ainda não tive a oportunidade. Agora é muito heterogêneo também que tem horas que você fica: &#8220;porra, precisa disso tudo?&#8221;. E eu acho as vezes uma forçação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> A<a href="http://www.myspace.com/myholger" target="_blank"> Holger</a> que tocou aqui ano passado não gostei. É um pouco essa visão da forçação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Ah, mas a Holger é o lance do indie rock. Os caras ao vivo viajam num lance <em>poperô</em>, axé da Bahia e tal. Meio Do Amor, que eu não gosto, acho muito ruim. Vou ser bem claro: é uma banda muito ruim, muito babaca. (risos) Não entra na minha cabeça, é heterogêneo demais. Pronto, é a forçação. Tu já ouviu a versão do <a href="http://www.myspace.com/doamor" target="_blank">Do Amor</a> pro <a href="http://www2.uol.com.br/loshermanos/" target="_blank">Los Hermanos</a> né? Foi tu que definiu como Unidos do Caralho a 4, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Ouvi. (risos) Não, foi Alexis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego: </strong>Mermão, é muito Unidos do Caralho a 4. Você não leva a sério aquilo ali, eu não levo. É horrível, é muito ruim a versão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Foi por isso que gostei, porque fica um negócio que não é sério. Uma fuleiragem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Se foi pra não levar a sério eles se garantiram. Ficou muito bom, mas se levaram a sério, porra! Vamos ter tento. O Holger eu tenho um problema com eles ao vivo. Eles ficam muito nessa onda de axé de indie que é um lance que eu não gosto. Acho que axé não deve se misturar com indie rock. Pra mim não funciona e nunca vai funcionar. E aí o que parece, sendo bem preconceituoso, parece aqueles caras do Sul/Sudeste que vão pra micareta no interior pegar mulher. Mas gostam de indie rock e vão tocar indie rock com Chiclete com Banana. Eu não conheço nenhuma banda que funcionou. E o EP do Holger eu acho massa, mas o CD que é nessa vibe axé indie ficou estranho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[The Clash - "White Riot"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> Você trouxe muita música básica parecidas umas com as outras, véio. Porra, isso é Clash? Classicão. Você não entende porra nenhuma que o cara está cantando, mas é massa. A voz é um instrumento aí. Você tem que ser perito em inglês pra entender o que esse porra está cantando. Você entende algumas partes, tô tirando onda, mas o começo todo mundo gritando você não entende porra nenhuma. É uma banda divertidíssima. Eu comprei o <em>Combat Rock</em>, tipo R$ 10 nas Lojas Americanas em 1997 e fui muito feliz. E o <em>Combat Rock</em> é um dos mais chatos, depois de escutar os outros você vê que é bem fraco. Voltando pro papo do experimentalismo no pop, eu acho que Tulipa faz isso um pouco. O pai dela foi do Isca de Polícia, então talvez tenha esse lance do Itamar (Assumpção) nas costas e aí ele tente usar no som dela em algum momento. Ela faz o que Gal já fez também. Minha mãe escutou o CD dela e achou que era <a href="http://www.galcosta.com.br/" target="_blank">Gal Costa</a>. Até Bárbara Eugênia tenta experimentar alguma coisa. Já <a href="http://www.tiemusica.com/" target="_blank">Tiê</a> é bem pop babaca, chato.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Tu escutou o novo de Céu?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Escutei uma vez, duas, não entendo Céu. Céu é o BNegão das mulheres. Tem aquela vibe meio groove, meio reggae que eu gosto, mas a voz é meio devagar, meio sonolenta. Eu vi um show aqui no Rec Beat que todo mundo disse que foi o show da vida e eu achei bem básico. Não é ruim, mas não boto no patamar que colocam ela.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Yuck - "Georgia"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> Isso é The Cure? Isso é muito The Cure. É nacional?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo Morais:</strong> Inglês.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Uma mulher cantando, véio? É novo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> É.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Yuck não, é? É o Yuck, né? Eu ia dizer que é Sonic Youth com uma pitada de The Cure. O disco não é ruim não, eu achei legal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Os anos 90 estão voltando?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> É, né? <a href="http://www.dinosaurjr.com/" target="_blank">Dinosaur Jr</a> na cabeça da galera, afetando todo mundo. É bom, mas pra mim é passageiro. Eu não sei dançar, talvez isso seja um problema. Porque é uma coisa que se tocar numa balada indie é massa de dançar, mas eu não sei dançar, aí fica ruim. É legal, mas eu não mato e nem morro por isso não. Não é o tipo de banda que eu iria pra São Paulo sacar, entendeu? Eu estou na ânsia de me arrepender de não ter ido pro Sonar, porque vai ter Mogwai. E tem muita coisa que eu não conheço, seria bom pra conhecer. Mas tem muita banda desconhecida. E as bandas nacionais do Sonar são muito boas. Eu queria ir pra ver os shows das nacionais e Mogwai, porque Mogwai é uma parada velha da porra, é um lance que eu carrego já. Eu não resenharia esse disco, tenho muita preguiça de resenhar. Pra resenhar tem que ser alguma coisa que eu tenha escutado muito e gostado bastante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Você falou em resenhar, a revista MI quando você mandou, eu achava que ia ter várias coisas diferentes. E é só entrevista, e grandes. Porque lançar uma revista dessa e que só fala de Recife?</p>
<p><strong>Diego: </strong>É um impresso, né velho? Tem que ser coisa grande. No computador acho foda de ler. Mas no impresso faz todo sentido. E o lance de ser sobre Recife é porque a gente é daqui e é mais fácil fazer aqui. É uam revista sem recursos, então é difícil, porque a gente quer fazer as entrevistas ao vivo, é pegar o feeling ao vivo. Mandar por email o cara escreve dez vezes, edita e manda. E é o tipo de entrevista que você não vê. Eu não sou jornalista, então acho que posso falar. Eu acho muito babaca as entrevistas hoje em dia. A gente quer fazer entrevistas carregadas, com perguntas que são provocações.</p>
<p><strong>Hugo:</strong> A pergunta da escaleta eu tive uma crise de riso. Qual a influência da escaleta na nova música pernambucana. Eu ri.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Na época pós-mangue, indie rock, anos 2000, o Mombojó é umas das bandas. O Radio de Outono usava escaleta, Parafusa, Mellotrons, teve quem fez dub usando escaleta, todas as bandas de Recife pós-mangue usaram escaleta. Aí ficou um negócio meio: &#8220;a escaleta é a nova referência musical pernambucana, tiraram as alfaias e botaram escaleta&#8221;. E a pergunta foi pra uma banda nova que assistiu isso tudo, a <a href="http://www.myspace.com/kalouv" target="_blank">Kalouv</a>. Aí eu achei muito pertinente perguntar, porque eles são da geração escaleta. E a resposta foi grande e gerou toda uma discussão.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando pra MI, o lance de ser grande, é porque é pra dar espaço pra falar mesmo. A primeira coisa que eu digo quando vamos fazer uma entrevista é: tudo que você falar será aproveitado de alguma maneira. Saiba o que você está falando. Os caras da Kalouv, por ser uma banda nova, ficaram meio retraídos no começo. Todo mundo diz que conhece a música pernambucana. A galera diz que conhece, na revista tem 10 bandas, você conhecia quantas? Quem ouviu falar na MadelleFammes que em 1999 fazia rock instrumental de improviso gravando ao vivo? Quem ouviu falar do Pajé Limpeza que era o projeto antigo de Grillo que trabalhava com o pessoal mais voltado para a parte artística da Telefone Colorido e Molusco Lama? Era um som louquíssimo. Teve um show de Manu Chao, o primeiro dele aqui, e os caras tocaram do lado. Marditu Soundz é um cara que tá no rock há muito tempo, ele é baterista da Monodecks, mas a gente pegou esse projeto dele. Toca com D Mingus também, mas você não houve falar. E é música pernambucana nova. D Mingus é novo mas está desde 1990 fazendo música. Ele saiu na revista, tocou na festa na Livraria Cultura e na outra semana estava no jornal. Os caras esperam, não vão atrás, tudo muito acomodado. Tem uma coisa muito importante na revista: são entrevistas grandes, densas, que a gente quer que a galera pare pra ler, é atemporal. Eu espero que as pessoas guardem, peguem depois pra ler. A gente fica na ânsia de saber o que acharam, mas entendemos que não dá pra ler de uma vez. Tem o lance artístico que a arte é massa. A música está muito descartável, a gente está tentando despertar o interesse na música de novo, prender com a revista.</p>
<p style="text-align: justify;">O lance mais importante é a curadoria, quebramos o pau toda vez que vamos fechar uma revista. Junta eu, Édipo e Raul e a gente quebra o pau, no bom sentido. A segunda edição eu achei melhor que a primeira, achei as bandas melhores e as entrevistas estão maiores, tá foda pra editar. A gente está vendo se vai colocar a entrevista na íntegra no site, porque cada banda tem 10 páginas, e a letra está bem pequena porque tentamos colocar o máximo de cada artista. Mas teve que editar todo mundo. Tem entrevista que eu estou editando agora que tem 18 páginas e estou editando pra oito. Tô perdendo coisa pra caralho. Aí é o problema do físico, o espaço. Mas se colocarmos na internet a galera não vai ler. A gente está fazendo um levantamento histórico até, porque tem banda que nem existe mais. Raul Luna trabalhava com cinema, é designer, discoteca, faz arte de capa pra um monte de gente, tá no movimento há um tempão. Édipo é um cara olindense que nasceu no berço da Original Olinda Style, escutou aquela maloqueiragem de Olinda todinha. E eu sou o mais longe porque não sou da área e nem trabalho na área. As pessoas não me conhecem, o Hominis é um cachorro. Agora por causa do Hominis eu tenho um background, porque escuto muito som.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[Arthur Rosa - "Nos Meus Sonhos"]</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego Albuquerque:</strong> É tampinha. Mas é ele ou é&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo Morais:</strong> É ele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Mas essa aí é muito <a href="http://www.myspace.com/osbonnies" target="_blank">Bonnies</a>. É do CD que tu me deu? Não lembro dessa não. Essa é a mais Bonnies de todas. As outras são mais lo fi.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Ele está no mesmo esquema do D Mingus, gravando tudo sozinho em um quartinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Eu gosto mais de D Mingus pelas referências dele. Tampinha acho mais reto. D Mingus tem umas viagens. Mas eu achei muito bom esse disco de Tampinha, dele ter conseguido gravar em casa com uma qualidade boa. Eu acho que essa galera que produz, tem que lançar mesmo. Não conheço Arthur, mas pelo que entendo ele é um cara inquieto, que produz muito. Então ele tem que botar pra fora mesmo. Se não está rolando Bonnies agora, vai ser no solo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> O último disco dos Bonnies foi gravado pelo Prêmio Núbia Lafayette que englobava gravação, discos físicos, shows em Natal e interior. Mas deu uma merda, faltou dinheiro, e teve gente sem disco, sem show. Foi todo gravado em estúdio bom, finalizado no Megafone com Eduardo Pinheiro, mas ficou tão bom que eles não gostaram e renegaram o disco. Fizeram de novo, porque ficou muito limpo, profissional e eles gostam do lance mais lo fi, mais sujo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> Foi uma pergunta que fizemos pra D Mingus, se ele gostava de ser lo fi ou era por necessidade. Tem gente que gosta de ser. Acho que é o caso dos caras, quando eles tem condições de não ser, preferem ser. É uma característica louvável. O que eu acho massa é produzir, porque vejo que tem muita gente que prende. É um lance meio punk de ser, de fazer acontecer mesmo, meio Ian Mackaye. Tem muita gente se prendendo, mas também tem muita gente gravando. De Natal, a Calistoga se deixar grava um EP por ano. E até tem qualidade, eles são chatos pra caralho com qualidade. Ou seja, imagine a galera que não liga pra esse lance de qualidade, poderia produzir muito mais. Isso rola em todo lugar, inclusive aqui, aí entra o lance da muleta de edital. De ficar esperando a grana pra gravar sabendo que poderia ter gravado antes. Aí é um lance de política pública e já estamos saindo da música. E até concordo com <a href="http://www.myspace.com/chinaina" target="_blank">China</a>, que nem gosto do som dele, mas é um incentivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo:</strong> Vez ou outra na MI as bandas tocam no assunto da Nação Zumbi, por exemplo, vir tocar aqui no carnaval, no Festival de Inverno de Garanhuns, e voltar pra São Paulo. E poderia ser um dinheiro investido em bandas menores que o público não conhece. E tudo bem que a Nação tem sua qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego:</strong> O som continua massa, mas tem uma coisa muito chata: não entra na minha cabeça uma banda como a Nação tocar em um evento da prefeitura e ficar enchendo o saco no twitter dizendo que não recebeu. Larga o osso porra.  Mas não larga. Como é que você quer que eu acredite que você não recebeu se você não deixa de tocar? Seja homem, bote a cara e diga que não vai tocar se não está pagando. Aí voce vê uma galera que é praticamente funcionário público porque só toca em evento da prefeitura. Aí ficam nessa de ficar reclamando depois. O Eddie fez isso, a Nação. E são bandas que eu acho que não precisam disso. Lógico que a prefeitura tem que pagar, mas está faltando posicionamento dessa galera. &#8220;Ano que vem o carnaval não vai ter nem <a href="http://www.myspace.com/bandaeddie" target="_blank">Eddie</a>, nem Nação, nem <a href="http://www.mundolivresa.com/" target="_blank">mundo livre S/A</a>, faz aí do jeito que vocês quiserem&#8221;. E sem campanha, só se posicionar.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma coisa que talvez o Fora do Eixo tenha razão, falta posicionamento. E você viu lá na revista o pessoal falando das panelinhas. Existe e existe em qualquer ambiente. É um lance que está atrelado ao ser humano. Agora poderia se rmais aberto e democrático. Quam escolhe? Porque escolhe? Qual a capacitação? Se fulaninho é irmão de alguém que está na curadoria, não deveria nem participar. O Mangue foi um movimento foda, com bandas fodas, mas Recife tem novas bandas. E a galera continua presa a uma galera que inclusive não precisa mais da prefeitura. Eddie faz show no UK Pub a R$ 40 e lota. Faz um evento no Mercado Eufrásio Barbosa e lota. Então o bom seria chamar outras pessoas pra fazer a coisa, escolher as bandas. Mas aí vai existir outra panelinha, mas pelo menos é uma panela nova. (risos) Por exemplo: Ferrugem, da Mata Norte, tem que ter o mesmo espaço que a Desalma. E você não vê metal no carnaval. Mas não é multicultural? É mentira. E quando tem é na quarta-feira de cinzas as 2h da manhã da quinta. Porque não toca uma banda de metal no Marco Zero? Uma instrumental? Porque não tem rabequeiro? Tinha que ir lá pra Casa da Rabeca lá no alto de Olinda pra ver Mestre Salu, quando Mestre Salu era vivo, por exemplo. Então já que é multicultural tem que democratizar, tem que rolar do axézinho do É o Tchan até o <a href="http://www.myspace.com/desalma" target="_blank">Desalma</a> e de preferência no mesmo palco. Por mais que eu veja que não dá pra rolar, mas se é pra descentralizar, descentralize todo mundo. Tu já viu reggae no carnaval de Recife? É muito raro. E reggae é uma coisa pop. E você não tem como ver tudo que quer, mas sendo descentralizado ajuda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: Philipe Soares</strong></p>
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		<title>Entrevistão: Projeto Trinca</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 19:07:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe O Inimigo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/projeto-trinca.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7811" title="projeto trinca" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/projeto-trinca.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://www.projetotrinca.com/" target="_blank">Projeto Trinca</a> deve levar esse nome por causa dos três integrantes: Bruno Alexandre (voz), Leonardo Palhano (voz e guitarra) e Raphael BJoe (teclado e programação). Ou não. Egressos do Desventura, banda-tributo ao Los Hermanos, o Trinca começou com uma pegada mais rock&#8217;n roll e experimental. Agora, com o álbum <em>Nosso Disco Dava Um Filme</em> debaixo do braço e músicas rolando no dial de algumas rádios da cidade, eles assumem de vez o pop e se preparam para a próxima onda. Sabendo que os rapazes são apreciadores de cerveja como nós, chamamos o trio para bater um papo num bar &#8211; e com jogo de futebol ao fundo. Em quase duas horas de conversa, o trio falou sobre a produção do disco de estréia, parcerias com Simona Talma e Luiz Gadelha, planos para o futuro e  comparações com certa banda carioca. E também sobre Van Damme.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Queria começar falando do disco de vocês. Foi um processo um pouco demorado, né?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Não sei precisar bem, mas entre a pré-produção e o lançamento foram uns dois anos, por aí. Envolveu muita coisa, teve muito atropelo&#8230; Muita vitória e derrota nesse meio tempo. Pra fazer um disco não basta apenas vontade, tem que ter dinheiro também! E o dinheiro a gente conseguiu uma parte pela <a href="http://fja.rn.gov.br" target="_blank">Fundação José Augusto</a> e o resto foi garimpando empresas que acreditavam no nosso projeto. No meio disso, teve a questão da gravação, produção, mixagem. A gente procurou fazer um disco bonito, tranquilo. Sem pressa mesmo. Fomos maturando o disco durante esse tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> O prêmio Núbia Lafayette contemplava só hora de gravação em estúdio. Nada além disso. Mas [fazer o disco] não é só isso. A gente tinha que pagar músicos, tinha o encarte, festa de lançamento. Tudo isso é dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Pra você ter uma ideia, esse disco custou pra gente R$ 10 mil. Sendo que o que saiu do nosso bolso, efetivamente, foram uns seis paus. O resto foi da FJA e patrocínios.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Mas o repertório do disco já existia na cabeça de vocês&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> O repertório todo foi feito em 2009. Eu tava vasculhando umas letras de Bruno, que ele passava por e-mail. “Nem a Felicidade Suportou a Minha Dor” nasceu em março de 2009. “Aproveite” foi a primeira, entre janeiro e fevereiro. Tem umas datas assim, pontuais. E essas músicas nasceram já com a ideia de arranjos, tudo pronto. A gente foi pra estúdio com o disco já pré-produzido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Mas isso não angustiava vocês de certa forma? Ter o disco todo na cabeça e não poder colocar pra outras pessoas ouvirem&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Angustiava sim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Até porque tinha um prazo pra entrega, pra prestar contas ao prêmio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Mas esse prazo, ressalte-se, a gente pediu dilação. Mas aí chegou a gestão final do governo e eles tinham que prestar contas com a Controladoria. Aí foi feito uma prestação de contas miúda. A gente entregou o nosso disco pra FJA sem estar todo mixado. Foram umas seis, sete músicas. Porque na verdade esse projeto [da FJA] ia criar um acervo, uma biblioteca, tudo bonito, disco finalizado, caixinhas&#8230; Aí entregaram pra gente 100 cópias de discos virgens e a gente fez essa prestação de contas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Na minha cabeça, a premiação do Núbia Lafayette incluía prensagem dos discos, shows aqui e no interior e tal. E outra vez, conversando com Rafael dos Bonnies, ele me disse que eles também só receberam essas 100 cópias, sem caixa, sem porra nenhuma&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> A gente recebeu R$ 4,6 mil pra horas de estúdio, em duas parcelas. Isso tava claro no edital. Tanto que eu tive de pegar uma declaração do estúdio sobre o progresso do disco pra levar na Fundação e eles liberaram. Quanto à contrapartida que a gente ia receber, era essa questão do acervo lá, bonitinho. E apresentações em escolas municipais, estaduais, essas coisas. Agora, teve o seguinte: a gente se apresentou no Projeto Seis e Meia. Mas não foram todas as bandas contempladas, foi por sorteio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Eu lembro que vi um show de vocês no DoSol, em 2009. Vocês acham que o som de vocês mudou muito, de lá pra cá? Eu particularmente achei o show mais experimental e o disco, mais pop.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> O repertório é o mesmo. Só que a gente fica reinventando as músicas. Assim, primeiro show é complicado. A gente se conhece muito musicalmente, mas [aquele] foi o primeiro show. Quando a gente lançou o disco, aquilo ali pra mim já era muito velho. Por isso que a gente já tá numa busca frenética pra fazer outra coisa agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Em termos de arranjo, é porque lá [naquele show] a gente soou mais cru. Não contamos com metal, mas no CD tem, já dá um timbre mais pop. As programações que a gente fez lá em casa, eu puxei pro show, mas nada artificial. Tô tentando me lembrar [do show] agora, mas eu não considero que houve tanta mudança não. O que houve foi a maturação das músicas. A gente aparou as arestas, deixou mais redondas, nos conformes&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Acho que essa impressão [de ser experimental] é por causa das programações. No primeiro show, praticamente só tinha programação, não tinha metal, não tinha nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Outra coisa é que ao vivo a gente toca algumas músicas sem metrônomo. Então, a gente naturalmente acelera a música.  Talvez isso possa  passar a ideia de ser algo mais cru.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Bruno falou agora que o repertório do disco já está “velho”. Ouvindo o disco hoje vocês acham que já ultrapassaram aquilo, ou ainda se consideram satisfeitos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Como banda ou pela recepção do público?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Como banda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bjoe:</strong> Eu sou aquele cara que vou escutar daqui a dez anos e não vai ter passado ainda. Eu não enjoo fácil das músicas porque cada audição pra mim é diferente. Embora sejam as músicas que a gente criou, viu nascer, elas se renovam cada vez que eu escuto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Ao mesmo tempo que a gente sente “velho”, a gente pensa também em aproveitar as músicas ao máximo. Tipo fazer outro formato, fazer um show acústico. Bruno falou bem: a gente sempre tá reinventando. Em “Sob a Luz” a gente já reinventou muito. Mudou o tom, botou uns bregas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Mas é disso que eu tô falando. Vocês ouvem o disco e pensam “Pô, isso aqui a gente poderia ter feito diferente, mudar o andamento”&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> É, a gente tá fazendo isso, um pouco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> De certa forma, [o repertório] tá velho. As músicas são de 2009, o disco saiu em 2011.  Então será que a gente vai a fundo, reformula todas as músicas, monta um acústico? Ou investe mais na produção de novas músicas? A gente pode fazer a releitura, tem músicas que cabe diretamente. Mas aí a gente ia perder o tempo de criar novas. Porque como o primeiro disco demorou muito, o segundo a gente poderia trabalhar pra sair mais rápido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: E vocês tão produzindo músicas novas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> A gente tá engatinhado. Trocando letras, já tem algumas músicas&#8230; Acho que a gente lança esse ano.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> É, mas num formato diferente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Cara, eu gosto de política de edital <em>(risos)</em>&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> É, claro,  a não ser que surja outra oportunidade dessas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Aliás, eu ia perguntar isso: vocês visualizam produzir um disco fora desse esquema de edital?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Nesse formato que a gente fez, não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Eu acho bacana também fazer um disco, sei lá, virtual. Disponibilizar um EP pras pessoas baixarem e escutar em casa. Mas um álbum, não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Tudo bem, mas e depois? Porque pode parecer questão de aparências, mas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> <em>(Interrompendo) </em>É porque um EP virtual chama um disco físico, entendeu?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe</strong>: Justamente. É o seguinte: a gente trabalhou de forma intensa pra fazer um disco assim, na vera, e depois ir pro EP&#8230; E continuar no EP, no disco virtual. E esquecer essa parte física, que foi paixão de primeiro momento. Porque [o formato físico] envolve dinheiro. Se a gente fosse lançar físico, teria que enxugar a parte estética, do encarte e tal, pra reduzir os gastos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: O próximo provavelmente não será físico então?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> A gente tá vendo isso. Estamos de olho nos editais, que agora só deve rolar no segundo semestre. Mas já começamos com essa coisa que a gente gosta, de trocar letra, compor devagarinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: No disco de vocês tem muita parceria com <a href="http://www.myspace.com/luizgadelhamusica" target="_blank">Luiz Gadelha</a>, <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2010/07/14/simona-talma-se-as-pessoas-nao-gostarem-nao-consigo-fazer-mais/" target="_blank">Simona Talma</a>. Em outros lugares eu vejo que um artista participar do disco do outro é bem comum, mas aqui em Natal tá começando agora. Vocês acham que falta isso aqui, os artistas trocarem mais figurinhas, ideias?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Eu acho que a gente começa a se aplaudir agora. Gostar, admirar outras pessoas. Eu, quando era mais jovem, pirava nos Bonnies. E é bonito isso, a gente ir no show e saber cantar as músicas. A gente aplaudir pessoas que são próximas da gente, é recente isso. Antigamente isso era mais cruel, [os artistas] eram pólos muito distantes. Não se comunicavam, não gravavam os outros. A minha relação com Simona ultrapassa isso. Quando a gente se encontra, nem fala mais de música porque já é chato, parece trabalho. Mas a gente não tem pudor de chamar eles pra tocar com a gente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Mas há controvérsias. Eu sou um pouco fechado nesse aspecto porque eu não gosto de panelinha. Se eu tenho uma banda massa e você também, a partir do momento que a gente se junta&#8230; Não falo do produto em si, mas do mercado que envolve isso aí. Fica muito restritivo à panela. Teve época aqui em Natal que as três, quatro bandas que mais tocavam tinham os mesmos integrantes alternados. Então eu sou um pouco assim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Eu entendi o que você quer falar. Mas eu tô falando estritamente na hora de gravar, por exemplo. Uma pessoa vir de fora, colaborar, tocar&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Ah sim, isso enriquece o trabalho. Quanto à isso, tudo bem. Realmente entendi errado, foi mal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Um exemplo legal disso aí era o <a href="http://www.myspace.com/pretrovisor" target="_blank">Retrovisor</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Vocês três também participam do <a href="http://www.myspace.com/bandadesventura" target="_blank">Desventura</a>. Vocês vêem influência [do Los Hermanos] no disco autoral de vocês? Em termos de letra, sonoridade, composições?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Eu reconheço isso quando as pessoas escutam. Agora teve outros exemplos também, de referências que eu fiquei feliz [quando notaram]. Mas é claro, é inevitável [a comparação].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> É a nossa formação, a gente cresceu como músico no Desventura. Los Hermanos é um pouco complicado, a composição das notas e tal. Então é natural que na hora de externar nossas composições a gente utilize essa base. Tem gente que ouve e fala “Ah, é a cara de Los Hermanos”. Mas eu não acho, apesar de que sou suspeito pra falar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Cada um que escuta vai ver uma coisa. Pra gente é mais difícil, até porque a gente escuta muita coisa.  Tudo o que a gente faz tem as coisas que a gente gosta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Pra mim é complicado. Porque assim: eu não escuto Los Hermanos desde 2005. Só escuto quando eu toco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Mas incomoda quando alguém define vocês por isso? “Como é o Projeto Trinca? Ah, é tipo Los Hermanos”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Me incomodava, mas hoje não mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Eu não! O pessoal pergunta como é o Trinca, eu digo que é pop rock. “Mas pop rock como?” Grosseiramente falando: é na pegada Los Hermanos. Mas eu não enquadro assim, nem acho parecido. Mas tantas pessoas vem falar&#8230; Não sei se pelo fato de a gente ter a Desventura, eles terminam associando&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Às vezes me incomoda um pouco, sabe? Porque a gente toca na banda cover. “Ah, tá querendo fazer igual”. Mas não é! A gente podia pegar Los Hermanos e fazer igual, como tem banda por aí que faz. Mas não é assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Eu lembro no processo [de compor o disco], a gente tava ouvindo o último disco do Moptop. Lembro que eu falei “Cara, vamos usar essa guitarra”. Então é um quebra-cabeça assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Pra citar nomes: esse som “moderno”, tipo o que o Franz Ferdinand faz, me lembrou um pouco a primeira música. No resto, ouvi coisa brega, anos 70, iê-iê-iê. E no meio do disco tem “Amnésia”, que quebra um pouco, já que é bem eletrônica.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Eu fiz essa música quando comprei meu teclado controlador. Eu ficava em casa testando timbres. E se você for ver, são duas notas de “Injúria”, que é uma música de Bruno com Luiz Gadelha. Comecei a botar os efeitos e foi ficando. É uma quebrada [no disco], estritamente eletrônica. Pra mim ela me remete ao passado, da época de <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=AYQ4z5b4NG0" target="_blank">Cyborg</a></em>, um filme aí de mil-novecentos-e-vôtis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Com Van Damme.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Éééé&#8230; Esse filme é muito foda! Quando criança, aquele sorriso metálico e tal <em>(risos)</em>. Mas essa música abre ensejo pra outras ideias que eu tenho nessa linha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Já que você falou agora do grande filme <em>Cyborg</em>&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Você conhece?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Claro! Quem não conhece <em>Cyborg</em>?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Você conhece o diretor?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Não, aí já é demais, não sou tão fã assim (<em>risos).</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Mas o diretor é conhecido. E o filme é muito foda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Não, eu gosto pra caralho de Van Damme, Schwazenneger&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Mas não é nem o ator, porra, é o <em>filme </em>em si!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Cara, parando pra pensar agora: Van Damme fazia altos filmes de ficção científica, né? Tem <em>Cyborg</em>, <em>Soldado Universal</em>, <em>Timecop</em>&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Segue-se um breve intervalo na entrevista, onde cada um dos presentes lembra seu filme favorito de Van Damme)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Mas voltando ao assunto: o nome do disco de vocês é <em>Nosso Disco Dava Um Filme</em>. Existe também essa influência do cinema na música de vocês?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> A gente pensou no nome né, gostou do nome <em>(risos)</em>. Pra mim, o que a gente quer proporcionar é [o disco ser] um filme diferente para cada pessoa. A ideia é essa, é um disco pra escutar de olhos fechados. Ou não, né? Sei lá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Sim, mas você chegou a compor pensando em um determinado clima, ou num filme&#8230;?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Alguns. Almodóvar&#8230; Eu gosto muito de dar título de música como se fosse de filme ou de novelas.  Tipo “Nem a Felicidade Suportou a Minha Dor”. Parece filme.  Mas primeiro de tudo foi porque durante o projeto a gente pensou num monte de coisa. <em>(Falando para BJoe)</em> Lembra que a gente queria fazer o encarte em 3D?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Pois é. E nem foi por causa da grana, foi a gráfica daqui que não deu certo. Caio Vitoriano, que fez o nosso encarte, até me mostrou um <a href="http://www.diariodenatal.com.br/2010/12/20/cidades1_0.php" target="_blank">caderno em 3D</a> que ele fez pro Diário de Natal. Mas aí, faltou bola pra isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Ok, mas se o disco fosse um filme, qual seria?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Não pergunte isso, porque cada mês é um filme <em>(risos).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Certo, e qual é o desse mês?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe</strong>: O desse mês é “Reconciliação”.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Longo silêncio, seguido de risos abafados)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Risos gerais)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Ah, porque rolou uns estresses.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Nada como Nasi e Scandurra, não&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(A entrevista é interrompida por uma moça que fazia panfletagem de um feirão de carros)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Moça:</strong> Vou deixar um panfleto com vocês aqui na mesa&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe</strong>: Certo, valeu. Como é o seu nome?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Moça</strong>: Aline.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Certo, ‘brigado Aline.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Moça:</strong> Posso tirar uma foto de vocês?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Claro, agora? Preciso me levantar? <em>(Levanta)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Todos</strong>: Precisa se levantar não!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano:</strong> Fica sentado que é melhor, dá pra pegar a mesa toda&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Moça:</strong> É, se quiser pode levantar&#8230; Se não quiser&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Quero não.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Foto feita, a moça agradece e se despede. A entrevista para por alguns minutos, onde os envolvidos especulam qual será o destino da foto)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hugo: Mas enfim, a gente tava falando do filme, da reconciliação de vocês dois aí&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> É, foi um atrito entre eu e Bruno. Mas acontece, a gente resolveu. Bruno é um cara muito fácil de se lidar, até em mesa de bar ele transparece isso. Já eu sou um pouco chato. Cobro mais e tal. Foi mais por causa disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Julian Casablancas, dos Strokes, tem uma frase memorável: “Se você quiser acabar com uma amizade, monte uma banda”.  Mas tudo se resolve.</p>
<p><strong>Hugo: Vocês falaram várias vezes em “não fazer as coisas iguais”, em mudar. Podemos esperar alguma mudança na sonoridade do próximo disco?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Eu já vejo [o próximo disco como] um negócio assim, mais simplificado. Porque para você gravar uma música, tem que chamar baixista, baterista&#8230; Esses processos demoram. É tempo, é dinheiro. Mas de repente um lance eletrônico – não eletrônico de boate -, mas algo mais enxuto. É mais rápido, diferente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Bruno:</strong> Tem duas músicas prontas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> BJoe:</strong> É, que vai aí nessa pegada mais eletrônica. E que vai de acordo com a realidade que a gente vive. Eu não tenho um bateria no quarto, um conjunto de microfones pra gravar.  Então, essa sonoridade eletrônica me atrai. Mas a gente tem que sentar e discutir. Eu inclusive tenho uma proposta pro nome do disco&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Bruno:</strong> Isso eu não sabia&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Pode dizer qual é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Rapaz, eu não sei&#8230; É porque é uma proposta minha, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alexis: Diga aí que você já testa agora, na frente dos caras.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Pô, nem eu sei ainda (risos). É porque também o nome do primeiro disco é muito grande.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Tá, assim: como esse próximo tem uma proposta mais intimista, vou sugerir aos caras&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> Se eu não gostar, digo agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> É &#8220;Câncer&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> É, o nome é bom. Palhano, gostou?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palhano: </strong>Gostei, gostei.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BJoe:</strong> Porque o câncer é  uma dor que às vezes é compartilhada por todos, mas é uma dor só sua. Só você que sabe, só você que vai morrer com ele. É por aí.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno:</strong> A gente tem uma banda chamada Desventura, então o câncer já tá incluso <em>(risos).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: Diego Marcel.</strong></p>
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		<title>O Buraka é mais embaixo</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 19:22:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hugo Morais</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/buraka-som-sistema.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7779" title="buraka som sistema" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/buraka-som-sistema.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Desculpem, mas não deu pra conter o infame trocadilho. Foi com o Buraka Som Sistema que o vigésimo AbrilProRock acabou. Com quantidade de pessoas cinco vezes menor do que quando começou na sexta-feira com a Los Hermanos. Mas creio que a empolgação deve ter sido a mesma guardada as devidas proporções, até de estilo musical.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela internet soube que o público da sexta &#8211; que tinha Somato, A Banda Mais Bonita da Cidade, Tibério Azul e Los Hermanos &#8211; bateu as 15 mil pessoas. Boa marca, casa lotada e imprensa de todo o Brasil pra ver mais uma volta dos barbudos. O sábado ficou reservado para o &#8220;dia pesado&#8221;. Dia das camisas pretas, tatuagens e dos que tiveram a sorte ou bom senso de evitar o MOA. Saíram no lucro, e muito. Enquanto no Maranhão imperou a desorganização, em Recife tudo saiu como imaginado. Tudo não, quase tudo. Pequenos atrasos antes dos últimos shows ocorreram, mas não chegaram nem a desanimar alguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem começou a destruição do sábado foi a Pandemmy (PE), mas quem mostrou como seria a noite foi a paulista Test. A dupla é conhecida por rodar São Paulo numa Kombi que comporta a bateria. Eles geralmente param em frente a locais de shows grandes e fazem o seu de graça no meio da rua até que alguém obrigue a pararem. No APR tocaram no chão, em meio ao público, e na <a href="http://youtu.be/szHAZKHsGSc" target="_blank">calçada do Chevrolet Hall</a> enquanto acontecia o show da americana Exodus. Olho neles. A sequência Firetomb (PE), Hellbenders (GO) e Leptospirose (SP) mostrou a diversidade da noite. Trash Metal, Stoner e Hardcore/Punk. Incidente desnecessário foi a ação da segurança de forma trruculenta que fez Quique Brown (guitarra/vocal) do Leptospirose pedir calma que aquela roda de pogo &#8220;é a igreja de domingo deles&#8221;. Cripple Bastards foi a primeira atração gringa da noite, vindo da Itália. Começava a sequência final e de destruição da noite que ainda contou com Ratos de Porão, Brujeria (México) e Exodus (EUA). Qualquer ordem de apresentação não faria feio. Mas coube ao Ratos &#8220;abrir&#8221; para as gringas. As rodas tornaram-se grandes e não fosse o público de 7 mil pessoas, teriam sido mais devastadoras como em anos anteriores. A falta de espaço não deu velocidade e agressividade suficiente a elas. João Gordo ainda fez participação no show bastante aguardado do Brujeria, diria que até mais que o do Exodus. Com facão em punho, o vocalista Brujo mostrou a que vieram. E não cabia mais nada ao Exodus senão encerrar a noite com o som destruidor que lhe é cabível, com volume ao máximo para deixar muita gente surda e feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">O domingo é notoriamente o dia mais vazio e bicho grilo com as meninas com roupas mais soltas, coloridas e com bastante espaço pra dançar. Quem abriu os trabalhos foi a local Desineé e seguiu com a paraense Strobo. Ska Maria Pastora (PE), trajada de ternos como pede o ska tradicional, botou o pequeno público para dançar. E na sequência Leo Cavancanti (SP) fez o que Karina Buhr e Tulipa Ruiz também fazem: um show onde não apenas a música tem que ser destaque. Mas as duas anteriores têm shows mais sólidos. O músico interagiu sozinho com o público e agradou boa parte que estava presente. Ele é mais uma figura do pop atual que desponta pelo país. O Nada Surf (EUA) subiu ao palco para mostrar seu som desconhecido de muita gente. Agradou na mesma medida em que deixou muita gente parada. Deve funcionar melhor em lugares menores, mais intimistas. Tanto que na sequência a local hero mundo livre S/A botou todo mundo para mexer mesclando clássicos com músicas do mais novo disco <em>Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa</em>. Tocou nas primeiras edições do festival e cresceu junto com ele. O que fez com que a tarefa da americana Antibalas ficasse mais difícil. Mas a big band de 14 músicos que mistura metal e percussão não deixou barato. Repetiu o que a jamaicana Skatalites fez ano passado. Um bailão. Para abrir pro Buraka Som Sistema o escolhido foi Otto. Mais um pernambucano e que sobe ao palco já com o jogo ganho. E ganho com qualidade e história. Fez parte do mundo livre S/A, saiu em carreira solo e provou que tem muito que mostrar. Mas o show está se mostrando caricato e apoiado em Fernando Catatau, da Cidadão Instigado.</p>
<p style="text-align: justify;">O encerramento foi capítulo a parte e mostrou o porquê do APR ainda ser um diferencial. A angolana/portuguesa Buraka Som Sistema fez o pequeno público dançar &#8211; incluso aí o grupo de jovens turistas/estudantes portugueses e franceses Cedric, Amandine, Elizabeth, Daniel, Margarida, Joana e Andreia -  sem nenhuma vergonha o kuduro feito por duas baterias acústicas, dj e três mcs. Já era segunda-feira e a brincadeira já tinha dado o suficiente. E como ano passado a programação doi descentralizada entre dois dias principais e os dias do APR Club, o Buraka teria funcionado muito melhor num inferninho no Recife Antigo do que naquele imenso palco do APR. Se bem que os integrantes não se importaram e aprontaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o show não estava agradando era possível matar o tempo e dinheiro na feira que vendia discos, livros, camisas e até customizava tênis. Também tinha o Estúdio Petrobrás onde podia se inscrever na hora e tocar com sua banda tendo o material gravado em áudio e vídeo. Estúdio que estava bem mais estruturado que ano passado. E tinha também uma exposição com itens dos 20 anos do festival. Até o carro de Chico Science estava lá, se não em engano um Landau. Ponto negativo para a opção comida, restrita a uma barraca.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante esses anos o festival mudou algumas vezes de lugar; cresceu, diminuiu e voltou a crescer; descentralizou as atividades e shows; e perdeu o caráter de revelar artistas &#8211; coisa que ocorreu com todos os outros eventos do gênero graças a difusão instantânea da internet. Um formato batido, como de quase todos os outros, mas eficiente. A dificuldade agora é imaginar o que pode ser feito para seguir em frente de forma diferenciada. Se é que há.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flickr.com/photos/rafaelmago" target="_blank"><strong>Foto: Rafael Passos</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Abaixo vídeo com imagens de algumas bandas que tocaram na vigésima edição do festival.</strong></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/zPj_l28iFIk" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
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		<title>Pequena loja de emoções</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 12:20:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexis Peixoto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fosse um gremlin, a The Sorry Shop já teria virado o quarto de cabeça para baixo, pulado pela janela e por essas horas, já estaria tocando o terror pela cidade. Em termos musiciais, a evolução foi mais pacífica: alimentado depois da meia noite, o que era um projeto solo tocado pelo baixista Régis Garcia no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/the-sorry-shop.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7760" title="the sorry shop" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/the-sorry-shop.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Fosse um gremlin, a <a href="http://thesorryshop.wordpress.com" target="_blank">The Sorry Shop</a> já teria virado o quarto de cabeça para baixo, pulado pela janela e por essas horas, já estaria tocando o terror pela cidade. Em termos musiciais, a evolução foi mais pacífica: alimentado depois da meia noite, o que era um projeto solo tocado pelo baixista Régis Garcia no quartinho da empregada (sem malícia, por favor) virou um sexteto (!) e está lançando Bloody, Fuzzy, Cozy primeiro álbum cheio.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora bem acompanhado por Luiz Young e Rafael Rechia (guitarras), Eduardo Custódio (bateria), Marcos Alaniz e Mônica Reguffe (vocais), Garcia explica que a evolução de micro para macro foi algo natural, ainda que fundamentada por razões logísticas.</p>
<p style="text-align: justify;">“A transição pra banda é algo que torna-se necessário na insuficiência e/ou impossibilidade de performance sem ela”, admite. “Eu já tinha intenção de tocar com esse pessoal que está comigo agora, mas assim: sou um cara bastante ansioso. E também sou um bocado idealista em relação aos meus projetos, num sentido quase romântico mesmo, de escutar a música na minha cabeça e querer reproduzir da maneira que soa lá dentro de mim. Nesse sentido, era mais fácil eu mesmo dar conta das gravações”.</p>
<p style="text-align: justify;">Bloody, Fuzzy, Cozy foi gravado com Régis tocando tudo, no mesmo esquema do EP que o precedeu, <em>Thank You Come Again</em>. A diferença é que no novo trabalho o esmero com as guitarras – nem barulhentas, nem censura livre demais &#8211; se sobressaem. E isso para uma banda que segue a cartilha de Kevin Shields e cia., quer dizer muita coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Régis Garcia se surpreende com o elogio. “É estranho ouvir isso. Eu comecei a tocar baixo com 15 anos, eu acho. Hoje, com quase outros 15 de distância lá do início e de música, tocando baixo esses anos todos, eu não consigo me perceber como guitarrista”, diz, sem falsa modéstia.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do disco, a banda lançou um clipe da faixa “Sometimes I’m Down”, seguindo a estética um-take-só e pronto. Durante o vídeo, o sentido de aranha capta alguma coisa&#8230; seria um exemplar da Vertigo que um dos músicos está folheando?</p>
<p style="text-align: justify;">Régis confirma e aproveita para falar de algumas influências extramusicais que dão o tom das conversas entre os integrantes do grupo que além de consumir cinema, quadrinho e música em doses cavalares também conta com biólogos, psicólogos e gente da área de letras na formação. Mesmo com esse caldeirão de informações pra filtrar, o músico afirma que as letras são pessoais e nenhuma influência é premeditada. Mas não renega alguns vultos famosos.</p>
<p style="text-align: justify;">“Lendo [as letras] com um pouco de boa vontade deve dar pra achar Bergman, Von Trier, Kafka, Hemingway, Bukowski, Kerouac, Watterson, Schulz e, se bobear, até Dr. Seuss”. garante o músico, que assim que acabou a entrevista correu para o cinema mais próximo para ver O Lorax pela quarta vez.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Confira o vídeo de &#8220;Sometimes I&#8217;m Down&#8221; e baixe o disco <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2012/04/24/the-sorry-shop-bloody-fuzzy-cozy/" target="_blank">aqui</a>.</strong></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/MIXQBSuES7I" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
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		<title>The Sorry Shop &#8211; Bloody, Fuzzy, Cozy</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 12:17:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe O Inimigo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A The Sorry Shop é um projeto que ainda engatinha pelo chão sujo do quarto onde foi concebido. Quando Régis Garcia acordou e percebeu que não tinha coisa demais pra fazer, iniciar o processo de composição de umas músicas que remetiam aos áureos anos de sua juventude pareceu uma proposta interessante. Basicamente, lá nos primórdios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.mediafire.com/?fta844y68e9mo34" target="_blank"><img class="alignleft size-medium wp-image-7765" title="the sorry shop - bloody, fuzzy, cozy - front cover" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/the-sorry-shop-bloody-fuzzy-cozy-front-cover-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A The Sorry Shop é um projeto que ainda engatinha pelo chão sujo do quarto onde foi concebido. Quando Régis Garcia acordou e percebeu que não tinha coisa demais pra fazer, iniciar o processo de composição de umas músicas que remetiam aos áureos anos de sua juventude pareceu uma proposta interessante. Basicamente, lá nos primórdios (mais precisamente em julho de 2011), a The Sorry Shop nada mais era que um cara gravando no quarto e mostrando pros amigos. Hoje, já em 2012, a The Sorry Shop já lançou um EP – “Thank You Come Again”, de 2011, com 5 músicas, um clipe de um single chamado “Sometimes I’m Down”, produzido por Thiago Piccoli e, finalmente, o full length “Bloody, Fuzzy, Cozy”, de março de 2012, com 15 faixas e uma sonoridade com pés no shoegaze, britpop, lo-fi e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Clique na capa para baixar o disco.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia matéria<a href="http://www.oinimigo.com/blog/2012/04/24/pequena-loja-de-emocoes/" target="_blank"> aqui</a>.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Todos os instrumentos gravados por Régis Garcia.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocais: Marcos Alaniz e Mônica Reguffe. Exceto  &#8220;Bloody, Fuzzy, Cozy&#8221;, por Régis Garcia e Mônica Reguffe.</p>
<p style="text-align: justify;">Produzido, mixado e masterizado por Régis Garcia.</p>
<p style="text-align: justify;">Gravado em casa, em Rio Grande, Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Arte, design e fotografia por Thiago Piccoli.</p>
<p style="text-align: justify;">Letras: Régis Garcia e Marcos Alaniz. Exceto &#8221;Stranged Again&#8221; e &#8220;The Highway&#8221;, por Marcos Alaniz e &#8220;Dressed to Fool&#8221;, por Gisela Ferreira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>01 &#8211; Gone Again</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02 &#8211; About Kings and Queens I</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03 &#8211; A Distant Song</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04 &#8211; Go On</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05 &#8211; Walk Away (And Don&#8217;t Come Back)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06 &#8211; Dressed to Fool</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07 &#8211; Cinderblocks</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08 &#8211; Bloody, Fuzzy, Cozy</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>09 &#8211; Stranged Again</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 &#8211; Sometimes I&#8217;m Down</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>11 &#8211; Glass Jar</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>12 &#8211; The Highway</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>13 &#8211; Seaman&#8217;s Pledge</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>14 &#8211; About Kings and Queens II</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>15 &#8211; There&#8217;s No Better Way To Say Goodbye (and I&#8217;m Sorry)</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Molejo do Alabama</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 14:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Davi Matias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terrorismo]]></category>
		<category><![CDATA[2012]]></category>
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		<description><![CDATA[É provável que, entre apresentações garageiras e sessões de gravação no porão frustradas pelo ruído das rodovias, os membros do Alabama Shakes tenham vislumbrado alguma possibilidade de sucesso significativo. No entanto, é difícil acreditar que fossem otimistas o bastante para anteciparem tamanha receptividade . As coisas estão acontecendo com a velocidade de um riff de guitarra para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/alabama.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7631" title="Não precisa ser preso pra ter tatuagem de presidiário" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/alabama.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">É provável que, entre apresentações garageiras e sessões de gravação no porão frustradas pelo ruído das rodovias, os membros do <a href="http://alabamashakes.com/" target="_blank">Alabama Shakes</a> tenham vislumbrado alguma possibilidade de sucesso significativo. No entanto, é difícil acreditar que fossem otimistas o bastante para anteciparem tamanha receptividade .</p>
<p style="text-align: justify;">As coisas estão acontecendo com a velocidade de um riff de guitarra para esse quarteto formado em Athens, cidadezinha do estado que batiza a banda. Uma série de apresentações efusivas, críticas elogiosas de blogs hypados, entrevistas, aparições em programas da TV americana, shows com bilheteria esgotada e um convite para abrir seis shows da aguardadíssima nova turnê solo de Jack White, tornaram os Shakes uma das mais talk-abouted bands da temporada.</p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente, nesse caso, há algo além de todo o bafafá. <em>Boys and Girls,</em> debut da banda, é um disco sem vernizes, analógico, feito por músicos pra lá de competentes, para quem gosta do bom e velho rock’n roll. Longe de pertencer ao grupo de bandelhas engraçadamente sarcásticas e forçadamente retrôs, o Shakes nitidamente respeita e acredita no som no qual baseiam o seu próprio e, por isso, soam reais todo o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Brittany Howard, frontman, guitarrista  e songwriter, possui uma voz magnética e comovente que remete a alguns dos timbres mais marcantes da cultura pop, como Aretha Franklin e Janis Joplin, ao mesmo tempo em que expõe a rudeza de vozes mais contemporâneas como Amy Winehouse e o próprio Jack White. As letras, galopantemente confessionais, são cantadas com uma entrega quase sempre dramática (recomendo muito conferir algumas apresentações ao vivo), em meio a inúmeras referências rasgadas ao Creedence Clearwater Revival e Otis Redding, além de outras imensidões do cânone do rock e do R&amp;B setentista.</p>
<p style="text-align: justify;">Longe de ter a estrutura das grandes labels, as sessões de gravação do disco, segundo os próprios, foram feitas ao vivo em um pequeno estúdio em Nashville, entre apresentações em pequenos festivais e bares nos quais a banda alternava versões covers de bandas clássicas com algumas de suas canções originais. A habilidade musical do Alabama Shakes, juntamente com esse esquema de produção rudimentar, é o principal responsável pela sonoridade suja e, ao mesmo tempo, classy do disco que, apesar de não capturar bem a energia das apresentações da banda, é um dos mais favoritáveis de um ano já repleto de grandezas, o que não é pouco para quem acabou de cruzar as fronteiras entre a aceitação local e o sucesso.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, é possível conferir os Shakes mandando ver em ‘Hold On’, faixa de abertura do <em>Boys and Girls</em>.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/Le-3MIBxQTw" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
<p>* Publicado no blog <a href="http://pteranodonte.wordpress.com" target="_blank">Eu, Pteranodonte</a></p>
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		<title>Não espere missa em um cabaré</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 00:34:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hugo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Linha Vermelha]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/cabrito.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7737" title="cabrito" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/cabrito.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Lembro que alguns anos atrás, conversando com Vlamir Cruz, AKA Mister Mu, ele me disse que antigamente pela falta de lugares próprios para se tocar em Natal, o jeito era inventar. Procurar lugares onde fosse possível fazer show. Fizeram show a beira do Rio Pium com direito a performance saindo de dentro d&#8217;água. Teve também em circo, a beira-mar e por aí vai. Mais recentemente, ainda da existência da Bugs, lembro que fizeram um show com Os Bonnies num bar ou cigarreira, ao lado do Motel Jóia. Lá na Ribeira/Rocas. Quinta passada conversando com Ilton Fonseca, músico local, ele me disse que uma de suas primeiras bandas ensaiava num cabaré, antes das meninas começarem a trabalhar, claro. A brincadeira acabou quando outras bandas apareceram e não teve mais como maquiar o barulho.</p>
<p style="text-align: justify;">No último sábado, 14/04, Cabrito lançou seu DVD <em>Os nominhos que ela tem</em> no Vero&#8217;s Bar. Em Neópolis. O Vero&#8217;s é uma, como muitos gostam de chamar, casa de tolerância. Cabaré é bem mais bonito. Já se foram uns 15, 16 anos da última vez que havia ido a um recinto tão animado. Na verdade fomos a um uns 3 anos atrás, mas como era tão sofisticado, decorado com ornamentos nordestinos, achávamos que era um bar como outro qualquer. Inclusive a cerveja que sempre é cara nos cabarés &#8211; vide a latinha de Skol que comprei a R$ 5 no Vero&#8217;s &#8211; tinha preço de bar mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabrito é um personagem de Tertuliano Aires, mossoroense radicado em Natal que também é vocalista da Balalaika Brega Band, como o nome já entrega, dedicada ao brega clássico. Como Cabrito, suas letras remetem ao universo do sexo, putaria se preferirem já que tudo é explícito. Ano passado um show na Senzala Casa Show, outro ambiente voltado geralmente ao público masculino, foi filmado. É esse show que compõe o DVD que foi lançado. Cabrito começou a gravar suas músicas em fitas k7, passou para os CDs e chegou agora ao DVD. Não foi produzido por ele. É o caso de um fã que produziu seu ídolo. Inclusive o produtor, Rafael Araújo, que filmou e editou o produto, é integrante de um bloco de carnaval em Caicó (sete integrantes estavam no show) onde a camisa de um dos dias tinha o rosto de Cabrito e sua indefectível língua pra fora, fazendo vocês sabem o que.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente em João Pessoa tive a oportunidade de conhecer, por fora, muitos cabarés que existem numa mesma rua no centro histórico. Bem chamativos, iluminados com luzes das mais variadas cores, e as atrações em destaque do lado de fora. O Vero&#8217;s é uma casa simples, quem passa na frente pode nem perceber o que ocorre ali. O show marcado para as 21h começou quase pontualmente, para não atrapalhar o resto da noite na casa. Afinal, as meninas tem que trabalhar. E verdade seja dita, algumas delas estavam realmente putas com o movimento na casa que não encorajava quem estava ali por causa delas a agir. Inclusive uma morena chamou a atenção de todos com um vestido branco e um recheio que não deve nada as atrizes da série Brasileirinhas. Caras fechadas nada animadoras, mas quando o público do show foi embora tudo deve ter voltado ao normal.</p>
<p style="text-align: justify;">A banda é um quarteto comandado por Franklin Nogvaes (arranjador e instrumentista). E quem pensa que a qualidade musical é rasteira, se engana redondamente. Entre os estilos musicais apresentados no show estavam samba, bossa, frevo, reggae e samba-reggae. A animação de todos era visível e aumentava a medida que o poeta da putaria brincava com os presentes, contava causos e fazia gracejos para as mulheres presentes. Sim, haviam mulheres presentes que não estavam trabalhando no local. O que não é comum, já que as letras causam incômodo até em homens. Durante o show teve distribuição de camisinhas, sorteio de duas cortesias para um motel vizinho &#8211; são cinco ao redor da casa -, público cantando os clássicos como &#8220;Beco do engole&#8221;, &#8220;Corno pescada&#8221;, &#8220;Carnatal&#8221;, &#8220;Infusão de buceta&#8221; e bis para &#8220;Meia sola&#8221;, onde o bardo da boca suja canta que mandou plastificar a chibata pra facilitar o trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Após o bis e fim do show o personagem sumiu em direção ao carro e não foi mais visto. A casa que estava super lotada voltou ao seu público normal e a noite deve ter seguido seu rumo. Na saída, promessas de que se a Mega Sena tivesse saído para um jovem rapaz caicoense ele voltaria para buscar uma das meninas. Ao que ela não titubeou: &#8220;Volte mesmo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: Tahiane Macedo</strong></p>
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		<title>Treze músicas que você não vai ouvir no show de Bob Dylan</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 16:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexis Peixoto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/dylan.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7707" title="Nem adianta mandar torpedinho no show: ele não vai cantar" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/dylan.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o <a href="http://www.bobdylan.com" target="_blank">site oficial</a> de Bob Dylan, “Like a Rolling Stone” já foi tocada ao vivo 1.923 vezes nesses 47 anos desde que foi lançada. Nos  seis shows que o homem fará no Brasil nos próximos dias, a conta deve aumentar para 1.929. Mas além desse e outros  hits, os discos de Dylan estão coalhados de faixas que fariam a alegria de qualquer fã ao vivo – ainda que muitas nunca tenha sido executadas fora do estúdio.</p>
<p style="text-align: justify;">Eis uma seleção de faixas que poderiam muito bem fazer parte do repertório dos shows brasileiros, mas provavelmente não vão.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>“Sally Gal”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Composição dos primórdios, tem quase dois minutos de riffs de gaita e palhetadas furiosas no violão antes da letra entrar. Dylan só tocou essa duas vezes, ambas em 1962. Hoje em dia, é até bom que ele não tente: certamente faltaria fôlego pra segurar a onda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Ballad in Plain D”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A única música que Dylan se arrepende de ter escrito – e olhe que ele ainda tem que se desculpar pelo <em>Knocked Out Loaded</em> todinho. Relata o fim do relacionamento com Suzie Rotolo (aquela moça da capa de <em>The Freewheelin&#8217;</em>), com detalhes constrangedores para todos os envolvidos. Nem adianta pedir que não vai rolar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Spanish Harlem Incident”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mais conhecida na <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Xpl3axxusns" target="_blank">versão dos Byrds</a>, apareceu pela primeira vez no álbum <em>Another Side of Bob Dylan.</em> Há uma versão ao vivo na <em>Bootleg Series Vol. 5,</em> que registra um show no Halloween (!) de 1964, em Nova Iorque. Foi a única vez.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/8BVvLe1TJyI" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Positively 4th Street”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escrita e gravada durante as sessões de <em>Highway 61 Revisited</em>, é um recadinho nada carinhoso para os ex-amigos da cena folk que então o acusavam de traidor do movimento. Costumava aparecer no repertório dos shows aqui e ali, mas foi proscrita no fim dos anos 80.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/LMjJIRZk1K8" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p><strong>&#8220;If You Gotta Go, Go Now&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Outra da época de Highway 61. Não entrou no álbum, nem foi lançada em single. Segundo a avaliação do próprio Dylan, era &#8220;parecida demais&#8221; com outras que ele já tinha gravado. Mesmo assim, costumava aparecer nos shows dele&#8230;. em 1965.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/ndFetBSHFx4" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p><strong style="text-align: justify;">“Sad Eyed Lady of the Lowlands”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escrita para a então esposa Sara Lownds, fecha <em>Blonde on Blonde</em> em grande estilo, com seus onze minutos ocupando um lado inteiro do vinil. Não se sabe se por questões logísticas ou emocionais, nunca foi tocada ao vivo. Acabou apropriada por Joan Baez (que não tinha nada a ver com a história)  em <em>Any Day Now</em>, álbum de covers de Dylan.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/Fkx-elBdKi4" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Tell Me Momma&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Só entrou no setlist da turnê híbrida com The Band (na época ainda conhecidos como The Hawks) em 1966. Geralmente abria a metade elétrica dos shows, conforme registrado no volume 4 da Bootleg Series. Só foi tocada durante essa turnê, exatas 16 vezes e nunca mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> “I’m Not There”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gravada com a The Band e incluída na versão pirata das <em>Basement Tapes</em>. Especula-se que só foi tocada uma vez, justo na ocasião da gravação&#8230; E então deixada de lado por trinta anos até emprestar nome ao filme de Todd Haynes. Ganhou uma boa e fiel versão do Sonic Youth na trilha sonora, que também inclui a versão original.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/NHjNPjcWyYw" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Sara”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outra sobre a patroa, dessa vez citando-a nominalmente com propósitos de reconciliação. Segundo Howard Sounes no livraço <em>Dylan</em>, a própria estava no estúdio durante a gravação, feita em um take. O casal fez as pazes em seguida e a música entrou no setlist da Rolling Thunder Revue, mas Dylan e Sara se separaram em definitivo dois anos depois. Ou seja, não deve rolar.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/MNH9Y86kL-I" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Going Going Gone”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Baladão sobre perda e recomeço, incluída no subestimado <em>Planet Waves</em>, gravado com a The Band. Só rolou na turnê do álbum mesmo, mas convenhamos que não teria muita graça ouvi-la sem a guitarra de Robbie Robertson.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/T6TTTqMxWUg" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>“Pressing On”</strong></p>
<p>Da controversa fase gospel de Dylan, é outra que só rolou na turnê do disco em questão (no caso, <em>Saved</em> de 79). Nem por isso deixou de ser aparecer numa cena de <em>I’m Not There</em>, com Christian Bale fazendo playback para a inspirada interpretação de John Doe.<br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/a5B76ZLWqss" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
<p><strong>“Most of the Time”</strong></p>
<p>Provavelmente a melhor música sobre pé na bunda já escrita e um dos pontos altos do melhor disco de Dylan nos anos 80 (<em>Oh Mercy</em>). Espertamente incluída na trilha de <em>Alta Fidelidad</em>e, mas quando o filme saiu em 2000 Dylan já não a tocava há doze anos.</p>
<p><strong> “Standing in the Doorway”</strong></p>
<p>Um blues dos mais tristes, sobre o mais universal dos temas. A saber: dor de cotovelo. Sobreviveu à turnê do álbum <em>Time Out of Mind</em>, mas não teve a mesma sorte de outras faixas do mesmo disco como “Lovesick” e “Cold Iron Bounds”, que continuam firmes e fortes no repertório. A última vez que apareceu ao vivo foi em 2005.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/KOooY4ZMJgg" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe><strong><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mossoró on the rock&#8217;s: Red Boots</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 17:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Alves</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/redboots1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7674" title="redboots" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/redboots1.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Mossoró, segunda maior cidade potiguar. Quase 300 km ao oeste da ex-capital espacial do Brasil. Quase 300.000 habitantes. Segundo dados estatísticos, quase 100 homicídios no ano de 2011, fora a média de quase uma moto roubada por dia (fora as clandestinas oriundas dos estados vizinhos e que ninguém é louco para reclamar). Segundo uma das revistas semanais de “opinião”, a famosa “Crater City” é uma das cidades em maior crescimento econômico no nordeste brasileiro. E juntamente com esta vertiginosa e protuberante ascensão vem as mazelas e prolegômenos sociais. Nada como o tal rock and roll para salvar a cidade do tédio abissal. Segundo um dos representantes da cultura jovem da cidade, um natalense ultimamente radicado por lá, ao indagar sobre um possível apoio da prefeitura local para auxiliar na vinda de um grupo de rock de outro estado, escutou a singular resposta do representante da governabilidade mossoroense: “Cultura local aqui é só forró e axé”. É por estas e outras que eu ainda digo que o tal do Rock é um perigo, ainda mais agora com um punhado de bandas “de rocha” de Mossoró lançando discos, fazendo shows e algumas até tocando fora dos limites potiguares, fora os shows no bar-club-point-da-juvenília-do-médio-oeste Flecha na Goela e o retorno à ativa do Beco das Frutas. Mossoró on the rocks: Red Boots, Faixa Preta, High Desert, Mahatma Gangue, Monster Coyote, a lista segue&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1ª. PARTE: RED BOOTS, “AS BOTAS MAIS SUJAS DO MÉDIO OESTE POTIGUAR”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sem muita pretensão, encontrei a dupla do barulho Red Boots no começo de março perambulando pela casa do chefão Rafael Costa – vulgo Rafaum, vulgo Quintura, vulgo Flecha-na-goela – e nem sequer pestanejei. Queria saber o motivo de serem uma dupla (eu sabia que a razão não era um White Stripes da vida) e logo vi que aquilo dava uma entrevista. Perguntados se eles conheciam Thee Butchers Orchestra, extinta banda paulistana que gravou umas dez demotapes e vários cd’s usando duas guitarras de sujeira evidente e que acho os Boots parecidos – disseram que conheciam, mas não muito. Eles também não são marxistas ortodoxos, apesar do vermelho no nome. Nas apresentações que vi – foram duas – o duo põe os alto-falantes para moer, com o som da banda expulsando riffs monocórdicos do além, canções sujas à la escola de Detroit, pedal fuzz ligado direto (isso fora um fantasmagórico oitavador), climão garageiro e, normalmente, chuva de cerveja no coitado do baterista ao final do show. Sem se alongarem nas respostas, falam Luan (guitarra e voz e cabelos) e Gil Der Lan (bateria e baquetas e óculos do Weezer).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando foi o primeiro show e qual o tempo de existência da banda?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LUAN</strong>: Olhe, o primeiro show foi no dia 30 de janeiro de 2006. Tinha três pessoas na frente, mas nesse dia eu já me joguei no chão. Os primeiros ensaios eram um punk tosco, pois só eu tocava, ou tentava (risos). Rômulo, um amigo nosso, iria ser o baixista, mas saiu antes do primeiro ensaio. A formação está assim, em dupla, até hoje por causa dessa briga, mas hoje a gente se fala (mais risos). O primeiro nome que a gente deu à banda foi Prozac e nessa época o som era grunge. A gente só escutava Nirvana, aí eu comprei camisa de flanela, comprei guitarra. Mas foi Gil que me mostrou o blues, mas aí eu mostrei o Floyd pra ele (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GIL</strong>: Eu encontrei esse maluco na casa de um colega da gente, mas só ele tocava, eu não. Daí essa crueza nos primeiros ensaios. Eu não tinha ideia do que iria sair&#8230; aliás, eu tinha, só não queria dizer. Só depois é que veio surgir essa influência de blues e tal&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por falar nisso, o que vocês escutam de bandas nacionais e de fora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GIL</strong>: AC/DC e Robert Jonhson já na frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LUAN</strong>: Escuto Casa das Máquinas (N do E: banda hard dos anos 70, pouco conhecida no Nordeste), Mutantes, Faixa Preta, daqui de Mossoró. Quando a gente montou a banda, o objetivo era meio assim&#8230; fazer um stoner futurista, misturar o que dava pra gente tocar com Nine Inch Nails e Depeche Mode, tanto que a gente usou muito sintetizador e teclado nas nossas primeiras gravações. A gente queria um clima futurista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vá lá, definam o som dos Red Boots em cinco palavras.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LUAN</strong>: Pesado, sexy, futurista, stoner, grunge.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GIL</strong>: Nada a acrescentar. Já tá bom assim&#8230; (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que foi que vocês já gravaram e lançaram até agora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LUAN</strong>: Gravamos vários EP’s de circulação local, mas todos gravados em qualquer produtora ou estúdio furreca que a gente visse pela frente. O primeiro EP se chamava Desperate songs and magic guns, tinha umas dez faixas e é de 2007. O último EP nosso é<em> Seven Lights</em>, de 2011, com sete faixas. Acho que a gente já fez umas quarenta faixas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GIL</strong>: Eu acho que são umas trinta&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LUAN</strong>: Já agora em 2011 lançamos o Aracnophilia, que tem dez faixas, quase todo composto de material novo, só teve uma regravação de uma faixa antiga. Tivemos o apoio do Dosol, recebemos dicas, gravamos com amplificadores de verdade (risos), tínhamos um prazo a cumprir, mas tivemos duas semanas de ensaio para gravar. Acho que assim ficou melhor. O cd saiu de forma virtual, mas vamos fazer uma prensagem física, pois está tendo uma boa divulgação em blogs, sites, saímos na Folha de São Paulo, o que aumentou a divulgação e os contatos. Estamos indo para São Paulo em breve e depois para Goiânia e Brasília em maio deste ano. A gente quer é tocar e ver o que acontece.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rock and roll é&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GIL</strong>: Diversão, DIVERSÃO. Coloque isso em maiúsculas (pedido do próprio Gil Der Lan, que não é holandês, apesar do nome).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LUAN</strong>: (depois de longo silêncio) É minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia resenha e baixe <em>Aracnophilia</em> <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2012/04/13/e-na-sola-da-bota/" target="_blank">aqui</a>.</strong></p>
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		<title>É na sola da bota</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 17:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexis Peixoto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Boa parte do que foi escrito sobre Aracnophilia nesse mês e meio desde que o disco saiu parte do princípio de que se os Red Boots são só dois caras, guitarra e bateria, então eles obrigatoriamente tocam um rock com cara de (ou que quer ser) blues. Não que esse papo esteja de todo errado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/redboots.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7646" title="O título do texto quase foi &quot;Rock das aranha&quot;, mas o departamento comercial proibiu piadas com Raul Seixas" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/redboots.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Boa parte do que foi escrito sobre <em>Aracnophilia</em> nesse mês e meio desde que o disco saiu parte do princípio de que se os <a href="http://www.myspace.com/theredbootsspace" target="_blank">Red Boots</a> são só dois caras, guitarra e bateria, então eles obrigatoriamente tocam um rock com cara de (ou que quer ser) blues. Não que esse papo esteja de todo errado – “Tony’s Joint” é a música que faltou para fazer de <em>El Camino</em> um disco melhor &#8211; , mas enterrar a banda nessa vala só por conta da formação é no mínimo preguiça e, em estado mais grave, falta de estudo mesmo. Exemplos para contrariar a máxima de que nem toda dupla é blueseira não faltam e nem é preciso recorrer aos indies lá de fora pra isso: estão aí <a href="http://www.myspace.com/juliadisse" target="_blank">Julia Says</a> e <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2012/02/09/a-trilha-sonora-da-guerra-do-futuro/" target="_blank">Robot Wars</a> para não me deixar mentir.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso dos mossoroenses, o tal do blues está presente na receita, mas como elemento secundário. Vem ali num riff, numa frase ou numa letra que versa sobre a “vida loca” e pronto. O grande atrativo do disco é condensar essa e outras influências dentro dos limites – logístico e musicais &#8211; que a formação da banda supõe.</p>
<p style="text-align: justify;">“Suicide”, primeiro single do álbum a cair na rede, é um exemplo emblemático. Construída num espaço mais delimitado que cena de crime, a música é praticamente toda em cima de um riff curto, que se repete às raias da asfixia durante os três minutos da faixa, com pequenos desvios de percurso. E é isso. Outras faixas – não por acaso as melhores do disco – seguem essa receita. “Hunter” é ainda melhor que a supracitada, com crueza punk e muque de thrash metal.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas há, claro e evidente, passeios fora desse espectro. Os tecladinhos goth-chic em “Philos” denunciam que os Boots também são chegados num chamego oitentista. Prova de que os cabeludos também amam, “Falling Tree” é uma surpresa mais que bem vinda – com belas frases na guitarra, por sinal.</p>
<p style="text-align: justify;">O caldo só entorna mesmo quando os caras cismam em emular o Queens Of The Stone Age na cara dura em “Amnesia Strenght” e por pouco colocam tudo a perder. Mas felizmente há “Viper”, com dois minutos de “lesação” para chutar na ponta da bota a cotação do disco lá pra cima outra vez.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia entrevista <a href="http://www.oinimigo.com/blog/2012/04/13/mossoro-on-the-rocks-red-boots/" target="_blank">aqui</a>.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Baixe o disco clicando na capa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=102" target="_blank"><img class="alignleft size-medium wp-image-7667" title="red boots capa" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/red-boots-capa-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a><strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Produzido Por Anderson Foca</p>
<p style="text-align: justify;">Gravado no Estúdio Dosol em janeiro de 2012</p>
<p style="text-align: justify;">Mixado e masterizado por Anderson Foca e Edu Pinheiro no Megafone Estúdio</p>
<p style="text-align: justify;">Capa por Sabrina Bezerra</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>01 &#8211; The Last</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02 &#8211; Suicide</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03 &#8211; Philos</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04 &#8211; Hunter</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05 &#8211; Tony`s Joint</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06 &#8211; Eletric Storm</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07 &#8211; Falling Tree</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08 &#8211; Blood</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>09 &#8211; Amnesia Strenght</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10 &#8211; Viper</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Seis discos tributo para ouvir antes de falar mal</title>
		<link>http://www.oinimigo.com/blog/2012/04/11/seis-discos-tributo-para-ouvir-antes-de-falar-mal/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 13:21:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexis Peixoto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Guerrilha]]></category>
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		<category><![CDATA[Black Sabbath]]></category>
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		<category><![CDATA[Nativity in Black]]></category>
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		<category><![CDATA[Second Come]]></category>
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		<category><![CDATA[Vou Tirar Você Desse Lugar]]></category>

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		<description><![CDATA[Mês passado o Second Come, bastião do rock alternativo carioca, recebeu a forma de homenagem mais duvidosa da música: um disco tributo.  O álbum saiu via Midsummer Madness e leva o autoexplicativo título de Tributo ao Second Come. Na tracklist, 29 grupos da velha e nova guarda da Portela indie – Supercordas, Nervoso e Cigarettes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/tributo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7581" title="tributo" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/tributo.jpg" alt="" width="448" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Mês passado o Second Come, bastião do rock alternativo carioca, recebeu a forma de homenagem mais duvidosa da música: um disco tributo.  O álbum saiu via Midsummer Madness e leva o autoexplicativo título de <a href="http://mmrecords.com.br/201106/tributo-ao-second-come/" target="_blank"><em>Tributo ao Second Come</em>.</a> Na tracklist, 29 grupos da velha e nova guarda da Portela indie – Supercordas, Nervoso e Cigarettes entre eles &#8211; prestam vassalagem ao grupo que lavrou pérolas do quilate de “Run Run” e “You” ao cancioneiro indie patrício.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo muito bom, tudo muito bem, mas realmente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos cair na sinceridade: disco tributo só perde em falta de utilidade prática pra álbum de remixes. E como o segundo anda em acelerado processo de extinção desde o fim dos 90&#8242;s,  só nos resta arcar com as consequências dessas “homenagens” que não raro acabam queimando o filme tanto dos participantes quanto do laureado.</p>
<p style="text-align: justify;">Como nem tudo está perdido, <strong>O Inimigo</strong> separou seis tributos que valem uma audição, nem que seja pra falar mal depois.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempo: nossa redação recomenda o tributo ao Second Come, assim como os discos de carreira da banda, sem contra-indicações.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/SanguinhoNovo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7553" title="SanguinhoNovo" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/SanguinhoNovo.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sanguinho Novo (1989)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenageado:</strong> Arnaldo Baptista</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dizimistas:</strong> Sexo Explícito, Sepultura, Ratos de Porão, Akira S &amp; As Garotas Que Erraram e outras bandas nas quais o Alex Antunes não tocava</p>
<p style="text-align: justify;">Luminares do rock indie brasileiro dos anos 80 (sim, existia) assumem o que devem ao líder dos Mutantes. Como boa parte das músicas da carreira solo de Arnaldo até hoje só são conhecidas em gravações piratas ou em discos fora de catálogo, esse tributo vale por um serviço de utilidade pública. Mas atenção: o playlist contém níveis altos de anonimato.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenagem ou fuleiragem? </strong>Tem gente interessante como Fellini,  3 Hombres (injetando Neil Young em “Dia 36”) e Sepultura e Ratos de Porão estraçalhando (no bom sentido) “A Hora e a Vez do Cabelo Nascer” e “Jardim Elétrico”, respectivamente. Mas o teste do tempo não foi nada generoso com alguns participantes, que hoje soam mais datados que álbum de figurinha da Copa de 86. Então fica assim: intenção 10, resultado 5 . Média 7,5. Passou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melhor versão:</strong> “Superfície do Planeta”, por Paulo Miklos</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/Nib1blacksabbath.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7554" title="Nib1blacksabbath" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/Nib1blacksabbath.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nativity in Black (1994)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenageado:</strong> Black Sabbath</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dizimistas:</strong> Megadeth, Bruce Dickinson, White Zombie, Sepultura, Biohazard e outros habitantes do metal noventista</p>
<p style="text-align: justify;">Esse disco rodou tanto nas páginas da Rock Brigade e Metal Head que hoje em dia tem mais peso de clássico do que as coisas que alguns dos envolvidos andavam fazendo na época. Rendeu um segundo volume em 2000, com Pantera e Slayer entre os convidados, mas a presença de Busta Rhymes se encarregou de  garantir o cancelamento da série.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenagem ou fuleiragem? </strong>Difícil classificar a autenticidade do negócio quando o próprio homenageado se acha no direito de participar – no caso, Ozzy cantando “Iron Man” como se fosse 1971. White Zombie (“Children of the Grave”), Sepultura (“Sympton of the Universe”) e Bruce Dickinson (“Sabbath Bloody Sabbath”) passam no crivo. O resto é mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melhor versão:</strong> “Sympton of the Universe”, por Sepultura</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/odair.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7555" title="odair" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/odair.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vou Tirar Você Desse Lugar (2006)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenageado:</strong> Odair José</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dizimistas:</strong> Pato Fu, Mombojó, Jumbo Elektro, Leela, mundo livre s/a, Volver e outros cafonas, assumidos ou enrustidos</p>
<p style="text-align: justify;">Na época em que ser brega começava a ser moda, alguém atentou para as propriedades lacrimosas das bandas indies do momento, juntou a fome com a vontade de comer e bolou esse tributo. A piada do título sai de graça para o ouvinte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenagem ou fuleiragem?:</strong> Levando em conta que o próprio Odair era chegado numa fuleiragem, tá tudo em casa. Mas tem que ter muito amor à causa independente pra aguentar Zeca Baleiro querendo posar de galã soft porn (“Encostei seu corpo no meu/E um novo desejo nasceu”) . E se você já odeia o Leela, precisa conhecer o Columbia que contêm todos os defeitos do original, só que amplificados à décima potência.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>Melhor versão:</strong> “Ela Chegou Diferente”, por Mombojó</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/Im_Not_There_Soundtrack_Cover.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7556" title="I'm_Not_There_Soundtrack_Cover" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/Im_Not_There_Soundtrack_Cover.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>I’m Not There (2007)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenageado:</strong> Bob Dylan</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dizimistas:</strong> Sonic Youth, Cat Power, Stephen Malkmus, Black Keys e outros favoritos da Pitchfork</p>
<p style="text-align: justify;">Se o filme de Todd Haynes é um kuduro do mameluco transtornado, a trilha é um biscoito finíssimo. Só gente elegante, bonita e sincera pra recriar o cancioneiro de Mister Dylan. A escolha de faixas mais obscuras – pescando até da fase gospel do homem &#8211; em detrimento das garantidas da FM só aumenta a moral.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenagem ou fuleiragem? </strong>Fica até chato discorrer sobre. Tirando os Black Keys (“Wicked Messenger”, lindamente irreconhecível) e Sufjan Stevens (que fez o favor de estragar “Ring Them Bells”) ninguém teve muito peito pra se distanciar do original, o que nem chega a ser um problema. Ganha pontos extras quem injeta um tiquinho a mais de personalidade como Cat Power (“Stuck Inside Mobile with the Memphis Blues Again”), Karen O (“Highway 61”) e Mark Lanegan (“Man in the Long Black Coat”).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melhor versão:</strong> “Pressing On&#8221;, por John Doe</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/march.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-7560" title="march" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/march-300x273.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>March to Sickness (2009)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenageado:</strong> Mudhoney</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dizimistas:</strong> Superguidis, Autoramas, MQN, Walverdes, Macaco Bong, Pitty e outros apadrinhados da Abrafin</p>
<p style="text-align: justify;">Na real, esse disco representa o auge da babação de ovo de Fabrício Nobre em cima de Mark Arm. Mas como saiu numa época em que o Mudhoney tocava no Brasil a cada seis meses, até dá pra acreditar na “espontaneidade” da ideia. Mas não muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenagem ou fuleiragem?</strong> Dá pra dividir os participantes do disco entre os filhotes assumidos que tocam nota a nota do original (Walverdes, MQN, Mechanics) e os que entraram na onda só porque pegava mal não aparecer na festa da firma. Esses últimos aproveitam pra avacalhar. Nessas, os Ambervisions acabam com “Touch Me I’m Sick”, mas em compensação os Detetives cometem uma heresia boa ao verter “Blinding Sun” para o portunhol selvagem (“El Sol q Ciega”). E sejamos adultos: Walverdes tocando Mudhoney é tipo Catedral fazendo cover de Legião.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melhor versão:</strong> “You Got It”, por Macaco Bong</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/Capa-300x288.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7565" title="Capa-300x288" src="http://www.oinimigo.com/blog/wp-content/uploads/2012/04/Capa-300x288.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Don&#8217;t Stop Now (2009)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenageado:</strong> Guided By Voices</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dizimistas:</strong> Lê Almeida, Continental Combo, Superguidis, The John Candy, Snooze e outros indies de raiz</p>
<p style="text-align: justify;">Obcecado pelo GBV desde criancinha, Lê Almeida resolveu ligar pra uns bróders pra armar esse tributo. O fato dele tocar em quatro bandas e ainda manter uma carreira solo ajudou na hora de selecionar os convidados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Homenagem ou fuleiragem?</strong> Homenagem, e das mais sinceras &#8211; dizem que foi aprovado por Rob Pollard em pessoa. O problema é que a chapa branca é tanta que às vezes a maior emoção que o disco provoca é a vontade de ir ouvir o original e jogar fora a cópia. Ainda assim, as versões de George Belasco &amp; O Cão Andaluz (&#8220;Sad If I Lost It&#8221;), Surfadélica (&#8220;Alright&#8221;), e do patrão Lê Almeida (&#8220;King and Caroline&#8221;) ganham cotação máxima de cinco cervejas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melhor versão: &#8220;</strong>Sad If I Lost It&#8221;, por George Belasco &amp; O Cão Andaluz</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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