Eu odeio o presidente: um baile punk como sempre deveria ser

por em quinta-feira, 22 junho 2017 em

IMG_0322
LinkedIn

O último domingo, 18 de junho, marcou a passagem da banda piauiense Obtus HC por Natal como parte da sua turnê de 20 anos de estrada. O evento não poderia ter nome melhor: Eu odeio o Presidente. O local foi o Bunker e suas ótimas pizzas, na Ribeira. Além da banda convidada, também fizeram parte do belo baile as potiguares Valvulosa, Dessituados, O Mutuca e a anfitriã NTE – Nem Todos Esquecem.

É bom que se diga, devido aos últimos públicos registrados em eventos punk em Natal, que saí de casa com a expectativa de ver ótimos shows e poucas testemunhas. O que por si só já se configurou em um grande e agradável engano, já que desde a primeira banda da noite, a Valvulosa, já existia um público razoável no local. O grupo tocou um set de 12 músicas com seu punk enérgico e dançante.

Tentando seguir ao máximo a pontualidade, visto os problemas de transporte que são comuns à cidade, a próxima banda da noite tocou com pouco intervalo. A Dessituados, pelo que me lembre, teve algumas mudanças no som, apresentando músicas mais pesadas e retas, backing vocals rasgados em contraste com o vocal limpo e a entrada de Wagner Ramalho na guitarra, já desde dezembro do ano passado. A sonoridade ficou muito boa.

A terceira banda foi a Obtus HC, que veio de shows em Recife e João Pessoa, motivo pelo que o vocalista Chakal Pedreira já se encontrava com a voz debilitada. O que não impediu o cara de “botar para descer” nos vocais e ainda tocar mais músicas do que estava previsto na lista inicial da turnê que já contava com mais de 20 músicas. Entre as interpretadas estiveram: “Sobre um suicídio”, “Ver, Ouvir, Calar”, “Horror Contra Todos”, “Incógnita”, “Arenas Urbanas”, “Cotidiano”, “I-Mundo”, “Globanalização”, “Campo Minado”, “Defensores do Povo”, “Beco Sem Saída” e “Luta”. Todas do disco Ver-Ouvir-Calar gravado em 2013 . Também entraram na apresentação as músicas do EP Sangue no Olho, de 2003, como a faixa homônima e “O Cão Celestial” e “Tiros da Noite”. Ainda tocaram “A Ordem”, cover da banda pernambucana Câmbio Negro. O som da banda pode ser descrito como um hardcore-punk rápido e agressivo.

Após a Obtus, foi a vez a banda potiguar O Mutuca tocar o seu Rap Core em uma sonoridade que me remeteu a bandas do final dos anos 90/início dos anos 2000. Com muita gente “tomando um ar” do lado de fora do Bunker, o vocalista da banda, que demonstrou ótima presença de palco, ficou intercalando entre cantar para os que estavam fora e dentro do local.

Infelizmente, devido às dificuldades de transporte existentes na capital potiguar não pudemos ficar para assistir a mais uma apresentação da NTE, que nunca deixa a desejar, tanto com seu repertório retratando a realidade das periferias e chagas sociais, quanto pelas performances sempre enérgicas e sinérgicas com o público do vocalista e organizador do rolé, Alexandre Falante.

Em suma, a noite valeu demais pelo ótimo e participativo público presente para os shows (inclusive durante o show da NTE, pudemos ver por vídeos em redes sociais, ares da modernidade) e apresentações de alto nível de todas as bandas. Que venham mais eventos com bandas locais e convidadas históricas como a Obtus.

Foto: Felipe Alecrim

Mais fotos aqui.