Entrevista: ACruzSesper

por em segunda-feira, 30 janeiro 2017 em

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Alexandre Cruz Sesper lançou, no último dia 20 de janeiro, o EP No Song As a Trio, com cinco músicas, do seu projeto solo, ACruz Sesper. Se nos registros anteriores ele executou todos os instrumentos, como o próprio nome do disco indica, agora o formato é trio, com Fernando Denti, no baixo, e Giuliano Belloni, na bateria.

O ACruz Sesper surgiu em meados de 2014, após um convite da Nada Nada Discos, a Alexandre, para participação em uma coletânea que reunia músicos envolvidos nas artes visuais, chamado Rolo Seco.  De lá para cá, ele lançou um EP e um vinil 10”. Os primeiros shows foram realizados sozinho, posteriormente, com participação da esposa, Ale Briganti e filha mais nova, Abigail.

As músicas de No Song As a Trio trazem instrumental minimal e letras com abordagens de assuntos mais pessoais do artista. As cinco faixas são regravações do disco Not Count for Spit, lançado em fevereiro de 2016, mas trazem novas roupagens com a incorporação das influências dos dois novos componentes.  O som das composições é uma mescla de rock alternativo, lo-fi, pós-punk e garage.

E se você chegou até aqui sem saber muito bem quem é Sesper, ele é simplesmente é o vocalista da Garage Fuzz, uma das bandas mais influentes do punk/hardcore nacional. E não somente isso, é figura ativa dentro underground desde os anos 80, não só com bandas (Assepsia, Ovec e Psychic Possessor), mas também com zines, cartazes, gravações de bandas, entre outros.

Fizemos uma entrevista com Alexandre Cruz, ou simplesmente Farofa, onde ele falou um pouco sobre sua carreira solo, a concepção do disco e passos futuros.

Ouça abaixo o EP No Song As A Trio, via Bandcamp:

Essa é a primeira vez que você toca uma banda que leva o seu nome, certo? Anteriormente você já tinha pensado em algo do tipo ou foi mesmo uma coisa que surgiu de acordo com as situações que se apresentaram? Dá um senso de responsabilidade a mais sobre o que está sendo exposto?

O fato de o projeto solo estar sempre ligado a alguma ação de artes plásticas e músicas autorais, valida a ligação do meu nome/pseudônimo na história. No momento que foram rolando os primeiros passos do 7”, que foi gravado em setembro de 2014, dois meses depois, faríamos a primeira gravação do The Pessimists e naquele momento estávamos finalizando as ideias de voz do Fast Relief do Garage Fuzz. Então iniciar uma Terceira parada como um projeto solo, em que eu gravei todos os instrumentos nas primeiras 10 musicas, foi natural.

Sim, acredito que tem certos caminhos em que a coisa acontece de forma mais espontânea e em outros momentos tenho que agir com mais responsabilidade, mas não acho que muda muito a responsabilidade, muda a ótica da execução.

Em outra entrevista você falou que vinha gravando coisas sem muita pretensão até ser convidado para um projeto voltado para as artes gráficas de músicos que também fossem artistas visuais. Nessas gravações você fez tudo sozinho. Depois teve um período em que tocou com sua esposa e filha. A ideia, dando continuidade à carreira solo, é que você seja sempre o cara que cria as bases e a banda executa, ou os outros componentes são livres para mudar ou mesmo criar novas sonoridades?

A cada formação muda a dinâmica das musicas, mas acho que era essa é a ideia mesmo, as músicas nunca foram executadas como foram gravadas e em uma próxima gravação acho que deve surgir outra proposta também.

Essa formação como trio é legal porque já nos conhecíamos e rolou a ideia de executar mais pesado.  Existiam musicas ali que nem tinham bateria, era uma palma batendo. Giuliano teve que inventar batidas em vários pedaços e o Fernando também incluiu suas bases e linhas de baixo. Mas no contexto atual acho que continua no formato das musicas que compus.

Além dos instrumentais que são mais minimal, você teve mais alguma preocupação em conseguir diferenciar totalmente o Acruz Sesper do Garage Fuzz? Achei o próprio tom do vocal diferente, foi proposital ou algo que as composições pediram?

Tem um tom mais baixo, proposital para dar uma diferença, não só do tom alto que canto no Garage Fuzz, mas também das outras bandas de hardcore que cantei anteriormente, mas atualmente ao vivo tento mesclar os dois estilos. Não é nem realmente uma preocupação foi algo natural depois de tantos anos.

Como você define o som da sua carreira solo? É algo que deve se manter nessa mesma pegada em discos futuros ou você se sente livre para jogar quaisquer outras influências?

Às vezes eu me pego meio que fazendo a estrutura das bases que tocava quando montei o Garage Fuzz em 1991, acho até legal isso porque de certa forma eu parei de tocar guitarra um pouco depois desse período e depois fiquei uns 15 anos só bagunçando. Acho que todo som vai mudando com o tempo e tenho varias ideias, mas não sei se vai sair como eu pensei inicialmente na hora que gravar daqui a algum tempo. Não me acho muito livre para outras influencias acho que tem umas coisas, depois de quase 3 décadas tocando, que já fazem parte das influências, preferências e processos de criação.

Quando fizemos a entrevista com você em setembro, no dia do Go Mosh, você disse contou sobre o início do ACruz Sesper até de uma forma meio rápida e tal, e disse que até os shows eram uma coisa meio montada pelos amigos. Ao que parece a coisa cresceu e mudou de figura, né? De agora em diante, como fica essa questão de shows? Já tem músicas novas em processo de composição? Um disco cheio?

Ainda são os amigos que convidam, organizam os shows e lançam os discos e fitas (haha). Temos 4 musicas que devem sair em 7” pelos selos  rolo seco discos e submarine records.

Os shows mudaram a dinâmica e vão rolando ocasionalmente e também em lugares não convencionais. Em breve devo voltar a fazer uns shows sozinho com uma parte pré-gravada em uma tascam de fita 4 canais.

Valeu O Inimigo pelo espaço, muito obrigado.

*Aproveite e confira a entrevista em vídeo que fizemos com o Alexandre, durante a passagem do Garage Fuzz por Natal, no ano passado.