Entre o surf, o zine, os quadrinhos e o rock, Adolfo Sá lança Viva La Brasa

por em quarta-feira, 2 setembro 2015 em

viva la brasa
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É BRASA, MORA?

A primeira vez que encontrei com Adolfo Sá foi em Aracaju, lá pelos idos dos anos 90, e recentemente aqui em casa, quando do lançamento do seu- livro em Jampa. A amizade é desde a época áurea dos fanzines, quando ele editava, junto com o amigo Rafael Jr, o renomado Cabrunco. Nascido baiano, criado sergipano, o baixinho Adolfo é um sujeito inteligente de fala pouca, de olhar atento, muito observador, mas que na escrita se revela. Desde aqueles tempos mostrava o talento para a crônica vivaz e particular, e a tendência ao jornalismo multicultural gonzo. Além de faneditor, foi produtor e como jornalista tem forte atuação na área televisiva.

Agora em 2015 resolveu lançar seu primeiro livro intitulado Viva La Brasa, que é uma saborosa compilação de seus escritos desde os primórdios underground. Ao seu modo particular, perfila abordagens diversas sobre artistas marginais, quadrinhos provocantes e sua adoração pelo surfe. Arcando do próprio bolso, e como eventual ajuda colaborativa, resolveu lançar o livro com uma apurada qualidade editorial e formato independente, demonstrado uma coragem de poucos.

Com o intuito de divulgar sua obra, fez recentemente datas de lançamento em Aracaju, Recife e João Pessoa. Embora ainda não tenha deslanchado nas vendas para compensar o investimento, vem recebendo boas criticas do público e da imprensa especializada.

O Inimigo leu e recomenda a obra. Em breve entrevista ele nos revela mais:

O Inimigo: O que lhe motivou a lançar esse livro com o apanhado dos seus escritos?

Adolfo Sá: Eu esperava vender muito, ficar rico e viver recluso em casa, que nem o cara que escreveu O Apanhador no Campo de Centeio… Mas eu tava errado, vou ter que continuar trabalhando.

No seu livro há crônicas pessoais, resenhas de shows, perfis de personalidades underground, quadrinhos e surfe. Em especial, o que ou quem lhe inspirou a escrever sobre temas variados?

Influências… O blog que inspirou o livro surgiu após uma temporada morando no apê de Allan Sieber, que até hoje mantém o Talk to Himself Show. Quando eu fazia zines, lia muito a Animal e a General, então absorvi um pouco daqueles cartunistas e jornalistas: Angeli, Glauco, Adão, Barcinski, Miranda… Quando comecei a ler livros, me identifiquei com o Bukowski – esse foi determinante no meu estilo de escrever. Tem o Hunter Thompson com o Gonzo. Laranja Mecânica, do Anthony Burgess. E os patinhos feios do jornalismo de surf, Derek Hynd e Julio Adler.

Desde os anos 90 você milita nesse universo underground e independente da música, da literatura, dos quadrinhos, etc. Como você analisa o cenário atual?

Vejo uma grande evolução, com ressalvas. Hoje é mais fácil publicar, há maior acesso a boas matérias-primas, a informação flui incessantemente, foi inventado o crowdfunding e as feiras de publicações independentes estão bombando em todo o país: Feira Plana, Parada Gráfica, Ugra Zine Fest… Por exemplo, pro Sylvio Ayala, mítico autor do Baga Zine, “o nível tá alto pacas, a gurizada tá gravando, pintando, desenhando, editando em alta velô e qualidade foda.” Já Weaver, que acaba de lançar o álbum dos Seres Urbanos, sempre pergunta onde tá aquele público que comprava 100 mil exemplares da Chiclete [com Banana] todo mês. “Sei que eles envelheceram, mas tô me referindo a uma renovação.” A questão que ele coloca é: cadê o público que consumia quadrinhos autorais? Por que é tão difícil vender hoje?

Como você vê o jornalismo cultural brasuca? Há algo interessante que se destaca?

Pergunta difícil. Vejo uma movimentação interessante no underground, a nova geração que tá saindo das universidades parece ter uma visão mais colaborativa que lembra o esquema dos zines anos atrás. Aqui em Aracaju tem o pessoal da Revista Rever e do Bagaceira Talhada, que cobrem manifestações da juventude como a Marcha das Vadias e o Sarau Debaixo. Só acho que falta humor nessa molecada engajada, às vezes parece tudo chato e pretensioso.

Você fez umas datas de lançamento em Aracaju, Recife e João Pessoa. Há pretensão de fazer em outras cidades?

Em Sergipe fiz Aracaju com cinco bandas mais pole dance na Caverna e Itabaiana com um pocket show numa loja de rock. Muchas gracias aos amigos da Karne Krua, Renegades of Punk, Ferdinando Blues Trio, Mamutes e Plástico Lunar. Em Pernambuco fiz Recife e Olinda com MC Ririca & THC (The Homens Crazy), e na Paraíba fiz dois eventos em Jampa: Usina Cultural e Grito Rock. Ainda rolou Maceió com o festival PALMA na praia de Garça Torta e shows de Oldscratch, Messias Elétrico, Necro e outras. As viagens foram pura diversão, mas as vendas não cobriram nem as passagens – que tô pagando até o fim do ano no cartão. Aproveito e lanço a campanha: Compre o livro VIVA LA BRASA e me ajude a ir pra Ugra Fest em setembro!

Viva La Brasa pode ser comprado pelo site vivalabrasa.com

Assista ao teaser do livro.

VIVA LA BRASA from Viva La Brasa on Vimeo.