Direto da redação #1: Macaco Bong, Juliana R, niLL & outros

por em quarta-feira, 4 outubro 2017 em

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Muitos discos estão passando batidos pela alta produção musical, por nossa falta de tempo, por preguiça, por birita e diversão em geral… Sendo assim resolvemos juntar vários discos que fizeram nossas cabeças no mês que passou. Pode ser lançamento, pode ser desse ano, pode até ser antigo. E não serão necessariamente elogiados.

O primeiro Direto da redação remete ao mês de Outubro e conta com a colaboração de quase toda a redação.

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Ufomammut – 8

Voltando mais sombrio e psicodélico do que nunca, Ufomammut mistura sludge, doom e stoner num disco que veio cheio de cantos hipnóticos, teclados oscilantes, riffs pesados e destruidores. Atenção para os vocais mais baixos que o normal como um grito abafado acima do caos que a música propaga, é simplesmente massivo. Destaque para a faixas “Zodiac” e “Core”. (JP)

macaco

Macaco Bong – Deixa Quieto

Este é o quinto disco e o primeiro remake musical assinado pelo grupo (ou é projeto?) liderado por Bruno Kayapy. No caso, o alvo da homenagem é Nervemind do Nirvana, que aqui passa por um banho de lombra em arranjos em geral desacelerados e mais cadenciados que os originais. Pra enfatizar o lado autoral do trabalho, a ordem das músicas mudou, com direito também a novos nomes, como “Com Easy ou Uber”, “Móviaje” e “Nublum”. Dica de audição: junte as amizades e faça uma cabra-cega musical para identificar as músicas originais na versão dos Bongs. Quem perder, toma uma de cana. (AP)

downtown

Downtown Boys – Cost of Living

Bandas punk ainda chamam a atenção? Chamam sim. Uma que vem ganhando destaque merecidamente pela sonoridade e posicionamento nas letras é a Downtown Boys. O mais recente lançamento, Cost of Living, dá uma renovada com um sax se despontando e pelo vocal de Victoria Ruiz. Um vocal carregado que expressa bem o sentimento que paira sobre as minorias nos EUA e pelo mundo. O disco foi produzido por Guy Picciotto (Fugazi) e lançado pela Sub Pop. Duas chancelas de qualidade. (HM)

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Chapa Mamba – Presente

Sequência de Remoto, lançado ano passado, o novo disco da Chapa Mamba é o primeiro gravado com os três integrantes de corpo presente no estúdio – daí o título. Na nova safra, comentários sobre os vícios e as polêmicas da modernidade ( “No Lombo da Tartaruga”, “Eles Não Passaram”, “Pimenta nos Olhos dos Outros”), e mais rocks curtos e afiados, em um minuto ou pouco mais. Quem ouvir de perto, talvez perceba algum sotaque caipira no disco, seja lá o que isso for. Não é o trabalho mais interessante da Chapa, mas ainda assim é um disco bom à beça. (AP)

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Pratagy – Búfalo

Imagine Mac DeMarco perdido em Belém do Pará. Agora imagine, no mesmo cenário, Edu Lobo encontrando o mesmo DeMarco e os dois montando uma Jam inesperada com o Unknown Mortal Orchestra. Se o exercício imaginário for frutífero, é possível aí entrever os detalhes da sonoridade de Búfalo, segundo disco do paraense Leonardo Pratagy. “Temas Sutis”, “Combu Love” e “Búfalo” são potenciais hits para as pistas e para além delas. (PL)

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Juliana R. – Tarefas Intermináveis

Quem conhece a Juliana R e não ouviu Tarefas Intermináveis vai no mínimo ficar intrigado. Outros, espantados. O disco lançado no primeiro semestre de 2017 usa da eletrônica para tornar as letras minimalistas uma realidade pesada, negativa, claustrofóbica. Não existem construções pop que agradam tanto ao público e que estão presentes em seu disco homônimo lançado em 2010 ou no trabalho de outras cantoras que tanto se destacam de anos pra cá. O convencional aqui é substituído por uma sensação de esgotamento, de introspecção,  perfeito para curtir uma fossa bebendo e remoendo os erros. (HM)

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niLL – Regina

Feito pra homenagear a mãe e as pessoas a seu redor, Regina é o segundo e melhor disco do rapper niLL. Com produção charmosa de produtores com nomes tão bons quanto os beats que compõem, como O ADOTADO, ESTRANHO e ALBANO 6c, ouvimos aqui fragmentos de conversas, ruídos, piadas, memórias, narrativas que comporiam um livro de contos de um João Antonio ou Sérgio Sant’Anna. niLL alia áudios de WhatsApp, samples de jazz, grooves de funk dos anos 70 e participações de Ogi, De Leve e Makalister e uma bela identidade visual para entregar um dos melhores discos/narrativas de rap dos últimos anos. (PL)

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Neil Young – Hitchhiker

O disco novo de Neil Young na verdade é uma tremenda duma desova de material antigo, mas quer saber? Há anos o véio não soava tão jovem. Dez demos acústicas gravadas em alguma noite dos anos 70 ressurgem como se tivessem sido captadas ontem. A rigor, não há nada de novo no front, já que boa parte das faixas já pintou em versões elétricas em discos como Rust Never Sleeps e Le Noise. Mas só a chance de ouvir “Powderfinger”, “Ride My Lama” e “Pocahontas” em versões nuas e cruas, já vale toque. (AP)

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36 Crazyfists – Lanterns

Um dos subgêneros mais odiados pela galera mais velha do metal ainda resiste. O 36 Crazyfists está fazendo seu som desde 94, misturando new metal com metalcore (nos anos 2000), e lançou um disco que mistura melodia com breakdowns moderninhos que não ficou ruim nem bom, só padrão. Destaque para “Bandage for Promise”, a mais melódica. (JP)