Direto da Redação #9: Adolescents, Ex-Exus, Skeletonwitch, Jotaerre, Ovlov & mais

por em terça-feira, 4 setembro 2018 em

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Setembro chegou com mais uma saraivada de discos selecionados pela nossa joiada redação, entre novidades e velharias de toda qualidade. Confira a seleta, aperte o play no que te interessar e curta essa lombra.

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JotaerreChoraviola II

Do guitarrista do Psirico (é, aquele mesmo) vem um dos discos mais interessantes da temporada. Unindo o vocabulário da música pop da terra de Gil – swingera, pagode baiano, fricote – com o som das outras bandas da Terra, Jotaerre conta em um disco instrumental o episódio da Invasão Holandesa à Bahia de 1624. Acima de qualquer preconceito, é um disco tortaço e de guitarras, capaz de agradar roqueiros, axezeiros e qualquer um que busque algo mais além das fórmulas importadas em voga na cena indie brasileira de agora. (AP)

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The AdolescentsCropduster

O mais novo disco de estúdio da The Adolescents veio a público no dia 7 de julho ainda em meio ao luto pelo falecimento do baixista da banda e figura emblemática do punk Steve Soto. O que se falava era que Soto estava muito feliz com o novo trabalho e realmente o cara tinha motivos. A começar pela capa o disco que é uma sequência de diretos no governo Trump ao longo de 18 ótimas músicas, entre as quais não consegui achar uma ruim ou mesmo razoável. A pegada é a de sempre: um punk rock com peso e melodia, em um total de 40 minutos de som. Apenas duas faixas ultrapassam os dois minutos. O último registro de Steve deixou um legado à sua altura. (FA)

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SkeletonwitchDevouring Radiant Light

Disco novo, vocalista novo, som menos thrash. Esse foi o álbum do mês de Agosto que faz aquele monte de fãs do metal ficarem de picuinha na internet. O som mudou de toda aquela potência absurda vista nos discos Forever Abomination e Serpents Unleashed para algo mais harmônico e melodioso somado ao black metal. Tem quem cuspa no prato que comeu, contudo se você não for aqueles fãs sensíveis e frágeis do metal é bem capaz de se pegar curtindo esse disco. (JP)

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Ex-ExusKurwa

Fazia um bom tempo que a Ex-Exus (PE) não botava a cara na rua, achava até que tinha acabado. Mas cá estão eles de novo com seu som esquisito em um EP com três músicas que se pudesse ser rotulado seria um frevo rock. Aquela quebrada de ritmo característica e a ironia que não tem nada de fina em alguns momentos. “Depois do Carnaval” é a mais rock e a mais carnaval, a cara da banda. Sendo eles de Recife por esperar uma boa leitura do festejo pelas ruas. Aperte o play e descubra o não ao modismos e o sim a encher a cara e ver os meninos dormindo na rua.(HM)

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Hermit and The RecluseOrpheus vs The Sirens

Sampleando Grécia e Brownsville (bairro do Brooklyn), o rapper americano Ka, em atuação há bons 20 anos, caminha em direção diametralmente oposta aos seus contemporâneos. Hermit and The Recluse, seu novo projeto, aponta para o minimalismo à la A Tribe Called Quest, com bases hipnóticas e por vezes labirínticas como só loucos da estirpe de um clouddead faziam, aqui capitaneadas não só por Ka mas também pelo produtor Animoss. Em Orpheus vs The Sirens acompanhamos a narrativa de sua juventude nas ruas do Brooklyn como se fosse uma epopéia homérica, em faixas sublimes & arrojadas como “Sirens”, “Argo”, “Golden Fleece” e “Oedipus”. Pra aprender mitologia e ainda pagar de loko nas ruas. Em tempos de trap e messianismo no rap, é um respiro e um sopro de vida vindos de novos caminhos. (PL)

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Body/HeadThe Switch

Enquanto Lee Ranaldo e Thurston Moore seguem as pegadas dos derradeiros discos do Sonic Youth, Kim Gordon escolheu voltar pra onde tudo começou. O Body/Head, em parceria com o guitarrista Bill Nace, remete mesmo ao SY fase no-wave, que prioriza ideias em vez de estruturas pop convencionais. The Switch é o 5º registro da dupla e o mais bem resolvido até aqui. Não é um disco fácil, mas recompensa quem se dedicar a desbravá-lo. Música levada a sério e não como pano de fundo para lavar a louça. Ouça com um headphone decente e em estado de presença total. (AP)

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Alice In ChainsRainier Fog

O sexto disco de estúdio da Alice In Chains continua trilhando um caminho interessante cheio de guitarras e harmonias que já são características do grupo, mas que não são mais do mesmo e incorporam sempre novos elementos. Os vocais se alternam entre Jerry Cantrell e William DuVall assim como as levadas das músicas que variam entre pesadas e arrastadas, outras mais comerciais e melódicas. O disco foi anunciado como uma retomada da sonoridade dos tempos do saudoso Layne Staley, o que realmente se encontra em algumas músicas. Entretanto, o terceiro trabalho com DuVall mantém elementos que estiveram presentes nos discos anteriores com uma pegada que às vezes puxa ao stoner. A cada disco a banda demonstra que mantem uma escala de evolução com a formação atual. (FA)

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I Killed the Prom QueenMusic for the Recently Deceased

Ano passado esse disco fez dez anos e ainda continua sendo um dos melhores do metalcore, subgênero tão odiado pelos truezões. Acho que não existiu na Austrália uma banda para o subgênero tão grande como eles, o disco é famoso até hoje e constante alvo de comparações com trabalhos mais atuais. Os vocais de Ed Butcher (que sumiu de vez depois desse disco) são brutais e encorpados, os breakdowns eram de quebrar o pescoço e os riffs muito marcantes. O jeito é se apegar com as coisas antigas, como esse disco, nada vai ser como foi antes. Alguém tem saco para ouvir essas bandas do metalcore de hoje? (JP)

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Banda da Pífanos de CaruaruTudo Isso é São João

Tive o prazer de ver a Banda Pífanos de Caruaru no Teatro Alberto Maranhão – saudoso e belo na Ribeira, em reforma pra entregar sabe lá quando – ao lado do amigo Renato. A banda não era atração principal no dia. Coube a Elino Julião encerrar a noite e assombrar um integrante da banda toda vez que chegava na beira do palco, Elino tava no grau. A Banda de Pífanos atende por a banda mais antiga do Brasil e só formada por descendentes. Além de ser instrumental com o pífano, ou pife, como destaque. O título do disco já entrega o conteúdo: clássicos do forró para dançar no São João. Afaste o sofá e chame a companhia. (HM)

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CataventoAnsiedade na Cidade

Os gaúchos da Catavento ressurgem com seu terceiro disco, dois anos após Chá (2016). Nesses dois anos aparentemente os sete (!!) membros da banda abandonaram os discos cheios de phaser, delay e reverb que recebem 10 na Pitchfork e se voltaram para discos empoeirados que se encontram a muito custo em recantos escusos da Internet, como os famigerados leaks do Brazilian Nuggets (RIP). Com ressonâncias de Arthur Verocai e Azymuth, mas com aqueles licks de Beach Fossils, Real Estate e outras bandas da moda, Ansiedade na Cidade carimba o amadurecimento sonoro dos caxienses. Músicas como “Se não vai”, “Alergia Alergia”, “Paraíso do Terceiro Mundo”, “Panca Úmida” e “Lagartia” são puras pérolas, lapidadas com cuidado e paciência pela banda/orquestra. As várias vozes, os sintetizadores que surgem de esguelha, os sopros aqui e ali pontuando e dando uma cor jazzística às canções, as percussões e os arranjos de baixo e bateria são os pontos altos do disco. O projeto foi financiado pela Natura Musical e pelo Governo do Rio Grande do Sul, o que mostra uma aposta institucional pouco comum e, diga-se de passagem, surpreendente (passível inclusive de elogios, aplausos e quetais). (PL)

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Vários ArtistasOnda de Amor: Synthesized Brazilian Hits That Never Were (1984-94)

Há um vão curioso na linha evolutiva da música pop brasileira, onde deveria estar o elo entre o BRock oitentista e o levante independente dos anos 90. Cadê o nosso synth-pop tropical, feito pra bailar de pés descalços nos dancings escaldantes dos inferninhos praianos (alô, Princesinha Barra Clube)? Essa coletânea do selo americano Soundways compilada pelo brasileiro Millos Kaiser (da hypada festa Selvagem) tenta responder isso cavucando hits sintetizados que, embora nunca tenham de fato acertado o alvo, revelam o Brasil pop numa visão de futuro antigo, mas ainda cheio de frescor. Destaque para a sensacional “A Festa É Nossa”, do Grupo Controle Digital. (AP)

black

Black TuskT.C.B.T.

A banda de sludge metal Black Tusk chega ao seu sexto disco de estúdio e primeiro sem o baixista Jonathan Athon, que faleceu em 2014 após um acidente de moto. O disco se chama T.C.B.T., que significa “Taking Care of Black Tusk”, e traz 12 faixas que carregam riffs cheios de peso e energia, além da pegada frenética do grupo, que por vezes chega a soar meio hardcore. Os três singles lançados “Agali”, “Burn the Stars” e “Scalped” já dão nota do que é o disco. Uma sequência de sons que vão do rápido e agressivo ao pesado e sujo, tudo junto e misturado. (FA)

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The NeighbourhoodThe Neighbourhood

Essa música dos adolescentes não anda mal. Quando ouvi trabalhos mais antigos da banda, com toda aquela estética visual em preto e branco com aquelas guitarras minimalistas me passou pela cabeça a música “Wicked Game” do Chris Isaak. Até coisas de vaporwave são notadas em todo trajeto da banda e é legal, é show. Os caras tem umas marcas impressionantes com músicas mais ouvidas no Spotify (“Cry baby”, com mais de 45 milhões de plays). Já passaram de misturar rap com rock alternativo e se saíram, agora pararam com um disco inocente, redondinho e carinhoso. É muito bom, impressiona. (JP)

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Moraes MoreiraMoraes Moreira

Sempre é bom retornar pra esse clássico do Moraes. Belíssimos fraseados de guitarra que duelam com sua voz. A beleza já começa na capa e passa para a poesia que já começa com “os pés molhados sobre a terra enxuta” e segue por “a dor não tem lugar permanente no coração de ninguém”. Bom seria. Doze pancadas em forma de música que mostram o que há de melhor na guitarra brasileira, muitas vezes diminuída por nós, mas que com tanta miscigenação cultural só podia dar nesse emaranhado que no caso de Moraes, em carreira solo ou com Os Novos Baianos, bota pra dançar mostrando o que há de melhor no nosso regionalismo. E não bastasse toda a beleza do disco ainda tem a versão de “Se Você Pensa” de Roberto Carlos, que ficou melhor que a original. (HM)

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OvlovTRU

Para os guitarreiros online, a banda de Connecticut faz uma verdadeira exortação à distorção como só esperam os fãs de Bult to Spill. Sem muitos rodeios, TRU já inicia com “Baby Alligator”, com seu riff distorcido arrastado e longo (30s de riff só pra quem curte!), seguido pela built-to-spillzeira “Half Way Fine”, que poderia até constar de um There’s Nothing Wrong with Love (disco de 1994 de Doug Martsch e sua trupe). No mais, referências ao real emo e ao new grunge são frequentes em todo o disco. Para todos os fãs de distorção a que interessar possa. (PL)