Direto da Redação #8: Mestre Vieira, Violet Soda, Bongripper & mais

por em quarta-feira, 1 agosto 2018 em

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Passou a Copa e o carrego que foi o mês de junho. Estamos voltando as atividades naquela velocidade e trazendo mais um Direto da Redação. O que ouvimos no mês de julho. Saiba o que andou circulando nos ouvidos e juízo dos Inimigos.

autoramas

AutoramasLibido

Acompanho a banda desde o fim da Little Quail and The Mad Birds. A formação da Autoramas preferida ainda é a com Simone e Bacalhau quando vi no MADA em 2003 ainda na Rua Chile, Ribeira. É o oitavo disco da banda e, verdade seja dita, eu já meio que tinha deixado de lado ela pelos dois últimos discos. Não desceram mesmo. Eis que Libido parece ter levado o agora quarteto (Gabriel Thomaz, Erika Martins, Jairo Fajer e Fábio Lima) e volta ao começo. Uma pegada mais pesada sem esquecer a veia pop. Dez músicas entre inglês e português. A abertura com “Sofas, armchairs and chairs” já mostra a que veio o disco com a já falada mistura peso (baixo) e pop (backing de Erika) e segue ganhando terreno. Outro destaque fica por conta de “Non-Practitioner”. (HM)

immortal

ImmortalNorthern Chaos Gods

Agora vamos falar de coisa de gente trve, ok? O novo disco do Immortal foi bem aceito pela comunidade e se deu bem. Demorou nove anos para lançar um disco novo desde o All Shall Fall e nesse a diferença gritante é que a figura séria e muito das trevas do Abbath não está mais presente. É difícil continuar uma banda quando a pessoa que é a marca registrada dela não está mais lá, seria como querer continuar o Charlie Brown Jr. sem o Chorão, entendem? É louvável o resgate de estéticas musicais antigas do gênero black metal. O trabalho do Demonaz e do Horgh ficou bom, primoroso e merece ser escutado. (JP)

asg

ASGSurvive Sunrise

Este é um daqueles discos onde o seu grande trunfo está na sua simplicidade e na concentração da banda em explorar o que melhor sabe fazer. Em Survive Sunrise não encontraremos grande e virtuosos solos de guitarra ou uma variedade de arranjos, apenas riffs e bateria trabalhando em conjunto com um vocal que é bem peculiar do ASG. Sobre um fundo do típico stoner rock, podemos notar aqui uma densa camada de metal se misturando, bem parecido ao que o Baroness tem feito disco após disco e isso soa muito bem, alternando entre momentos mais furiosos e outros intensos, como nas muitas quebras que ocorrem no andamento das músicas, outra característica marcante do ASG e que eles não medem esforços em botar em cena, já que são especialistas em brincar de diminuir ou acelerar o ritmo de suas composições. (EM)

violet

Violet SodaHere We Go Again

A banda paulista Violet Soda lançou seu primeiro EP, intitulado Here We Go Again, ainda no início de junho. Com um som que aposta em sonoridades noventistas como o gitar rock, garage rock e grunge, tudo junto e misturado em quatro faixas, o disco soa muito agradável, mesclado o peso ao comercial sem soar forçado e com retoques o tornam original. As canções apontam na direção de bandas como The Distillers, Hole, Foo Figthers. A formação conta com: Karen Dió (vocal e guitarra), Murilo Benites (guitarra), André Dea (bateria) e Lucas Ronsani (baixo). (FA)

food

FoodstationSoundFood Gang

Baseados em Jundiaí/SP, o coletivo de rappers do SoundFood Gang entrega aquele que talvez seja o registro mais ~AUTÊNTICO do rap brasileiro na atual safra. Capitaneado pelos hypados Nill e Yung Buda, a mixtape Foodstation traz colaborações dos rappers da casa (Mano Will, Chabazz e Chinv, além dos dois já citados) em meio a beats esquisitos, sampleando de Raffa Moreira a Gorillaz, com referências a tiques e vícios do rap contemporâneo e muito lean e anime. (PL)

violeta

Violeta de OutonoVioleta de Outono

O Pós-Punk que rumou pro Progressivo. O disco homônimo lançado em 1987 foi muito bem recebido e toda audição é sempre boa. As nove músicas são excelentes e mostram uma excelência em letras introspectivas e instrumental com belos fraseados de guitarra e baixo e uma bateria que muitas vezes soa tribal, hipnótica. Fabio Golfetti é o homem que atravessou décadas com outros músicos ao seu lado mantendo a viagem. Destaque para “Dia Eterno” e a versão de “Tomorrow Never Knows” dos Beatles que ficou muito boa. (HM)

bong

BongripperTerminal

Duas faixas e a coisa saiu maligna, melhor que imaginado. Excelente álbum totalmente instrumental, cheio de densidade e peso em cada riff. Todo o som reverbera como aquele impacto no peito, você balança a cabeça para frente e quando vê balança o corpo todo de um jeito muito torto, exatamente como o som. São viagens por atmosferas diferentes, em comparação com o todo diríamos até “levemente melódicas” para depois voltar aos pratos e palhetadas lentas que constroem toda a pancada. Mais um excelente do Bongripper. (JP)

graveyard

GraveyardPeace

Após um hiato, os suecos do Graveyard retornaram com Peace debaixo do braço. Um trabalho que é bem a cara deles, alternando porradas com o vocal berrante bem característico e baladas sangrentas de derreter o coração. O disco está longe de ser o melhor da banda, mas em sua defesa, mostra que eles voltaram partindo exatamente do ponto onde pararam, então como estamos falando de uma das bandas mais interessantes da atualidade, temos sim um material de qualidade. (EM)

deaftheaven

DeafheavenOrdinary Corrupt Human Love

A melancolia do shoegaze unida ao vocal black metal estão novamente no novo disco da Deafheaven intitulado Ordinary Corrupt Human Love. O disco mescla canções mais leves com a incorporação de teclados ao som do grupo. As outras com uso de pedal duplo, camadas e distorções de guitarras e em ambos os momentos o que se vê é um belo som. As músicas levam um tempo maior que nos dois discos anteriores, pois este é justamente uma mescla dos dois, com canções que demoram a se despir totalmente. É mais um belo trabalho do grupo que soa fluido para quem gosta das misturas de sonoridade que por vezes ganham a alcunha de depressive black metal. (FA)

Living in Symbol

Living in SymbolAstronauts, Etc

Anthony Ferraro encampa o projeto Astronauts, Etc há bons 4 anos. Com melodias aéreas, ambiências que remetem a uma psicodelia própria de fim dos anos 60 e início dos 70, o projeto do músico, que entre outras coisas já esteve em turnê com o Toro y Moi (uma afinidade estética perceptível), traz canções portentosas como The Border, Shut my Mouth, Visitor e 9 Fingers. (PL)

mestre

Mestre VieiraLambada das Quebradas

Esse ano o Lambada das Quebradas completa 40 anos. O marco inicial do que viria a se tornar um estilo musical e nos anos 80 chegar aos programas de auditório e lançar a mundialmente famosa Kaoma. Filho do rádio que Mestre Vieira ouvia em Bacarena (PA) e alcançava frequências de países latinos vizinhos. O resultado foi uma guitarra suingada que até hoje é reverenciada. A “Lambada da baleia” que abre o disco é um clássico e conta o causo do mamífero que encalhou no rio da cidade. De vez em sempre esse disco tem que ser ouvido pra limpar os ouvidos e dar vontade de dançar. Em 2018 o Mestre deixou esse plano e partiu para o descanso eterno. (HM)

Dopethrone

DopethroneTranscanadian Anger

A banda de stoner/sludge que a maioria acha que tem esse nome por causa do lendário Electric Wizard e na verdade é por causa de serem fãs do Darkthrone e de maconha lançou um disco novo que é, como diríamos aqui em parte do Nordeste, uma cipoada. Vocais que parecem uma mixagem lavada, uma passagem de ar quente furiosa e que curiosamente ficaram com uma mixagem mais baixa. Muito groove e fuzz em meio as letras sobre morte e drogas. Mais um discão dos bons do Dopethrone que tem estrada e merece respeito. (JP)

lucifer

LuciferII

Três anos se passaram desde o seu debut e agora o Lucífer apresenta ao mundo II. O disco é candidato a um dos melhores do ano com certeza e traz fortes influências que passam pelo heavy metal dos anos 70 e blues. O trabalho mostra um som ainda mais poderoso do que o bom disco de estreia, onde Johanna Sadonis exibe com vigor toda a sua capacidade de interpretação e de canto. “Dreamer”, “Phoenix”, “Before The Sun” e uma versão para “Dancing With Mr. D” dos Rolling Stones estão estre as faixas que mais se destacam. (EM)