Direto da Redação #6: Ana Frango Elétrico, Sleep, Jerry Adriani, Bullet Bane & mais

por em quinta-feira, 3 maio 2018 em

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Mais um Direto da Redação com as novidades, ou não, que estão rolando na redação Inimiga. Tem de tudo um pouco, sinal que os gostos por aqui divergem sempre. Sem mais rodeios vamos as dicas.

sleep the sciences

SleepThe Sciences

Já não existe mais a formação do Dopesmoker, já sabemos disso tem bastante tempo, mas não é ruim ver Jason Roeder (Neurosis) com o Matt Pike e o Al Cisneros. Na verdade é uma excelente combinação e isso nos trouxe o novo disco deles. É um excelente álbum e ofuscou um bocado de coisa que saiu nesse mês de abril. O baixo vem como um mantra, os riffs são hipnóticos e a bateria que não é toda técnica, contudo possui um tom pesado que é a assinatura do Roeder. Ainda rolaram umas homenagens ao Black Sabbath no meio de um total de pouco mais de cinquenta minutos de disco. E calma! Não é uma música só, foram seis ao todo dessa vez. (JP)

Isolation - Kali Uchis album

Kali UchisIsolation

Embora já badalada, com vários singles, e fazendo participações com artistas que vão de Tyler The Creator a Jorja Smith e Daniel Caesar, a artista colombiana só agora estreia com Isolation. O disco, com 15 faixas, tem bases de jazz e bossa nova (como em Body Language), suingues for real de negão (como Just a Stranger) e um redivivo r&b, com músicas ~ sensuais e smooth, com algo de um soul galático, espacial. (PL)

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SamianYou Are Freaking Me Out

Quinto disco dos californianos da Samiam, lançado em 1997, You Are Freaking Me Out é considerado um dos melhores trabalhos dos caras, juntamente com o disco anterior Clumsy. Com guitarras e vocais melódicos, possui músicas que rapidamente grudam na cabeça. Canções que merecem destaque e servem bem de exemplo da pegada do disco são “Full On”, “Factory” e “If You Say So”. Os caras ainda encerram com uma versão de “Cry Baby Cry” dos Beatles. Não atoa a Samiam é considerada uma das mais tradicionais bandas de punk rock e uma das pioneiras do que viria se consolidar como emo, ressaltando-se que neste caso a referência se faz mais no tocante às letras e sonoridade mais melódica. (FA)

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Jerry AdrianiPensa em Mim

Em 1971 Jerry Adriani cometeu esse disco que já começa com o clássico da Jovem Guarda “Doce, doce amor”. Uma pepita dançante e romântica que embalou e embala quem gosta da sonoridade do rock e pop daquela época. O disco todo é composto por músicas românticas, com pegadas pop, rock e soul. Versões de músicas italianas abrasileiradas eram comuns naquela época e não poderiam ficar de fora desse álbum, sendo assim metade do disco é assim. O destaque fica para “Vai Caindo Uma Lágrima (Va Cayendo Una Lagrima)” que remete logo a uma saudade. (HM)

Black Rainbows

Black RainbowsPandaemonium

Assim como em seus trabalhos anteriores, o sexto disco desses italianos é mais uma pedrada recheada de riffs, graves, peso, viradas e mudanças de tempo. Pandaemonium traz composições pesadas, que por vezes entram em um clima carregado de repetições e intensidade, gerando um verdadeiro redemoinho de riffs. (EM)

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Satanic SurfersBack from Hell

Saindo um pouco do meu lugar, vou confessar que fazia muito tempo que não escutava nada dessa banda, mas o lançamento recente me passou pelo ouvido numa playlist na internet, lá pelas bandas do Plug.dj e me chamou bastante a atenção. Os fãs de Bad Religion piram com esse hardcore melódico, eles reverenciam com respeito as influências que também bebem do Descendents. O bom de ouvir uma banda como o Satanic Surfers é se apegar mais com as influências deles e ir muito além do que é o hardcore melódico hoje no vasto underground. Pode ouvir esse disco com gosto e dar seu rolê de skate sem ter que ficar escutando só Charlie Brown Jr. esses dias. (JP)

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Ana Frango ElétricoMormaço Queima

Ana Frango Elétrico é o nome artístico de Ana Fainguelernt, guitarrista e cantora carioca. Como se fosse uma Sara Não tem Nome mais psicodélica e MARGINAL, a jovem Ana estreia com seu estranho e bonito Mormaço Queima, produzido por Marcelo Callado, Gustavo Benjão (ambos do Do Amor e mais centos projetos), Thiago Nassif (que, entre outras coisas, fez parte da banda do vanguardista Arto Linsay) e Guilherme Lírio (da banda Exército de Bebês). O disco é composto por versos que falam do passeador de cachorros que parece o Lenny Kravitz, de jogar na loteria, de odiar picles no seu Mc Lanche Feliz. Essas migalhas prosaicas ganham uma psicodelia que faz pensar num encontro entre PJ Harvey ou Frankie Cosmos e Gal Costa numa noite carioca. (PL)

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Machine HeadCatharsis

O nono álbum de estúdio do Machine Head demonstra, mais uma vez, que zona de conforto não é a praia dos caras. Catharsis foi lançado em janeiro deste ano já cercado de críticas dos fãs mais ortodoxos. Mescla canções mais agressivas e rápidas, já características da banda, com outras mais melódicas e até trechos acústicos, além de muito groove. Está realmente longe de ser dos trabalhos mais brilhantes do grupo, se comparado aos dois discos anteriores dá uma decrescida, porém tem boas canções como “Volatile”, que mescla agressividade e velocidade, com bons riffs e trechos mais melódicos e lentos. “Beyond The Pale” diminui a velocidade e aposta em bons riffs e peso, além da alternância com trechos melódicos. “Bastards” é também uma ótima faixa, demonstra a mudança de rumos no som. Uma balada semi-acústica que oscila vocais melódicos com trechos mais graves. A letra fala sobre a forma de enfrentar as mazelas do mundo. Em suma, Catharsis pode ser considerado um disco nota 7,0. Oscila boas canções com outras dispensáveis. (FA)

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Pau de Dar em DoidoEmaranhado

Voltando de uma hiato de mais de uma década a Pau de Dar em Doido (PB) soltou um EP em 2015 e outro em 2016. O álbum finalmente chegou agora e, assim como os EPs, trouxe a essência que fez a banda começar no fim dos anos 90. Rock, Ciranda, Coco, Maracatu, poetas paraibanos, roda de capoeira, praia, cerveja… Tudo isso remete a sonoridade do quinteto que traz em suas letras os versos de Ilsom que apontam para a insatisfação com o cotidiano, principalmente o atual que tira o que já não tem as classes mais pobres. Apertando o play você vai lembrar, se já tiver escutado, da Sheik Tosado e da onipresente Nação Zumbi (ainda da época de Chico Science). Destaques para “Digerador” e “Iroxima”. (HM)

gozu

GozuEquilibrium

Como o próprio nome já sugere, Equilibrium traz o Gozu fazendo a sua música da forma como mais se sente confortável e sem vergonha alguma disso. Aqui temos uma banda com 10 anos de estrada e que trabalha sobre uma linha criativa sem muitos desvios, mas que sempre acerta, se revelando bem tranquila com o que produz a cada novo trabalho. (EM)

bleed from within era

Bleed From WithinEra

Na vasta fábrica de ideias pouco refinadas do metalcore eis que surgiu uma coisa para se parar e dar alguma atenção (além do disco novo do Parkway Drive que está vindo agora no início de maio). O Era, novo disco dos meninos que já foram moderninhos e meio franjudos veio carimbar um crescimento positivo na técnica e nas ideias da banda. Dignos mais que nunca de tocar e em turnês ao lado de bandas como Carcass e Megadeth. Demorou um pouco para vir um disco novo que, com influências de Pantera e Lamb of God, continua fazendo a cabeça de uma galera que curtia muito o metalcore na primeira década de 2000 e agregando um pessoal ainda mais antigo talvez. (JP)

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Bullet BaneContinental

Seguramente este foi um dos discos que mais escutei do final de 2017 para cá. Lançado em novembro passado, Continental traz uma Bullet Bane cantando todas as faixas em português, com letras que abordam temas pessoais, mas que são comuns a boa parte das pessoas na casa dos 20 aos 30 e poucos anos. A sonoridade desce na velocidade e peso e aposta em uma pegada mais atmosférica e cadenciada, ainda que algumas canções tenham trechos mais pesados e rápidos. É um disco que demonstra maturidade e também que a banda não busca se prender a um tipo único de som, um dos bons discos do ano passado. (FA)