Direto da redação #5: Juvenil Silva, Ought, Turbonegro, Soccer Mommy & mais

por em domingo, 1 abril 2018 em

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Mais um Direto da Redação com aquelas dicas joiadas do que ouvimos a cada mês. Como sempre a lista está bem diversificada com discos novos, discos antigos e estilos bem distintos. Tem stoner, sludge, rock, psicodelia brasileira, punk/grindcore e até cancioneiro millenial. Gostamos. Segue o baile e aperte o play na hora da faxina, na hora da gela, na hora do love.

suspenso

Juvenil Silva – Suspenso

Quatro anos após Super Qualquer no meio de Lugar Nenhum Juvenil Silva está de volta. A pegada se mantém e passeia por psicodelismo, o regional com um pé no brega ((Se o Meu Legal Te Faz Mal) e outro no Udigrudi recifense. Belos fraseados de guitarra – com pegada dançante latina – aliados a pegadas suingadas de baixo e bateria. Não sem deixar de lado o peso, como visto em “Gaiola”, uma das músicas pegajosas, simples e eficiente. Letras que passam pelo dia a dia do amor e das desventuras do cotidiano. (HM)

Room Inside the Wold

Ought – Room Inside The World

O terceiro disco da Ought mostra uma banda bem diferente daquela que entrou de supetão porta adentro lá em 2014, com o excelente More Than Any Other Day. Felizmente, a guinada veio para o bem, refinou a pegada punk mas deixou espaço suficiente para expandir o vocabulário do quarteto. Maior evidência disso são os vocais de Tim Darcy, menos agressivos e mais criativos, funcionando – olhaí o clichê – como um instrumento a mais. Os singles “Desire” e “Disgraced in America” (esse último, aliás, rendeu um belo vídeo) são a melhor porta de entrada pra começar a sacar o disco, que oferece mais descobertas a cada girada. (AP)

turbo

Turbonegro – Rock n Roll Machine

Disco novo do Turbonegro e claro, expectativas atendidas com sucesso. A banda entrou nesse novo chute na porta que vem sendo os anos 80 e colocou sintetizadores. Tudo bem, eles são mais uns que pegam sua fatia desse bolo. O disco é bom e vem nos moldes de sempre: músicas contagiosas que não saem do juízo. Atitude rock’n’roll com sujeira punk e um chapéu de marujo para enfeitar. (JP)

freedom

Freedom Hawk – Beast Remains

Costumo dizer que o Freedom Hawk é o encontro do Black Sabbath com o Soundgarden e o Fu Manchu, onde podemos perceber facilmente traços da influência dessas bandas nas suas composições. Beast Remains é o mais novo lançamento deles e não foge á regra, deixando perceptíveis traços do hard rock e heavy metal dos anos 70, além de velocidade em seus riffs. (EM)

soccer

Soccer Mommy – Clean

Desde 2015 prometendo um disco cheio, a auto-denominada Soccer Mommy (cujo nome de batismo é Sophie Allison) surge com seu não menos que pertinente full album Clean. Confessional e intimista como qualquer disco de jovem com sua guitarra entoando as coisas do coração, Clean é uma das pérolas do cancioneiro millenial desde já. “Your Dog” (o hit), “Cool” e “Skin” dão o tom do drama e capturam o ouvinte. (PL)

vermes

Vermes do Limbo – O Sol Mais Escuro

Apesar (ou por causa?) do formato pouco convencional e da trajetória errática, os Vermes do Limbo conseguem manter uma produção discográfica constante e consistente. O Sol Mais Escuro é o 12º registro da dupla, aqui reunida com o guitarrista e colaborador frequente Fabio Fujita. São seis faixas que seguem o modus operandi empenado dos Vermes, mas com algumas boas novidades, como eletronices satânicas e barulhentas. Ouça à noite, com todas as luzes da casa apagadas e de braços dados com um gato preto. (AP)

ronnie

Ronnie Von – Ronnie Von

A abertura já deixa claro que o disco não é fácil, tanto que foi um fracasso de público e crítica. Depois virou cult e foi revisto. Talvez por Ronnie não precisar da aprovação de terceiros e apostar numa psicodelia ainda nascendo no Brasil, era 1968. Os Mutantes seguiram o mesmo caminho e em algumas oportunidades foram vaiados, como nos famosos festivais da canção. A esquisitice uniu tio Ronnie e os Mutas. O disco lança uma pedrada atrás da outra com orquestrações, guitarras, metaleira dançante e letras muitas vezes incompreensíveis – naquela época. Destaques para “Silvia: 20 horas, Domingo” e “Anarquia”. Entre “Espelhos Quebrados” e “Silvia: 20 horas, Domingo” há uma “propaganda” ou vinheta do Bar Íris, recurso muito usado anos depois por muitas bandas de punk e hardcore. Detalhe também para o produtor Arnaldo Saccomani que foi responsável por metade das letras. (HM)

monster

Monster Magnet – Mindfucker

Esse aqui é bom para quem curte aquela mistura de stoner com sludge. Monster Magnet tem uma discografia extensa, são 27 anos fazendo um som que é aplaudido por muita gente. Num show você provavelmente cutucaria o ombro do seu amigo e diria que tem algum MC5 e Stooges ali. Dividindo opiniões o disco arranca aplausos dos fãs e deixa os mais imparciais dizendo que nada daquilo é tão genial quanto parece. (JP)

primal

Primal Rite – Dirge of Escapism

O Primal Rite é uma banda advinda de Bay Area, território notável do punk e do caos dos EUA, mas que manda um tremendo crossover de hardcore (com influências da raiz japonesa do estilo, segundo os próprios integrantes) com thrash e death metal. A porrada em Dirge of Escapism é dada sem nenhuma sutileza. Riffs velozes e furiosos vão se seguindo em nome de Satanás e sem nenhum perdão na alma – mas com muito suingue hardcore porque ninguém é de ferro. (PL)

cronopio

Irmão Victor – Cronópio?

Via Chupa Manga Recs, chega ao mundo exterior mais uma coleção de pirações do Irmão Victor. Menos freak que o disco anterior, Passo Simples Para Transformar Gelatina Em Um Monstro, a nova leva chega com um pé no freio. São canções mais contemplativas do que surtadas, menos interessadas em testar limites e possibilidades do que em erguer pequenos cenários para os causos absurdos do Irmão. Duas faixas de tema náutico chamam atenção: “Reflexões Navais” (que tem a ousadia de perguntar “E se eu fosse um barquinho todo fodido/Você caminharia nas minhas tábuas?”), e “Escondi Uma Baleia Embaixo da Cama (Pra Cantar Enquanto Tu Dorme)”. Boa viagem. (AP)

lonely

Lonely Kamel – Death’s-Head Hawkmouth

Em seu novo disco, o Lonely Kamel resolveu seguir um caminho mais político do que os seus lançamentos anteriores, que seguiam uma linha mais poética, retratando o cotidiano e experiências mais pessoais. Desta vez a banda partiu para o ataque abordando temas da sociedade atual e o resultado foi uma porrada. (EM)

test

Test – Arabe Macabre

Trilha sonora antes do sono na viagem. Disco feito com a meta de r$ 50 de crowdfunding, uma tiração de onda na verdade com quem pede rios de dinheiro. Do começo ao fim a dupla João Kombi e Barata mostra que não se precisa de muito para ser diversificado com a proposta bateria/guitarra. O que muitos fazem em quartetos aqui se faz em dupla. Música após música não se sabe o que vem a seguir, as vezes uma base sólida de riff e linha de bateria. Mas aí que reside engano, até dentro de uma mesma música eles mudam e fazem com que se bata cabeça e se abra a roda de pogo. As introduções de “Andróides” e “Celebrar Venha” são exemplos disso. (HM)

earthless

Earthless – Black Heaven

Em seus mais de 10 anos de carreira, o Earthless se caracterizou pela ousadia de suas músicas, predominantemente instrumentais e extensas, com solos incendiários e viagens sonoras variadas. As exceções até então haviam sido um cover de “Cherry Red” da banda de rock setentista Groundhog no álbum Rhythms from a Cosmic Sky e “Woman With the Devil Eye”, lançada em um split EP com o Danava e o Lecherous Gaze. Em seu novo trabalho, porém, o Earthless decidiu inovar trazendo vocais e enxugando a duração de suas composições, ainda é possível encontrar tranquilamente a mesma banda visceral de outros lançamentos, mas desta vez ela vai além do esperado e experimenta uma nova roupagem sem perder a sua identidade. O resultado é maravilhoso como sempre. (EM)

poemunlimited

U.S. Girls – In A Poem Unlimited

U.S. Girls é a alcunha da multi-instrumentista e compositora canadense Megan Rhemy. Desde 2008 que ela vem colocando na praça disco atrás de disco de pop torto, mas confesso que só agora fui ouvir com calma. In A Poema Unlimited, que sai com a chancela da 4AD, é um disco de nerd de música pra nerd de música. Entre o art pop e a eletrônica, passando descalça & elegante pelo DANCING, Megan não perde o rebolado nem o ritmo do disco, que flui bem mesmo que as faixas sejam meio diferentes uma das outras. Pra ouvir em sequência e viciar: “Velvet 4 Sale”, “Rosebud”, “Pearly Gates”, fechando com a maravilhosa “Time”, sete minutos de requebro, bongôs, guitarra fuzz e sax surtado. (AP)

the

The Sword – The Used Future

Bastante coisa mudou na sonoridade do The Sword desde quando a banda lançou o Age of Winters lá em 2006, uma das exceções foi a essência sonora da banda. Me refiro aqui a algumas peculiaridades que sempre que escutamos qualquer um de seus discos dizemos: “cara, isso é The Sword!”. Essas coisas se mantem em meio a novos elementos que foram trazidos enquanto que outras ficaram pelo caminho que eles têm cruzado até aqui. O trabalho desses caras sempre me agradou muito e cada novo disco tem sido sempre boas experiências. The Used Future acaba de ser lançado e mais uma vez posso dizer que cumpriu as expectativas. (EM)