Direto da redação #4: doom, rap, guitar, shoegaze e mais

por em sexta-feira, 2 março 2018 em

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Passou o carnaval e dizem que o ano começou. Mas já estão falando na Copa que esse ano será na Rússia. Promete. Para dar esse empurrão no começo do ano aperte o play e conheça/ouça alguns discos que fizeram a cabeça da juventude da redação inimiga.

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S. CareyHundred Acres

S. Carey é mais conhecido no mundo dos folkers como o baterista e backing vocal da banda do Bon Iver. À parte o papel inevitável de coadjuvante, o músico é também um exímio arranjador e CANTAUTOR (desculpem todos). Hundred Acres, seu disco de 2018, é uma pérola intimista e invernal como o Wisconsin, sua terra natal. A faixa título é uma pérola do folk de súcubo, o folk do mistério. (PL)

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Chapa MambaLe Lab de Lux Sessions vol.2

A Chapa Mamba toca pouco ao vivo, mas compensa mantendo um bom ritmo de lançamentos de estúdio – é no mínimo um por ano. Esse aqui reúne o material preparado para um compacto que seria lançado pela Lombra Records, mas acabou não saindo. São cinco faixas registradas na base do chicote, em poucas horas de estúdio, o que dá ao EP um charme extra de gravação de ensaio ou fita demo. Pra completar, ainda tem uma gravação de campo registrada nas ruas da Cidade do México. Se há uma banda mais nerd que essa, desconheço. E sim, isso é um elogio. (AP)

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Continental ComboContinental Combo

Semana passada Graxa soltou que Sandro Garcia fará parte de seu novo disco. O anúncio motivou voltar a ouvir o grande Sandro Garcia e seu Continental Combo. Uma guitarra dedilhada e delicada que abre caminho para uma voz que se não tem potência, e nem precisa, leva a uma paz. Por mais que “O homem retalho” traga um cenário triste e desolador, a voz e a guitarra de Sandro trazem calma. O disco é de 2005 e seu rock com toques de psicodelia e folk é atemporal. Já “Meridiano Setentrional” se destaca por apontar pra uma urgência desnecessária. (HM)

desalmado

DesalmadoSave Us From Ourselves

Os paulistas da Desalmado lançaram, no dia 6 de fevereiro, o seu segundo disco cheio, intitulado Save Us From Ourselves. Este é o primeiro álbum da banda cantado em inglês e vem sendo considerado pela crítica como o melhor trabalho do grupo até então. Em suma é um disco de grindcore mesclado com Crust, Hardcore, Thrash e Death Metal. Todas as faixas são muito bem trabalhadas e produzidas. Já na faixa de abertura “Privilege Walls” é possível entender o que é o disco: rápido, raivoso e trabalhado. A intro da faixa-título “Save Us from Ourselves” chega a lembrar o Sepultura. São 25 minutos que fluem em um piscar de olhos para quem gosta de som rápido e gritado. (FA)

Clone Universe

Fu ManchuClone of the Universe

O que fez o Fu Manchu famoso voltou com tudo. Aquele ritmo deles que faz qualquer um ficar ali curtindo os riffs rápidos e lentos está todo ali de novo. Desde que a banda se chamava Virulence ainda, no final dos anos 80, eles veem fazendo esse som que sempre se renova em excelência. Tem música de 18 minutos para fritar o juízo enquanto você viajar pelos desertos, tomando uma cerveja e dirigindo seu V8. (JP)

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American Pleasure Cluba whole fucking lifetime of this

Ex-Teen Suicide, cujo nome caiu após sucessivas crises existenciais do líder Sam-Ray (também conhecido como Ricky Eat Acid, em outro arroubo de personalidade expandida), o American Pleasure Club ressurge (digamos assim) com a whole fucking lifetime of this, um disco de REAL EMO e indie qualquer coisa como só os mais tristes membros da trupe Topshelf Records (de cujo casting o APC faz e não faz parte) e quetais fariam. Mesmo com o lamaçal que os arrodeia, o disco em questão tem ares mais ensolarados do que o esperado. (PL)

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No Age – Snares Like a Haircut

Depois do fraco An Object, o duo No Age tirou férias longas para repensar a vida. O tempo longe dos holofotes fez maravilhas pra banda, que volta agora com energia & vocabulário renovados. É o melhor trabalho da banda desde Everything in Between e o que melhor explora as possibilidades do formato guitarra-bateria sem recuar um milímetro na roqueiragem – vide a quase-pop “Send Me”, canção de pé na bunda pro fim do mundo. Atentem ainda para a citação/homenagem a “Been A Soon” do Nirvana em “Soft Collar Fad”, favorita da casa. (AP)

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Killing SurfersNothing Is Heading

Com dois anos de existência os alagoanos da Killing Surfers chegam ao seu primeiro disco completo trazendo uma mistura entre Shoegaze e rock alternativo noventista com algumas pitadas de grunge. Em um comparativo a coisa gira numa mescla entre Pavement, Slowdive, Jesus And Mary Chain e My Bloody Valentine, com algumas pitadas de Sonic Youth. As músicas carregam belas guitarras cheias de fuzz e reverb, entre outros efeitos. Os vocais oscilam entre o shoegaze mais etéreo ao grunge mais ruidoso. Destaque para a faixa de entrada do disco “Rebirth” e o seu jeitão Shoegaze e “Discomfort” com o seu instrumental denso e vocal quase rasgado puxado para o grunge. (FA)

windhand

Windhand & Satan’s SatyrsWindhand & Satan’s Satyrs Split

Duas das grandes bandas que compõem o cenário do doom, seja misturando ele com punk ou com stoner, se juntaram para fazer um EP e o resultado foi extremamente positivo. Menino Clayton Burgess do Satan’s Satyrs que assumiu o baixo do Electric Wizard vem muito mais embasado na área, lembrando que ele já tinha seus acertos com o primeiro disco quando o SS era uma one man band (sério, discão!). Já o Windhand faz um trabalho incrível desde sua aparição, Dorthia Cottrell tem seus vocais hipnóticos e frios e leva o conjunto do trabalho para outro nível, como deveria. Atenção também para o Parker Chandler que também tem uma passagem pelo Cough e agrega bastante ao total. (JP)

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Salad BoysThis Is Glue

This is Glue é o segundo disco cheio do projeto do neo-zelandês Joe Sampson e seus amigos, após um EP de 7’’ e após o ~aclamado ~ Metalmania. Gravado no esquema homestudio, o disco é perpassado por guitarrinhas sujas, clima de garage e, como não, aquela sonoridade que nos leva diretamente à década de 1990l, com seu shoegaze, com os greatest hits de Pavement, Husker Du, Yo La Tengo e adjacentes. (PL)

Melanina McsSistema Feminino

Direto do Espírito Santo as Melanina MCs trazem um rap que se funde a rock, mpb, pop e eletrônico. Letras que falam da luta da mulher no dia a dia e incentivam a mudança em todos os aspectos da vida, como a aceitação de suas características como o cabelo crespo em “Crespo Áspero”. O empoderamento, a afirmação de que elas podem tanto ou mais que os homens. Destaque para a “De Rolê”, a mais dançante do disco. (HM)

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Shopping – The Official Body

Produzido pelo gente finíssima Edwyn Collins (Orange Juice), este é um disco pra dançar ou morrer tentando. Shopping é um trio britânico de dance-punk ortodoxo, que deve até o fundo das calças com os bailes da No Wave (ESG na veia), baixo à frente e vocais gritados no calor do momento. Nada que vá mudar o mundo, mas garante a diversão e levanta a festa, por meia hora. Com o perdão do clichê , afaste os móveis da sala e faz teu nome. (AP)

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OdcultInto the Earth

Aquela banda de doom rock para fazer o dia do cara, que embala uma sexta à noite com os amigos enquanto se bebe e conversa sobre as mais diversas besteiras. Em alguns momentos o baixo parece mais alto que os instrumentos restantes e o vocal tem uma mixagem estranha, soa meio impróprio para essa coisa meio setentista. Talvez um pouco de costume e um olhar menos exigente façam quem ouvir gostar do álbum. (JP)