Direto da redação #3: Stooges, Cátia de França & mais.

por em sexta-feira, 1 dezembro 2017 em

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Chegamos ao terceiro “Direto da redação” passeando entre Paraíba e Noruega com muita coisa boa e outras nem tanto. Leia, aperte o play e se quiser nos indique suas audições.

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The Stooges – Heavy Liquid “The Album”

Lançado pelo selo Easy Action no Record Store Day deste ano, esse disquinho duplo é a raspa do tacho do baú dos Stooges. Pega emprestado o nome do aloprado box-set de 2005, mas lima as gravações ao vivo, entrevistas e takes repetidos da mesma música em favor do quarteto em estúdio, esmerilhando composições que entrariam no repertório do Raw Power. São lados B conhecidos dos fãs mais dedicados (“I Got a Right”, Gimme Some Skin”, “Cock In My Pocket”), versões alternativas (“Penetration”, “Tight Pants” vulgo “Shake Appeal”) e covers trôpegos (“Money” e “Louie Louie”, com Iggy entrando todo atravessado) que provam que, porralouquices a parte, os malacos de Ann Arbor também eram músicos comprometidos e dedicados ao barulho que faziam. Belo complemento ao documentário Gimme Danger e um grito de despedida digno para uma das maiores bandas que já caminharam sobre este planeta. (AP).

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Boy Pablo – Roy Pablo Da fria & distante Noruega vem o improvável Pablo Muñoz e seu som com cheiro de verão filtrado em ar condicionado. São seis faixas em menos de vinte minutos, dose certa pra não enjoar. Pra sacar e ver se vale a pena vá direto no single “Anytime”, esperta crônica de amores digitais que se desmancham no ar. Pra quem passar pra próxima fase, o EP ainda reserva prazeres mais refrescantes que pastilha Garoto com água gelada, como a pueril “Yeah” e a chapada “Ready/Problems”. (AP)

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Electric Wizard – Wizard Bloody Wizard Para uma das bandas que já foi chamada de “a mais pesada do planeta”, o Electric Wizard veio um tanto mudado nesse novo disco. Não que as influências de blues rock e rock’n’roll (e aqueles filmes sexploitation!) tenham sido os fatores que deixaram o Wizard Bloody Wizard um disco ok, mas a falta de músicas memoráveis é que o fizeram. Soltei um suspiro aqui e pensei que bom mesmo era na época de todo o peso do stoner doom no Dopethrone. (JP)

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Cátia de França – 20 Palavras ao Redor do Sol

Nunca é tarde pra reverenciar um bom disco e melhor ainda se ele for nordestino. 20 Palavras ao Redor do Sol é o primeiro disco solo de Cátia de França, paraibana multi-instrumentista. O disco lançado em 1979 tem toda a aura da psicodelia nordestina que marcou artistas da época como Zé Ramalho, Ave Sangria, Alceu Valença e tantos outros. O disco todo apesar de ter uma pegada nordestina na sonoridade aponta para outros caminhos, outras influências que o tornam universal. As músicas foram compostas sobre poemas de João Cabral de Melo Neto. (HM)

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Conan – Man Is Myth (Early Demos) Peguem seus livros de RPG, escolham jogar com um bárbaro e imitem um sotaque austríaco. Conan não fez nada de novo, mas juntou as demos de algumas músicas de sucesso e fez um disco com elas. Man is Myth tem sete faixas e reúne o fino da banda de quando ela era duo e depois trio. Apesar de as vezes soar uma versão alternativa de algumas músicas ou desponta para uma coisa mais crua como realmente deveria ser, é bom ouvir. Ótimo começo para quem não conhece o Conan. (JP)

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Nação Zumbi – Radiola NZ, Vol. 1

A primeira impressão com a capa de Shiko é ótima e segue com o clássico “Refazenda” e os arranjos de Letieres Leite. A Nação não precisa provar nada a ninguém e lançar um disco de versões que embalam os músicos além de ser natural serviria para provar a capacidade inovadora da banda. Fiquemos com o exemplo do Macaco Bong que desconstruiu o Nevermind. Bem, aqui vemos quase nenhum peso das alfaias características da Nação e no fim se destacam a já citada “Refazenda”, “Balanço” (Tim Maia) e “Amor” dos Secos & Molhados com participação de Ney Matogrosso. Não é um disco ruim, longe disso, mas não será lembrado no futuro. Basta comparar outras versões como a da Violeta de Outono para “Tomorrow Never Knows“. As versões para “Não Há Dinheiro Que Pague” e “Dois Animais Na Selva Suja da Rua” de Roberto e Erasmo, respectivamente, não chegam nem perto das originais. (HM)

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Angel Olsen – Phases

Outro disco de sobras, dessa vez de gravações caseiras, raridades, ensaios e extras de estúdio de Angel Olsen. Costura de retalhos, irregular? Sim, mas cuidado que falta de coesão não é o mesmo que falta de liga. E em tratando de lançamentos desse tipo até faz parte do charme. Dito isso, Phases serve tanto pra quem curtiu o ótimo MY WOMAN, do ano passado, quanto pra quem ainda não foi apresentado ao som esparso de Dona Anja. Entre originais, com destaque pra “Special”, boa sobra da safra recente e   “California”, que Olsen canta com o coração saindo pela goela. Covers do doidão Roky Ericksson e do chefão Bruce Springsteen completam o pacote, finíssimo. Que fase! (AP)

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Pau de Dar em Doido – Pau de Dar em Doido

Após mais de uma década para a paraibana Pau de Dar em Doido voltou em 2016 com um EP e o próximo passo é um álbum. Rock com regional. Guitarra, baixo, vocal e percussão. Um som característico dos anos 90/00 que embalou parte do Nordeste e fez despontar a turma de Recife. Com letras de caráter social e som dançante o EP deixa o gosto de que acabou muito rápido. (HM)

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The Sweet Release Of Death – The Sweet Release Of Death

Lançado no ano passado, o debut homônimo do trio holandês é um trabalho intenso, onde o ouvinte é levado para uma montanha russa de sentimentos distintos, de acordo com as mudanças repentinas das canções, graças aos arranjos sujos da guitarra, mergulhados no shoegaze, garage, indie rock e pós punk. Sempre em contraste ao vocal provocante de Alicia Breeton, mas que acabam casando perfeitamente. (EM)

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Iguana Death Cult – The First Stirrings Of Hideous Insect Life

Seguindo a receita de bandas como Fidlar, King Gizzard & Lizzard Wizard e The Ooh Sees, o Iguana Death Cult produz um rock n’roll divertido e direto, sem muitos frus frus. Ideal para servir de trilha sonora daquela bebedeira com os amigos em que as coisas saem um pouco do controle ou ajudar a encarar a faxina na casa. (EM)