Direto da redação #2: Kadavar, Domenico Lancellotti, Mr Jukes & mais

por em sexta-feira, 3 novembro 2017 em

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Chegando o segundo Direto da redação e que remete ao mês de Novembro. Mais uma vez quase toda a redação colaborou. Alguns meliantes estão atarefados com outras prioridades e preferiram esconder os sons que passaram por seus ouvidos.

 

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Kadavar – Rough Times

Kadavar é aquela banda que mistura Black Sabbath, Blue Cheer, MC5 e Stooges. Eles se abraçam muito com o som setentista e oitentista repetindo com inteligência coisas de quase 50 anos atrás. Assim parece que a música não evoluiu de certo modo, quando na verdade eles só estão aí por ela ter progredido de fato, certo? Ok, a banda é boa pra caramba, o disco ficou bom também, mas ainda se abracem com o Berlin de 2015. (JP)

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Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros – Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros

Esse álbum completa 30 anos e continua atual. Não pela sonoridade que é típica dos anos 80, mas pela temática das letras que retratam um Rio de Janeiro futurista. Boates, garotas de programa, crimes, drogas andam pelas oito músicas do disco e compõem uma obra conceitual. O disco apesar de muito bom não foi bem recebido. Fausto conseguiu unir rock e o suingue do funk americano com letras faladas. As letras são histórias que facilmente caberiam como roteiro de clipes. Curiosidade: Marcelo e Marcos Lobato, que faziam parte da banda, depois integrariam o Rappa. (HM)

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Mr Jukes – God First

Quem ouve Jack Steadman como frontman da banda de indie folk Bombay Bicycle Club não deve imaginar a veia de SOULMAN que pulsa nesse rapaz. Em God First, sob o nome de Mr Jukes, Steadman arregimenta De La Soul, Horace Andy e aquela que talvez tenha sido a última participação de Charles Bradley num disco, e entrega um baile black com primor e sinuosidade. Caia na estrada e perigas ver. (PL)

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Monolord – Rust

Muitas vezes gravar um bom disco vai além de ter um punhado de boas canções, muitas vezes ligar as faixas criando uma unidade é tão essencial quanto a qualidade de cada uma delas e o Rust, terceiro disco de estrada do Monolord mostra isso. Um disco com boas músicas, sem dúvida alguma, mas que se torna forte, épico e bruto na medida certa para todo fã de música pesada justo pela ligação entre elas, gerando uma continuidade que não se encontra ouvindo faixas soltas em playlists. Aqui eles não inventam a roda, mas fazem ela girar lentamente com a elegância de quem se influencia por bandas que vão do tradicional Black Sabbath até carregos como o Electric Wizard. (EM)

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The Black Dahlia Murder – Nightbringers

A banda que mais combina perversidade, riffs malignos e toda a brutalidade do death metal com gordinhos saudáveis, risonhos e engraçados soltou mais um disco e ele é fino, finesse. Nove faixas, trinta e quatro minutos de um excelente álbum que chega a ter 200 bpm nas músicas. Rápido como notícia ruim, sim. Os integrantes mais recentes fizeram bonito e esse álbum que não é um Nocturnal (claro), chega a ter melodias muito boas. Discão! (JP)

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Domenico Lancellotti – Serra dos Órgãos

Domenico Lancellotti apesar de colaborar com muita gente não é conhecido do público em geral. Talvez você lembre dele do projeto +2 que fez parte com Kassim e Moreno Veloso. Domenico consegue em Serra dos Órgãos passear por várias influências que podem ir da Bossa Nova até as boates dos anos 70/80. Em sua maior parte o disco é delicado e lembra, como observou Alexis Peixoto, Marcos Valle. Uma bela referência. Um disco para ouvir em um momento de paz, quem sabe reflexão, e atentar aos detalhes. Destaque para “Pare de Correr”, com participação de Pedro Só. Uma toada indígena belíssima. (HM)

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Ariel Pink – Dedicated to Bobby Jameson

Quase dá pra dizer que esse é o disco mais acessível de Ariel Pink. Menos estranho e mais curto que o anterior, pom pom, esse novo é uma espécie de memória sentimental das ruas, figuras e lugares da Los Angeles natal de Ariel, aqui personificada na figura de Bobby Jameson, um cantor que quase estourou à sombra de Beatles e Stones, nos anos 60. Musicalmente, as fontes são as mesmas: pop de AM, sintetizadores achados no lixo e demência criativa. Os singles “Time to Live” (que pega emprestado e entorta a linha vocal de “Video Killed The Radio Star”) e a faixa-título são pontos altos, mas a melhor experiência é ouvir tudo de cabo a rabo, largado na poltrona ou na cama, com uns bons fones na orelha. (AP)

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Fever Ray – Plunge

Projeto bissexto da sueca Karin Dreijer Andersson, do duo The Knife, o Fever Ray retorna com um disco mais pop – embora não menos misterioso e profundo. Com texturas que formam temas pop estranhos, tomados pela performatividade das letras e dos temas de Karin Dreijer, Plunge traz novos hits do SYNTHWAVE pop e demais tags pós-modernas e dixcolês, como “IDK About You”, “Wanna Sip” e “To the Moon and Back”. (PL)

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Firebreather – Firebreather

Álbum de estreia da banda com dois integrantes da banda de sludge metal progressivo Galvano. Misturando aquela dosagem malhada de stoner com doom e soando muito como o Sleep (já que foi mixado por Bread Boatright). Mais de um gênero que cresce bastante, mas feito mandioca. Destaque para a faixa “Fire Foretold” que tem um riff grudento e uma menção para o belíssimo trabalho de capa do artista Adam Burke. Banda nova e com som bacana pra ouvir. (JP)

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Lowrider – Ode To Io

Se você gosta de guitarra, balançar a cabeça curtindo riffs incendiários, fuzz e a porra toda, esse disco é essencial. Lançado em 2000, Ode To Io foi o único registro full dos suecos do Lowrider até hoje e se tornou um clássico graças ao impacto que suas canções proporcionam. A força desse disco é tamanha que, após a ascensão do stoner rock como uma das principais vertentes dentro do rock’n’roll nos últimos anos, a sua importância como um marco absoluto no gênero acabou proporcionando uma reunião da banda, até então separada desde 2003. Sem dúvida alguma essencial. (EM)

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King Krule – The OOZ

Imagine que o som do King Krule descrevem sempre a mesma cena: a cada novo disco, a câmera vai se afasta e revela mais detalhes. The OOZ expande ainda mais o híbrido de trip-hop, jazz, punk e psicodelia desenhado nos dois discos anteriores – citados nominalmente mais de uma vez, diga-se. Mas longe de ser repetitivo, as faixas descem com um frescor invejável, geladíssimas em um dia de calor, apesar do tom sombrio do disco. Ouça “Dum Surfer” com o volume topado. (AP)