Direto da Redação #11: Baco, Unknown Mortal Orchestra, Tool & mais

por em terça-feira, 4 dezembro 2018 em

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Último Direto da Redação do ano. Nossa lista de Dezembro será dos melhores discos do ano, nacionais e internacionais. A redação, nessa colaboração, segue com dicas viversas que passam do afrobeat a guitarrada paraense, do instrumental com cara de jam da Unknown Mortal Orchestra até o punk melódico da Pennywise.

Yonatan Gat – Universalists

Os discos de Yonatan Gat são mais instantâneos do guitarrista e banda em estúdio do que registros de canções. Valorizando o improviso e técnicas de edição inspiradas nos discos de Miles Davis e outras colagens sonoras Universalists mantem o modus operandi do ótimo Director (2016), mas mira além. Ao acento punk-jazzístico somam-se outros sons, outras batidas, outras pulsações, como o canto e percussão dos Eastern Medicine Singers, grupo canadense formado apenas por nativos americanos. (AP)

Pennywise – Never Gonna Die

Após 4 anos do último disco, a Pennywise lançou esse ano o ótimo Never Gonna Die, décimo segundo álbum do grupo. O álbum traz 14 faixas que carregam o ritmo rápido e melódico, característicos da banda que é um dos ícones do punk rock mundial. As letras carregam temáticas críticas, a exemplo da faixa título que fala sobre uma sociedade que incentiva a proliferação de uma política e padrões de convivência moldados na mentira e em falsos conceitos religiosos, parece algo bem comum à atual situação do Brasil, não? (FA)

ruído/mm – A é Côncavo, B é Convexo

Novo disco da ruído/mm. A arte da capa já chama a atenção do instrumental como já conhecido, com linhas etéreas que transmitem aquela sensação de plenitude do infinito, de viagem espacial, do fim de tarde observando as ondas do mar quebrando mansas na areia da praia. Mas também existem momentos de tensão, o que provoca a reflexão. Isso é o melhor de discos instrumentais: leva cada ouvinte para um caminho diferente. Destaque para “Volca”, bela e delicada. (HM)

Maria Beraldo – Cavala

A paulista Maria Beraldo é musicista erudita e componente do grupo Quartabê, que estuda e repensa o repertório clássico brasileiro com clarones, clarinetes, oboés, violões, baterias e outros instrumentos de PURA ERUDIÇÃO. Mas a despeito da formação clássica, Beraldo tem um pé numa esquisitice que está flutuando entre a performance sonora de um Arrigo Barnabé, a inventividade intelectual de uma Björk, a cadência de uma Gal Costa e o peso de uma Julia Holter. Isso tudo somado a FORÇA DA MULHER SAPATONA entoada a cada faixa do disco CAVALA, estreia de M. Beraldo e um dos discos mais importantes de 2018 neste país. Com um cover nada ortodoxo de “Eu te amo”, de Chico Buarque, os hinos lésbicos “Amor Verdade”, “Da menor importância” e “Gatas Sapatas” e o hit “Tenso”, além da gutural faixa título, Beraldo demonstra sua densidade e a beleza de seu projeto em explosão. (PL)

Unknown Mortal Orchestra – IC-01 Hanoi

Seis faixas instrumentais gravadas em uma passagem de Ruben Nielson, guitarrista e dono da UMO, por Hanoi e… é isso aí. O clima de “tocando e tomando uma mais os caba no estúdio” é tal que nem nome próprio as faixas têm – aparecem simplesmente como “Hanoi 1”, “Hanoi 2” e por aí vai. Não ofende, mas também não acrescenta muito à discografia da banda, que este ano já havia lançado o legalzinho Sex & Food. Só para fãs incondicionais ou pessoas de boa vontade. (AP)

Dead Fish – Sonho Médio

Sonho Médio, segundo álbum da Dead Fish, completa 20 anos em 2019. Lançado pela Terceiro Mundo Produções Fonográficas e re-lançado no ano de 2004 pela Deck disc, o disco traz clássicos da banda como a faixa-título, “Paz Verde”, “Mulheres Negras”, “Cidadão Padrão” e “Sobre a Violência”, entre outras, em uma sequência de músicas rápidas e algumas das letras mais críticas e diretas ao sistema e à sociedade em geral. (FA)

Höröya – Pan Bras’Afree’Ke Vol.1

Höröya é um grupo de afrobeat, obviamente de matizes africanas, radicado em São Paulo. Conta com músicos brasileiros e africanos e tem como proposta unir Candomblé com ritmos de matizes africanas, junto ao jazz e ao funk criando novas possibilidades sonoras. Metaleira, percussão e vocais dão o devido peso as tradições africanas. O “vol.1” contempla produções espalhadas por Brasil e África e a intenção é lançar o vol.2 com novas produções. (HM)

FBC – S.C.A

Ex-Sadboy (ou ainda sadboy), recuperando-se de sua depressão, o mineiro FBC faz parte da nova safra de rappers de Belo Horizonte, safra essa capitaneada pelo hypado Djonga. Discretamente surgiu no segundo semestre com seu disco que traz na capa um abraço em um Jesus branco. FBC surge com uma ironia e um swing que em nada devem a outros nomes taludos do rap brasileiro. “Rap Acústico”, “Poder, pt. 2” e “Frank & Tikão” são destaques. (PL)

Tool – Lateralus

Seguramente um dos melhores álbuns do Tool, para mim o melhor, Lateralus foi lançado em 2001. Nele você encontra um metal progressivo/experimental que chega muito perto da perfeição. São 13 músicas que vão completando uma à outra dando um clima atmosférico que transita entre partes leves e pesadas, quebras rítmicas e vocais que criam uma dramaticidade que faz viajar música a música. (FA)

Os Dinâmicos & Mestre Vieira – Os Dinâmicos & Mestre Vieira

No passado já foi Mestre Vieira & Os Dinâmicos. Mestre Vieira deixou esse plano e seguiu para tocar sua guitarra em outro lugar. Os Dinâmicos é a banda que acompanhou o Mestre em vários discos e lançou esse álbum homônimo em 2016. A sonoridade é a já conhecida guitarrada paraense que tem influência direta da música caribenha. Destaque para “Belém do Pará” que exalta a cidade e seus atrativos, como o clássico Paysandu x Remo. Afaste o sofá e pode bailar. (HM)

Baco Exu do Blues – Bluesman

Believe the hype, mas nem tanto, por favor. Sucesso de público e crítica, alvo de polêmicas quanto a sua repetição de temas, sobre o mesmo tatibitate de sexo cigarro e sexo e cigarro e cerveja propalados em todos os lados do Twitter, crítica que se transformou em uma verdadeira discussão ética (necessária, inclusive, já que a discussão do disco é sobre espaços dos pretos em um mundo de brancos), ‘Bluesman’ já nasceu no olho do furacão. Sucessor do aclamado ‘Esú’, o disco trouxe um projeto mais arrojado, com Baco mais focado em sua vontade de ser um Kanye da Bahia (assumido na faixa de mesmo nome). Alguns excessos aqui e ali, um ou outro momento desnecessários (confessamos que as presenças de Tuyo e Tim Bernardes dão uma leve embreguecida na coisa), mas no geral o disco passa no teste e faixas como ‘Bluesman’ e ‘Minotauro de Borges’ (com excelente sample de ‘Kiriê’, de Georgette, clássico perdido da bossa nova), são pérolas que surgem já nos estertores de 2018. (PL)