Abandono, da Deuszebul, é o antídoto a galera good vibes

por em sexta-feira, 21 julho 2017 em

deuszebul
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Quase três anos depois do último lançamento, o Mantra Invertido, o trio Deuszebul chega com Abandono. Duas músicas já tinham sido disponibilizadas, mas agora saiu o álbum completo.

Coincidência ou não, o disco sai logo após uma matéria falando de bandas tortas brasileiras que conquistaram o mundo. Caso de Rakta, Deaf Kids e Test. O Deuszebul segue essa linha torta passeando por diversos estilos pesados. Basta dar uma olhada nas “tags” na página do Bandcamp pra sacar antes mesmo de escutar que a brincadeira é pesada: black metal, grindcore, metal, blast beat, crust, grindcore noise.

O título do disco não poderia ser melhor para o momento como um todo que o país passa, mesmo que o Abandono remeta ao indivíduo, é impossível não ouvir as faixas com sonoridade desesperadora e associar a toda desgraça do dia a dia. Violência, discriminação religiosa, sexual, racial, miséria, mentira. Tudo anda de mãos dadas com o som que o trio Carlos Augusto (vocal), Breno Xavier (guitarra) e Magno Zamamba (bateria) fazem.

O rolo compressor começa com “Emanações sobre a catalepsia” e se estende pelas outras seis músicas com alguns momentos mais lentos. Os demais títulos (“Discípulo”, “O de 100 nomes e o amor”, “Cego”, “Senhor do fim”, “Cárcere”, “Novo Messias”) são autoexplicativos e servem para mostrar que o fim ou a solução está dentro de cada um. Se apegar a outras coisas pode ajudar sim, mas também pode ser o caminho final. Tanto que ao fim de “Novo Messias” Zé do Caixão deixa o recado através do áudio retirado de “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”.

Indagado sobre a falta de divulgação das letras, Carlos Augusto (Gugu) esclareceu que elas provocam, junto com o massacre guitarra/bateria, uma mudança de estado físico e espiritual – vide o empeno que ele fica nos shows – e é melhor não expôr as pessoas a isso. A volta ao normal é algo bem delicado e pode deixar sequelas. “Imagine essa galera good vibes “gentileza gera gentileza” ouvindo o disco e querendo encher a cara e fazer merda em plena luz do dia…”.

Foto: Netão