Parece que Japan Pop Show foi lançado hoje

por em quinta-feira, 22 março 2018 em

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Lá em 2008 Curumin falava de corrupção em “Caixa Preta” e do meio ambiente em “Kyoto”, onde também profetizava que o mundo acabaria em 2018. Cá estamos nós e nada do mundo acabar, seja por uma guerra mundial ou pelo famoso meteoro que tanta gente espera. E sabe o pior? A corrupção que achávamos que estava diminuindo só aumentou e pelo que noticiam ela vem desde a ditadura. Ou desde o descobrimento do Brasil, se achar melhor.

Curumin gravou o disco com várias participações (Marku Ribas, Blackalicious, Lateef, B Negão e Lucas Santtana) que chegaram a ele pela internet – que obviamente não é a mesma coisa que é hoje – e deu tão certo que o Japan Pop Show ainda é o melhor disco dele. A mistura de samba, música eletrônica, reggae/dub e música pop faz do disco um exemplar único.

“Salto no vácuo com joelhada” (tem uma dança que lembra isso hein) já abre o disco mostrando que Curumin não estava para brincadeira e para tanto contou com a participação de Marku Ribas, percussionista, cantor e ator que além de gravar vários discos também participou de tantos outros como convidado. “Dançando no escuro” é quase uma continuação, mais branda, da música de abertura. “Compacto” não faria feio na mão de Jorge Ben, se ele não tivesse “parado” décadas atrás. O destaque do disco ao lado de “Caixa Preta” é “Magrela Fever”, uma música dançante com uma bateria pulsante que como o título entrega, fala sobre uma bicicleta. Sobre andar nela, espairecer e até acender as ideias. A já citada “Kyoto” (referência ao acordo firmado entre países para diminuir a emissão de gases e diminuir o o buraco na camada de ozônio) é mais uma dançante que fala sobre um assunto sério. A música fala sobre emissão de gases, mas dez anos depois o que preocupa mesmo são dois acidentes de vazamentos de resíduos e que causam medo no Brasil. Samarco (Brasil, Inglaterra e Austrália) e Hydro (Noruega, vejam só) fizeram estragos em Mariana e Barcarena, respectivamente.

A quebrada de ritmo com “Mistério Stereo”, uma bela canção romântica, prepara terreno para voltar a carga com “Mal Estar Card” que levanta a bandeira do lucro exorbitante dos bancos, o filé, em detrimento da população em geral que fica com osso para roer. Entre elas “Saída Bangu” funciona como um preâmbulo com pouco mais de um minuto. “Caixa Preta” desbrava o caminho do cidadão de bem brasileiro que aposta em falcatrua. Como já escrito antes se passaram 10 anos e nada mudou. Muitos beneficiados de vários lados, mas o que se vê é punição para apenas uma parte. E é fácil saber que os punidos não são os aliados do atual des-governo. Sem falar que tem os que usam a famosa tornozeleira eletrônica dentro de suas próprias mansões. É quase um recado: colarinho branco e adjacências não dão em nada.

O trecho final do disco traz “Sambito (Totaru Shock)” dançante mais tímido e com letra quase toda em japonês. “Esperança” faz um jogo de palavras, até meio clichê, sobre a esperança que apesar de ser a última que morre, as vezes é a primeira mesmo. “Fumanchu” encerra o disco com cara de Bossa Nova, mais uma influência certeira do disco e que comprova que a mistura de tudo caiu muito bem. O misto de romantismo, letras politizadas, batidas dançantes e convidados foi certeira.

Foto: Ava Rocha