Cidade Chumbo estreia abordando as dificuldades do cotidiano

por em quarta-feira, 19 julho 2017 em

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Quatro figuras já rodadas no underground carioca se juntaram e formaram a Cidade Chumbo. O disco homônimo traz um punk rock com instrumentais diversificados, mas sem firulas, e letras inteligentes que envolvem problemas da sociedade moderna. A banda é formada pelo o vocalista Vital (Jason), o guitarrista Alexandre Bolinho (Kopos Sujus), o baixista Alex Mostarda (Anarchy Solid Sound) e o baterista Mauro Pimentel (Halé).

A ideia de fazer um som mais voltado para o punk em letras politizadas surgiu do encontro entre Vital e Alexandre Bolinho, ainda durante o Ocupa MinC, posteriormente foram chamados os outros dois componentes da banda. O EP foi gravado no “Melhor do Mundo Studios”, de forma rápida e praticamente ao vivo, tendo gravado somente os vocais em separado.

Além do EP, de seis faixas e pouco mais de 12 minutos, a banda também lançou um clipe para a música “Da cólera ao fogo cruzado”, e sim, a música faz referência às clássicas bandas pioneiras do punk rock nacional.

As letras do EP abordam o cotidiano do cidadão das grandes capitais brasileiras quanto ao transporte e trabalho, e possibilidades de mudanças. A faixa de abertura “Diariamente”, um punk clássico, como o próprio nome entrega, aborda esse cotidiano do trabalhador brasileiro. Os instrumentais pesados de “Exaustos e Insones”, já tratam da rotina estressante que acaba com a qualidade de vida e deixa as pessoas ansiosas e insones. Tem inspiração em um texto de Eliane Brum.

Como já comentado “Da cólera ao fogo cruzado” traz referência não somente às bandas do título, mas também ao Ratos de Porão, Olho Seco e tantas outras responsáveis pelo início da história do punk no país e aos adolescentes que acharam em suas letras uma arma de subversão.

“Os Ninguéns” usa a mescla de peso, velocidade e cadência e trata sobre as vidas produzidas como “descartáveis” pelo capitalismo contemporâneo e todo o condicionamento da vida moderna, perguntas sem respostas, paralisia. A letra é baseada em um conto homônimo de Eduardo Galeano.

“Conexão” continua na abordagem do mundo moderno, como o próprio nome pode vir a sugerir, voltada para as relações líquidas das redes sociais e mundo virtual. A aparente proximidade que traveste o afastamento entre as pessoas e toda a falsificação da vida que parece perfeita no mundo virtual. O instrumental tem um tom mais rockabilly.

Com uma abordagem mais hardcore noventista, fecha o disco “Eu, João Blake”. Mais uma letra que reflete as relações humanas modernas. Sobre um fim de vida em que sua história e sonhos são tomados, sobre um país em que direitos e vidas são subtraídos.

Em suma, é um EP de tiro curto e certeiro com ótimos instrumentais e letras. O conjunto da obra carrega toda a experiência dos músicos que povoam o underground carioca já há vários anos.