Mantendo a cabeça aberta e a boca seca

por em segunda-feira, 13 junho 2011 em

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A banda paraibana Dalva Suada de cara já chama atenção pelo nome. Esquisito, mas que até remete aos shows. Onde Piras (vocal) dança, canta, se entrega ao som do trio Felipe Augusto (guitarra e vocal), Daniel Jesi (baixo) e Nildo Gonzales (bateria), que passeia por uma jam session e entrega um som derivado do Grunge, do Garage, do Hard Rock. Piras, como definiu Alex de Souza: uma mistura de Joe Cocker com Sidney Magal, sua nos shows. O som da banda sempre mantém quebradas nos andamentos junto com guitarras pesadas, baixo funkeado e uma bateria concisa. Tudo com um ar de espontaneidade que nem todos conseguem. O disco foi gravado numa casa na praia de Fagundes, talvez isso explique o clima de descontração, de viagem sem amarras, que o som transmite.

“Amarelo” abre o disco de forma acelerada, já mencionando a “massa” que permeia todo o som do grupo, talvez com o fato de ser solto. Mas a velocidade não permanece alta por muito tempo, o grupo alterna momentos rápidos e lentos. Com vocais as vezes etéreos, as vezes agressivo. Parece um prato de entrada com menos de quatro minutos. Já que as outras três músicas somadas ultrapassam os 23 minutos. Dando ao disco, no total, quase a duração de muitos álbuns. “Cabritado”, na gíria popular significa com medo, desconfiado, ressabiado. A música começa tímida, aos poucos se solta, com solos de guitarra, bateria marcante. O andamento vai de um blues nordestinizado até a psicodelia. Aliás a pegada nordestina continua em “Inseto Castanho” e “Boca Seca”, mais uma auto-explicativa. E mesmo meus dotes forrozeiros não ajudando, creio que “Inseto Castanho” tenha a levada de um Xote.

Esse novo EP traz uma continuidade ao anterior, o estilo é o mesmo. Só que enquanto o anterior foi gravado de forma “ao vivo”, esse tem mais esmero na produção, demorou mais, foi mais curtido. As quatro músicas se completam como uma viagem alucinante. Como aquela noite que começa tranquila, passa por momentos de energia intensa, tensão – vide os solos de guitarra esquizofrênicos – , e volta ao estado inicial de calmaria. Talvez seja por isso que o nome de um tal Albert Hofmann esteja na velha lista de agradecimento que todo disco tem. Se você é daqueles que só acredita vendo. Que quer ver ao vivo o que está gravado, mais um motivo para escutar o disco e depois ver o show. A pegada é a mesma, a psicodelia é a mesma e a viagem dos quatro músicos leva a lugares distantes.

Baixe o disco aqui.

Foto: Rafael Passos