Bullet Bane está de volta a Natal para divulgar Continental

por em segunda-feira, 21 maio 2018 em

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A segunda noite do Brasinha Core acontecerá na próxima sexta-feira (25). O evento contará com as bandas potiguares Heresia, Demônia, Concílio de Trento (que lançou EP novo neste último domingo), Born To Freedom e a banda paulista Bullet Bane. O primeiro lote de ingressos se encerra hoje e o segundo lote custa r$ 20. Os ingressos podem ser adquiridos pelo sympla ou com comissários. Para mais informações acesse o evento no Facebook.

A Bullet Bane lançou em novembro de 2017 o disco Continental. O álbum traz como maior diferencial, em relação aos trabalhos anteriores, todas as músicas cantadas em português. Além de instrumentais que navegam entre o peso e a leveza flertando com o atmosférico, demonstrando outras influências diversas do hardcore purista, nas canções.
Conversamos com o baterista Renan que falou um pouco sobre o trabalho mais recente da banda.

Se bem me lembro, quando vocês mudaram de Take Off The Halter para Bullet Bane o motivo foi de questões interpretativas na gringa, pois vocês conseguiram logo no princípio uma boa recepção da crítica não só no Brasil como fora. De lá para cá os discos sempre tiveram músicas em inglês, com exceção da versão de Capadócia (que por sinal, ficou irada). Essa decisão de gravar um disco todo em português surgiu como?

A ideia de gravar um álbum em português veio naturalmente, tocando bastante pelo Brasil inteiro e reparando quantas pessoas tentavam cantar as músicas mas não sabiam as letras. Percebemos a importância de fazer um álbum com nossa língua de origem. O Impavid Colossus quase saiu em português também, mas na reta final resolvemos manter em inglês, essa já era uma ideia antiga, que só colocamos em prática no Continental.

Aproveitando a questão, como surgiu essa ideia de gravar “Capadócia”?

A “Capadócia” é uma oração que tem uma letra muito forte e traz uma proteção pro nosso trabalho. É uma música regravada por vários artistas, dentre eles os que mais escutamos são os Racionais e o Jorge Ben. Sempre bateu muito forte em nós.

Já entrevistei algumas bandas que fazem músicas em inglês e os letristas alegaram ter maior facilidade para compor em inglês. No caso de vocês era isso? Como é que foi esse processo de criação das letras do Continental?

O Victor que escreve as letras cresceu escutando muita referência em inglês e isso tornou mais fácil compor assim, mas hoje em dia se tornou algo tranquilo compor em português, mais natural. É até mais fácil se expressar e passar a mensagem da maneira como queremos.

Além das letras o instrumental também mudou com relação aos discos anteriores, isso é resultado de influências de bandas que vocês andam escutando, foi uma coisa adaptativa com as letras ou uma mescla dos dois?

O instrumental mudou e não mudou. (risos) Se analisar bem todos nossos trabalhos, desde o Take off the Halter, tiveram grandes mudanças de um pro outro, e em basicamente todos os álbuns tem partes bem leves e partes mais pesadas. O New World Broadcast é mais rápido, não necessariamente tão pesado, muita informação e muita nota. O Impavid Colossus é mais denso, mais agoniado, músicas rápidas e músicas mais lentas e pesadas, também tem faixas instrumentais. O Continental pra mim é o meio termo de tudo, é onde estamos com a cabeça hoje em dia. Ele é o reflexo de tudo que passamos pra chegar até aqui. Cada álbum é uma etapa da vida, nunca será igual o anterior pra nós.

Por entrevistas que vi, a recepção do disco vem sendo muito positiva. Em algum momento do processo de composição e produção vocês tiveram medo do público receber mal a nova sonoridade?

Se a gente se preocupar realmente com isso a parada não anda. Temos que seguir nosso coração acima de qualquer outra coisa. É a nossa vida. Muitos dos álbuns que fazem parte da história da música foram mal recebidos de início e depois se tornaram um clássico. Isso acontece com muitos artistas. Acho que ficar se preocupando muito com isso é loucura. Tem que fazer o que gosta e correr atrás.

Em geral as letras do Continental trazem mensagens de “seguir em frente”, “tudo vai passar”, para aproveitar o momento… São letras que devem soar confortantes para muitas pessoas. O feedback do público está dentro do esperado? Ultrapassou o que vocês pensavam?

As letras refletem nossos últimos anos. Tivemos os melhores e piores momentos juntos e isso nos fez ver a vida de outras formas. O feedback do público está nos surpreendendo sim. Recebemos várias mensagens de pessoas que de certa forma se identificam com as letras e ajudam elas. E nos shows sentimos uma enorme diferença com as músicas em português.

Para finalizar, como está sendo montado o set dos shows? Vocês tocam músicas dos álbuns anteriores? Intercalam músicas dos discos ou fazem blocos de cada trabalho?

Nesse primeiro momento estamos dando mais prioridade pro set em português. Boa parte do Continental e algumas músicas antigas intercaladas.