Brasinha Core dia 2: participação do público e shows cheios de energia

por em terça-feira, 29 maio 2018 em

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O Brasinha Core fechou sua segunda edição na última sexta-feira (25/05), no Centro Cultural DoSol, levando um bom público para um set de shows que transitou entre o pop-punk, punk rock, post-hardcore e hardcore melódico. Se a princípio a grande atração seria a paulista Bullet Bane, podemos dizer que as bandas potiguares conseguiram dividir o protagonismo com públicos participativos e que não se guardaram somente para o show da banda convidada. Neste sentido o destaque fica para a Concílio de Trento que lançou um EP no domingo anterior ao evento e fez um show que arrancou elogios e continua reverberando pela internet.

heresia

Como sempre, a produção do Brasinha presou pela pontualidade em respeito ao público que necessita voltar para casa de transporte público, já deficitário na cidade, e que no momento ainda roda com frota reduzida. Cheguei um pouco atrasado e acabei pegando as duas últimas músicas da Heresia. Um fato que ainda consegui perceber é que em comparação ao primeiro dia, proporcionalmente, a primeira banda da noite tocou para um maior público, o que por si só já configura uma boa oportunidade para o grupo que ainda é novo no cenário local.

demonia

Em seguida subiu ao palco a Demônia com seu punk rock cheio de energia e a formação cada vez mais afiada. A banda soltou seu show composto por músicas que abordam temas como política, feminismo e até causos conhecidos como o do “Bebê do Midway”, encerrando com o já tradicional cover de “Punk rock não é só para o seu namorado” da Bulimia. A essa altura o público já chegava em bom número.

born

A Born to Freedom é uma das bandas mais ativas da cidade tanto no quesito apresentações quanto na produção de materiais de divulgação e de shows. Tal produtividade, unida a qualidade do hardcore melódico que os caras fazem, proporciona que a banda tenha um público fiel que sempre torna os shows frenéticos com gente cantando as músicas à beira do palco, moshs e dancinhas. Não foi diferente desta vez. Ao final da apresentação, Shilton jogou a sua ideia, de que não basta mudar a si mesmo (embora já seja um começo), mas também é preciso tentar gerar a mudança da sociedade.

concilio

Penúltima banda da noite, a Concílio de Trento talvez tenha sido a banda mais esperada por boa parte do público. Apesar das músicas não serem inéditas, esta foi a primeira apresentação após o lançamento do EP Tomara que não chova. Então a empolgação de ambas as partes era enorme. Iniciaram com a faixa título do EP seguida da enérgica “Merovíngio”, também do disco. “ALittleSundayDrive” seguiu com uma sequência de moshs e rodas de pogos sempre com uma parte do público cantando à frente do palco e a banda com uma presença de palco das melhores em um set que contou com todas as faixas do EP e já uma canção nova, “Armadilhas”.

bullet

A Bullet Bane iniciou o show com três faixas do disco mais recente Continental. “Curimatá”, “Gangorra” e “Melatonina”, respectivamente, seguindo a ordem do álbum e cantadas de forma enérgica pelo vocalista, Victor, que por vezes desceu do palco para cantar junto ao público. Também não deixaram de lado músicas do Impavid Colossus (2014), como “Hate and Haste St.”, com detalhe para alguns trechos cantados em português, e até uma do New World Broad Cast (2011), “Dance Of Electronic Images”, momento em que relembraram a primeira passagem por Natal, em 2012. A todo momento, a banda agradecia a participação do público que também cantava todas as músicas ao pé do palco.

Em suma, a segunda edição do Brasinha Core manteve bons públicos para o padrão atual da cidade e proporcionou a quem foi ótimas apresentações. Se na primeira noite a mescla de sons levou um público de faixa etária ampla, esta última noite teve, em geral, um público mais jovem, o que demonstra alguma renovação de público, já fruto de ações de resistência das bandas em também produzirem seus shows. A boa presença e participação do público nos shows locais também é uma boa amostra da importante valorização das boas bandas potiguares. Que venham mais edições do Brasinha Core!

Fotos: Felipe Alecrim