Bongar é a preservação da cultura negra

por em quinta-feira, 24 agosto 2017 em

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Não é de hoje que Terreiros de Umbanda são destruídos por causa de intolerância religiosa. Achar nas buscas o Grupo Bongar que preserva suas origens culturais afro-brasileiras é uma alegria que foi igual quando ouvi o primeiro disco de Siba e Fuloresta do Samba, também de Pernambuco. Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco são grandes centros da cultura afro-brasileira e é de Olinda, a cidade do melhor carnaval do Brasil, que vem o Bongar.

A tradição é passada dos mais velhos aos mais novos e perpetua a tradicional Festa do Coco da Xambá, realizada na comunidade há mais de 40 anos. O Bongar é composto por seis jovens integrantes do terreiro Xambá, do Quilombo do Portão do Gelo, em Olinda, e leva aos palcos a tradição herdada.

Fundado em 2011 o grupo tem três discos lançados e um DVD ao vivo: 29 de Junho, Chão batido – Coco Pisado, Festa de Terreiro e Ogum Iê!, respectivamente. Chão Batido – Coco Pisado está disponível no Spotify e é mais heterogêneo em sua composição.

A viagem sonora do disco passeia pelo som característico dos terreiros e ganha o mundo com a inserção dos demais elementos sonoros levando até a aproximação com samba e afoxé, sempre com os tambores em primeiro plano. A linguagem também passeia entre a matiz africana e a portuguesa. “Cantos Tradicionais no Terreiro Xambá para Exu e Ogum” abre o disco com linguagem africana e o disco segue nas demais músicas em homenagem a Ogum com letras em português e com temas referentes a guerra, já que Ogum se manifesta na forma de um guerreiro. A capa do disco também faz referência a Ogum porque ele também é símbolo da metalurgia, do ferro, que o homem manuseia e domina a natureza.

Ogum Iê! tem produção musical do maestro baiano Letieres Leite, idealizador e líder da Orkestra Rumpilezz. O maestro e a Orkestra são referências em sopro e percussão voltados para a cultura afro-brasileira. Os arranjos do mais recente álbum são do maestro e dos integrantes do Bongar. Guitinho da Xambá é o responsável pelas composições a partir do cotidiano dos músicos do grupo em sua comunidade e mostra a sonoridade dos rituais religiosos unindo tambores do Terreiro Xambá aos sons da flauta, violão, cavaquinho, baixo, guitarra, trompete, sax, acordeon, trombone e até de elementos como latas, antena de TV e tonéis de metal, revelando a atmosfera sonora do orixá Ogum. A inspiração que levou Guitinho a idealizar o disco.

O projeto ganhou corpo quando foi aprovado no Edital Rumos Itaú Cultural. Convidado a produzir o disco Letieres Leite participou de uma residência artística para elaboração dos arranjos das sete faixas do disco, compostas por Guitinho. A gravação do disco ocorreu em novembro de 2016, no Estúdio Cachuera!, em São Paulo. A diversidade sonora em torno do orixá Ogum foi possível pela participação de Julio Fejuca (violão e cavaquinho), Gabriel Levy (Acordeon), Letieres Leite (flautas), Gabriel da Xambá (percussão), Bruno Giorgi (guitarra, bandolim e baixo) e os músicos da Orkestra Rumpilezz: André Becker (sax alto e sax barítono), Guiga Scott e Rudney Machado (trompete) e Gilmar Chaves (trombone). A captação do toque no Terreiro Xambá foi realizada pelo Estúdio Carranca (PE).

O disco pode ser baixado no Hominis Canidae.