Astronauta Marinho está de volta e mais introspectiva em Perspecta

por em quarta-feira, 31 janeiro 2018 em

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Perspecta, novo álbum da Astronauta Marinho, está no ar e diferente de Menino Sereia é um disco mais introspectivo. Um olhar mais crítico sobre o dia a dia que aponta para a realidade de Fortaleza que vem sendo exposta através de artistas como Cidadão Instigado e maquinas. Uma realidade que permeia outras cidades, uma nuvem de incertezas que paira sobre nossas cabeças. Entre momentos mais intimistas e algumas explosões os arranjos denotam uma viagem por imagens distintas que se formam ao ouvir o disco.

A banda começa a distribuição das recompensas da campanha de financiamento coletivo e na sequência deve armar show de divulgação do álbum. Batemos um papo rápido com Guilherme Mendonça e Felipe Couto que você pode conferir abaixo enquanto ouve o disco.

O disco Menino Sereia (2015) era, digamos, mais dinâmico nos arranjos, com algumas músicas quase pendendo pra algo dançante. O Perspecta se mostra mais introspectivo. Isso se deve a mudança de foco/olhar sobre o cotidiano na hora de compor?

Provavelmente sim. Todos os discos surgiram de movimentos naturais de composição. Não é deliberado, sabe? Observando o processo criativo, a constante é que depois de fazer os sons é que partimos pra significar aquilo ou entender (ou pelo menos tentar) de onde aquilo saiu e pra onde pode ir.

E depois de concluído esse processo, olhando o resultado, o que levou vocês a construir essas músicas?

Acho que a construção das músicas parte de algo isolado dos integrantes até o momento que a gente trabalha juntos e vai dando outras formas. As músicas desse álbum não surgiram exatamente no mesmo período. Tem composição que surgiu no inicio da banda, mas só veio tomar forma agora. Outras foram surgindo no decorrer da tour do Menino Sereia. De alguma forma elas se juntaram agora e talvez a pluralidade do disco veio influenciada pelo tempo que passou e também por mudanças na forma de pensar e discutir o cotidiano.

Nesse disco a música “Só” é cantada. Qual a intenção de incluir ela? Um flerte para no futuro possíveis outras?

Conforme o disco foi tomando forma, fomos sentindo as músicas muito distintas. Entre momentos pesados e leves, cheios e vazios, intensos e calmos… Enfim, percebemos que tinha algo de muito contraste rolando. Procurando por novos climas, novos sons que pudessem estar na mesma linha, o Felipe sugeriu essa música que ele havia composto e topamos incluí-la. Não tenho certeza quando a intenção de incluí-la, nunca paramos pra pensar nisso, apenas pensamos: “porque não?”; mas penso que talvez seja algo que pretende mostrar/explorar/afirmar nossa liberdade de fazer música. Convidamos um grande amigo nosso, compositor e músico daqui de Fortaleza, Bruno Rafael pra finalizar a letra e depois a Rafaela Muller, amiga querida, também daqui de Fortaleza cantou com a gente. Tocar com ela cantando era uma ideia antiga, temos outras músicas no arquivo e já havia rolado em uns shows há anos atrás. Com certeza podem haver outras, mas não há uma regra… Vai depender do momento.

Foto: Laura Moreira