Apresentando… Filipe Alvim

por em terça-feira, 3 dezembro 2013 em

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Com um EP de cinco faixas e pouco mais de 15 minutos de duração debaixo do braço, Filipe Alvim pode ser a próxima-grande-coisa-a-sair das entranhas de uma cidade interiorana para o inesperado hype virtual.

Pronto para conquistar tanto os piolhos da microsfera indie quanto o caçador casual de bons refrães, Zero, o disquinho despretensioso que Alvim lançou em setembro desse ano via PUG Records, é um injeção de ânimo contra a monotonia e o saco cheio. Com pelo menos um hit em potencial (a grudenta “Domingo”) e nacos de poesia cotidiana e sincera em “Jardim do Amor” e “Meu Sofá”, o EP costura de forma certeira influências noventistas com um sotaque pop, brasileiro e urbano, passando longe de qualquer regionalismo forçado.

Mas antes que o disco termine, cabe a pergunta: quem é esse tal de Filipe Alvim afinal?

Mineiro de Juiz de Fora, Alvim entrou na música pela porta dos fundos da cena hardcore da cidade. Em 2008, ainda vivendo a adolescência em tempo real, ele cantava na Fugar, banda que durou “seis meses, uma demo e dois shows”, segundo o próprio.

“Acho que ainda tem [a demo] no Purevolume. Na gravação, eu quis gritar e ficou mais que uma bosta, porque eu cantava limpo no show e no ensaio, foi pala errada”, conta Alvim.  “A banda foi criada pra zuar Juiz de Fora e a cena hardcore, e seus personagens mal encarados”.

Apesar de pérolas como “O Dinheiro Domina” e “Acabou a Pobreza” não terem inspirado muitas rodas de pogo, a experiência frustrada acabou provocando uma epifania no músico. “Depois disso, parei de tocar bateria e comecei a aprender vioão. Então, tive a genial ideia de que sozinho não dependeria de ninguém. Grande ideia”, diz.

Com um espírito easy rider nos couros, Filipe Alvim pegou a viola e a estrada e seguiu viajando e compondo um pouco em cada cidade onde morou. “Escrevi duas músicas em Juiz de Fora, vendi todos os meus móveis e eletrodomésticos e fui pra Tiradentes (MG). Lá fiquei um pouco mais de um mês e escrevi mais duas. Depois disso, fui pro Rio e terminei outra”, conta o músico, que levou quase dois anos para reunir as composições e finalizar a gravação de Zero, que ficou pronto ano passado. “Nas gravações, tanto em 2010 quanto em 2012, eu saia de Botafogo, pegava o metrô, descia 18 estações depois e ia andando até o estúdio no Cavalcante”.

De volta à Juiz de Fora, Filipe  Alvim já começou a escrever novas canções, mas segundo ele “ainda faltam muitos detalhes” para o próximo disco sair. Durante o horário comercial, ele segue resolvendo pepinos diários, enquanto luta contra a morosidade da cena dita artística da sua cidade natal.

“Aqui tá longe de ser um bom lugar até para uma ida eventual”, dispara. “Existe poucas pessoas interessadas em produzir alguma coisa, estudar a música autoral, criar, investir, trazer uma banda de fora. A música autoral existe, mas tá sem direção. Só cover ou mesclado com [composições] próprias que se parecem tanto com as covers que eu não consigo distinguir”.

Na sequência, assista clipes de algumas faixas tiradas de Zero, de Filipe Alvim.