Nada Sem Ela mostra o amadurecimento da Academia da Berlinda

por em sexta-feira, 10 março 2017 em

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Ao escutar Nada sem Ela, terceiro disco da Academia da Berlinda, a impressão que fica é que a banda esfriou depois de dois discos dançantes com fortes influências nordestinas e latinas. É como se o fogo de sair atrás de uma dança e uma gela com os amigos tivesse se transformado nas necessidades da vida adulta e o fogo se tornado uma brasa. Agora a intenção é um jantar a dois.

Não se engane. O amadurecimento ocorreu sim, naturalmente como com qualquer artista e banda. Mas o fogo continua lá, basta uma fagulha para voltar com tudo. E também qual é o mal em alternar um ritmo mais dançante e rápido com um mais lento? Nenhum! O importante é bailar. Se você gosta de Jovem Guarda, Brega, Forró, Cumbia, Guitarrada, Ciranda, Côco e ritmos dançantes, a Academia da Berlinda agrada em cheio.

Batemos um papo com Yuri Rabid (baixo e voz) sobre os discos, influências e produção.

Me fala do surgimento da banda. Sei que vocês são de várias bandas e conheço todas. E li também que formaram pra tocar num festa e foi sucesso. Mas de quem foi a ideia e como tudo começou?

Somos amigos de infância. Todos músicos que tiveram a ideia de fazer uma festa que o tema fosse um baile pra dançar. A festa deu tão certo que o baile dura até hoje! (risos) Nesse meio tempo vieram outras festas produzida por todos da banda num esquema “makeyourself”, “soundsystem”. As festas tomaram proporções maiores, começaram a surgir as primeiras composições e em 2007 lançamos nosso primeiro trabalho Academia da berlinda. A ideia surgiu do coletivo que de tanto brincar e se divertir nos shows colocando sempre alguém na “berlinda” virou uma Academia da Berlinda.

E desde sempre a intenção foi misturar ritmos nordestinos com outros latinos?

Não foi uma intenção estabelecida, A identidade musical da banda foi se formando pelas referências e afinidades musicais que a banda tem com o brega, a guitarrada do pará, o semba de Angola, a cumbia colombiana, o forró, o côco e outros gêneros musicais que Pernambuco recebe, se identifica e dialoga.

Eu gosto muito da guitarrada de Mestre Vieira, do Siriá de Mestre Cupijó e Dona Onete conheci recentemente. E tem muita influência dos sons. Ouvindo o primeiro e o segundo discos percebi um ganho de qualidade em termos de gravação. Como foi esse processo do primeiro para o segundo disco, em termos de ganho de qualidade e produção?

O primeiro disco, Academia da berlinda, foi o rebento de um trabalho novo (inclusive para nós), estávamos criando nossa identidade musical e se descobrindo como banda. No segundo disco, Olindance, já tínhamos algum tempo de estrada e o disco chegou num momento para reafirmar a proposta musical da banda. O terceiro disco, Nada sem ela, teve um tempo maior de maturação e isso de certa forma contribuiu bastante para o projeto. Outro ponto importante do nosso último trabalho é que foi gravado e mixado por Fumato Snadefight e Adriano Lemos (técnicos que acompanham nosso trabalho de perto durante alguns anos). O processo de amadurecimento técnico, musical e de produção é natural. Hoje até nos shows quando um olha pro outro já se sabe qual é o arranjo ou convenção.

Ia perguntar isso do terceiro. O Nada sem Ela também tem uma pegada mais, digamos, pop no sentido da guitarra não ser tão dançante quanto nos anteriores. Algumas músicas são até mais calmas. Creio que também deva ser em função da maturação da banda.

Sem dúvida, cada disco é um momento, sentimos liberdade para navegar em outras vertentes, buscar outros timbres e experimentar sem se preocupar em fazer música condicionada a algum segmento musical ou mercadológico. A única preocupação que temos musicalmente é conseguir levar nossa verdade musical onde quer que nosso som chegue. O resultado final do Nada sem ela foi um disco com mais nuances e sutilezas. Na verdade a concepção dele foi como pintar um quadro abstrato.

Baixe ou ouça os discos no site da Academia da Berlinda.