Não faz muito tempo uma turma de cantoras surgiu para dar um novo ar a tal MPB. Vieram com a influência do samba e acrescentaram pitadas de música eletrônica, música regional. Deram uma roupagem mais moderna ao estilo tão associado a imagem do Brasil, que se possui cantores tão fortes, também tem suas divas: Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão e muitas outras. A mesma coisa na Bossa Nova, na Tropicália, na Jovem Guarda. Mas e na música Pop brasileira? Sou sincero em dizer que não lembro de alguma cantora de nome forte. Rita Lee? Talvez. Mas isso está mudando.
Enquanto as tais “novas divas” do Samba revitalizavam o estilo, também começavam a vir a tona outras cantoras que não se enquadravam no gênero. Estavam espalhadas por outros movimentos musicais, puxando até para uma sonoridade mais pop, tão em falta. Mas em 2010 três bons discos foram lançados. As artistas? São elas: Karina Buhr, Lurdez da Luz e Tulipa Ruiz. A primeira de Recife, as outras de São Paulo.
Tulipa que se apresenta como cantora, compositora e desenhista (ela faz desenhos para livros infantis, agendas, capas de discos e cartazes de shows) tem o viés mais pop das três. O disco foi gravado em forma de banda, não como uma cantora com banda. Dessa maneira os músicos tiveram grande influência na textura das canções que embalam a voz doce que me remeteu a de Gal Costa. Seu disco Efêmera, de passageiro não tem nada. O disco é um dos melhores do ano. E ela vem ganhando força com matérias em revistas tão distintas como a Criativa e Trip, ou em jornais como O Globo e Jornal do Brasil.
Tulipa conta com o pai e irmão na sua banda, Luiz Chagas e Gustavo Ruiz respectivamente. E eles também tocam com ela na Pochet Set. Essa convivência familiar só pode ajudar. O que chama a atenção da cantora é difícil precisar. Talvez a voz doce, talvez as letras simples, mas bem construídas e que não caem na mesmice. Talvez a já citada banda que a acompanha, que é ótima. Talvez a despretensão com que as músicas são feitas, que ao mesmo tempo dão um ar simples e sofisticado. Tudo isso torna a música pop, com tudo que existe de melhor na conotação. Tanto que a moça de 31 anos vem abrindo shows para cantores elogiados como Otto e mesmo assim conseguido chamar bastante atenção por onde passa.
O disco de estréia tem 11 músicas. Todas são boas, mas destacam-se “Só Sei Dançar Com Você”, “Do Amor”, “A Ordem Das Árvores” e “Efêmera”. Não é surpresa se a exposição a leve dentro de pouco tempo a programas de televisão dos canais abertos. E hoje isso é bem necessário, o domínio de gente como Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e até Sandy, que renasceu das cinzas, doem os ouvidos.
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