Dizer ou escrever que uma banda atravessa um momento “maduro” quase sempre equivale a bater o primeiro prego no caixão do tal artista. Quando não usado como eufemismo para evidenciar os implacáveis sinais da idade, o nefasto adjetivo se traduz em pretensão fora de hora e pedantismo forçado. Dito isso, utilizar tal expressão para explicar Os Bonnies, primeira investida fonográfica oficial do quarteto potiguar homônimo, lançada em agosto desse ano, é mais do que falta de vocabulário ou preguiça interpretativa: dadas as circunstâncias, é algo próximo de uma afronta.
Há pouco mais de três anos, o motor que fez com que os quatro galados saíssem dos palcos mal iluminados da Ribeira e adjacências para ir bater em festivais como MADA, Bananada e Abril Pro Rock foi a forte carga de energia juvenil contida em canções como “Meu Bem” e “Não Toque na Minha Baby”. Depois de todas as adulações da crítica micro e macro, o mesmo clima de noitada na Rua Chile ainda permeia todas as treze faixas do disco novo, cheias de “babys” e “meninas” que vão embora pra nunca mais voltar ou simplesmente insistem em não fazê-lo. Ou seja, temas tão profundos quanto uma tábua de passar.
Até aí nada mudou. Mas, se o discurso é praticamente o mesmo e se põe a serviço da diversão plena e direta, a forma de dizê-lo já é outra. Aqui, a crueza cede lugar à simplicidade. E entre os dois há espaço suficiente para enterrarmos todas as falsas promessas que o rock potiguar já gerou nos últimos tempos.
Ao abrir mão de guitarras no último volume e vocais gritados em favor de riffs econômicos e melodias sutilmente psicodélicas, Os Bonnies provam por A mais B que um idéia por mais banal ou simples que aparente ser pode soar relevante se dita da maneira adequada. Essa conclusão, que fique bem claro, não é de modo algum depreciativa. É simplesmente uma tentativa torta de explicar por que canções como “Tomande Café”, “Venha pra Mim” ou os estandartes lisérgicos “Minha Menina” e “O Fantasma de Buffalo Bill” podem parecer tão novas e originais mas, ao mesmo tempo, familiares para quem conhece e gosta da banda.
Trocando em miúdos, o que a banda apresenta não é uma versão madura de si mesma, mas sim um aprimoramento das mesmas idéias que justificam sua existência desde os primórdios, quando preenchiam o repertório dos shows com covers de Chuck Berry e Johnny Kidd.
Talentosos que são, Os Bonnies não precisaram se transformar em outra banda ou copiar obsessivamente seus ídolos para escrever, no tempo certo, um álbum inteligente e com ares de novidade, o que os leva a concorrer com grandes chances ao posto de melhor disco lançado por essas bandas em 2008. E se isso não for um tremendo atestado de identidade própria, então nada mais é. Mais uma gelada, faz favor.
valeu, inimigos. escutem o disco mais vezes
esse disco dos bonnies é mesmo muito bom. maduro, redondo. massa, a resenha
Álbum azul = Substance D
bufalo billl fumou se inrrustiiiu
ó só, o link pro site dos bonnies tá errado. falta um .br no final.
Devidamente corrigido. Valeu o toque!
[...] Baixe o disco clicando na capa e leia resenha escrita por Alexis Peixoto aqui. [...]
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