O Garfo é uma banda de Fortaleza que está sendo elogiada por onde passa. Foi assim aqui em Natal no Festival Nordeste Independente e no Se Rasgum (PA) e Mundo (PB). Na seletiva do AbrilProRock 2008 ficou entre as cinco finalistas. Para quem acha que música instrumental é sinônimo de chatice, basta ouvir a banda para perceber que é possível fazer um instrumental seguro, enxuto e coeso. Sem virtuosismo exagerado, instigante. A banda passeia por vários estilos, para entender é melhor escutar. O trio se passou por Natal no encerramento do Festival DoSol 2008. A seguir uma entrevista com Felipe Gurgel, baixista da banda.
Hugo Morais – Porque vocês optaram pelo instrumental?
Felipe Gurgel – Quando O Garfo começou a ensaiar, ninguém conseguiu pensar em um vocalista para cantar o som que a gente vinha criando. A falta de opção vocal então pesou. Apesar da banda contar com um vocalista (João Victor), conosco ele toca bateria.
HM – Pelo que se pode ver, em Fortaleza as bandas são de estilos bem diversificados. Como O Garfo se insere na cena local?
FG – Creio que como a banda vai completar 2 anos ainda, tem muita gente que não situou O Garfo em determinado “nicho” da cena local, embora, naturalmente, a banda transite pela música independente. Em julho passado, tocamos no mesmo dia do Macaco Bong e Fossil no Festival de Música Instrumental do Banco do Nordeste. A divulgação do evento chamava isso de “dia da música instrumental contemporânea”, dentro da programação. Fico feliz porque O Garfo de certo modo tem se inserido de forma abrangente. Já rolou de bar dançante a auditório.
HM – A quê você deve esse redescobrimento das bandas instrumentais, principalmente nos festivais?
FG – Eu não sei dizer se há um “redescobrimento”. Até porque, pelo que recordo, pouco tempo atrás, o Retrofoguetes, por exemplo, tocou no festival DoSol e no Abril Pro Rock e não era comum bandas instrumentais circulando em festivais independentes. O negócio começou a mudar, ao meu ver, quando simplesmente começaram a aparecer outras boas bandas instrumentais que nunca precisaram programar solos intermináveis para mostrar valor, sobretudo o Macaco Bong e o Fossil. Com isso, veio a mudança de sensibilidade do público que percebeu que instrumental pode ser rock, pop, ou outra vertente musical que não seja necessariamente complexa. Mas tudo ainda é um processo, apesar desses marcos que eu citei. Já tem gente falando que instrumental é a “bola da vez” na cena indie, discordo totalmente. Me aponta uma banda ruim, dessa vertente, que esteja circulando regularmente em festivais. Esse termo “bola da vez”, francamente, às vezes é desabafo de quem tem preguiça de correr atrás.
HM – Como funciona o processo de criação de vocês?
FG – Não tem segredo ou nada subjetivo demais que justifique o processo. Normalmente eu crio as bases no baixo, e o Vitor e o João Victor colocam arranjos de guitarra e bateria em cima.
HM – Algumas pessoas quando ouvem a palavra “instrumental” associam logo a um som chato, mas o que vocês fazem é mais pop, mais acessível. Foi uma decisão logo de início ou uma coisa que surgiu naturalmente?
FG – Lembro que no início da banda a gente teve um pique muito grande para compor. Eu tinha várias bases, e uma música puxava outra, tanto que já li, de uma resenha do show do Garfo no Festival Mundo em João Pessoa, inclusive, que “os temas se completam entre si”. Foi interessante ler isso, porque eu vi que esse “pique” inicial acabou gerando essa impressão para quem analisa o set da banda. Normalmente músicas intencionalmente mais complexas exigem um tempo maior de maturação. As nossas nunca tiveram isso, foram feitas nesse timing acelerado, embora não premeditado. Hoje isso mudou e a banda tem um pouco mais de paciência para criar algo novo. Das 11 músicas do repertório atual, 9 são dessa correria, e 2 são mais recentes.
HM – Vocês tocaram no Festival Nordeste Independente aqui, alguma novidade nesse próximo show?
Duas músicas novas – 1 delas, Alpa Tino, é a mesma que vamos gravar para o DVD do Festival DoSol. A outra se chama Gin Gym. Naquele show deve ter rolado umas 8 músicas, dessa vez pode rolar até 10. Temos 2 músicas tortíssimas, Pego e Prantomática, que O Garfo não costuma tocar ao vivo. Uma das duas deve constar no set. No mais, a banda está mais madura e ansiosa para tocar em Natal. Sem demagogia, mas curto muito a cidade de vocês.
Ouça a faixa Alpa Tino d’O Garfo
Garfo é foda, pena que não vou poder vê-los la na Casa da Ribeira.
Ah. by the way, blog do caralho, parabéns. Vou linka-los
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cade a resenha do show do elma+debate galados?
Aeee Garfo, força pra vcs!! Sonzeira violenta mesmo!!
Vem tocar aqui em São Paulo com O Garfo pra dar um oi pra gente aqui, Vitor!! Hahaha
Ótimo site
Forte abraço!
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